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Medalha de bronze… Coração de ouro!

Bolsa de Especialistas

Miguel Portela

A seleção sub 20 de Portugal alacançou um brilhante terceiro lugar no Mundial B de Rugby, disputado em Bucareste

Foi este o título que me veio imediatamente à cabeça (e coração) mal soou o apito final do Portugal vs. Namíbia, no World Rugby U20 Trophy 2018.

Estes miúdos (e, em abono da verdade, os do ano passado) são de um potencial imenso. Provavelmente os com mais potencial de sempre! Além de serem um grupo razoavelmente alargado, estes rapazes são todos dotados de uma capacidade tecnica muito acima da média. Depois, Eles percebem do jogo... Sabem adaptar-se, reagir às circunstâncias e vários momentos do jogo. Não são mecânicos nem formatados…

Fisicamente, não sendo enormes, são explosivos, fortes e verdadeiros atletas (a frescura com que se apresentaram no ultimo jogo do campeonato impressiona). Complementam tudo isto com uma força mental muito acima da média…E abrilhantam tudo com um Coração de OURO!

Fizeram 4 jogos espetaculares!! Cada um com o seu ingrediente.

Contra Canadá foram pragmáticos… foram construindo a vitória. Tirar a nervoseira do primeiro jogo. Acabaram a dominar e não deixaram qualquer dúvida de que eram muito melhor equipa.

Contra Fiji fizeram-nos acredita de que o sonho podia ser real… A meio do jogo fizeram-nos pensar que era nosso! Que uma Equipa que no escalão acima (o sénior) está 20 e tal lugares à nossa frente no Ranking Mundial, era mesmo inferior a nós! Não tivemos a sorte do jogo… Um ensaio em avant das Fij mal validado ou ausência de uma eventual interceção de um daqueles fantásticos offloads Fijianos poderia ter ditado uma história diferente. Saímos orgulhosos e com o sabor amargo de uma quase vitória.

Contra Uruguai, quando se pensava que íamos sofrer no combate físico, fomos nós quem dominou do principio ao fim. Não demos hipótese… Voltámos a pensar: e se contra Fiji tivéssemos aquela pontinha de sorte?

Contra a Namíbia, que se havia batido espectacularmente contra Samoa, pensava-se num jogo muito complicado. Afinal aquele jogo foi, provavelmente, o melhor jogo de sempre de uma Selecção Nacional. Uma demonstração de Rugby ao mais alto nível que não deixou ninguém indiferente.

Esta equipa está cheio de miúdos com um talento muito, muito acima da média. E gostam de rugby! Temos aqui uma geração que, bem orientada, bem estimulada, bem respeitada e bem acarinhada, poderá ser um balão de oxigénio muito importante deste desporto em Portugal.

Antes de iniciar a reflexão final, fica aqui publicamente expressa a minha enorme admiração por todos e cada um deles. Cada vez que um jogo do campeonato Nacional tiver um destes actores em campo, não tenho dúvidas que esse mesmo jogo terá um interesse extra para ser visto.

Parabéns, rapazes! Deram-no uma enorme alegria.

Mas feitos os elogios (mais do que merecidos) fica a reflexão: Sermos bons num ou dois anos não é muito complicado. Fazermos um campeonato de mundo como vocês fizeram não é todos os dias mas é possível… Difícil é sermos consistentes nesse sucesso, nessa atitude, nessa humildade. Essa consistência é a que distingue os grandes Jogadores (que ficam na história) de um potencial talento…

Os vossos Clubes e a Federação poderão continuar a trabalhar para vos criarem as melhores condições para que consigam essa consistência. Mas caberá a cada um de vocês, individualmente, ter a capacidade e obrigação de conquistar e garantir essa consistência.

Vocês, medalha de Bronze mas coração de ouro!

NOTA: E se tivéssemos ganho a Fiji?

Miguel Portela

Miguel Portela

RUGBY

Advogado e ex-jogador de rugby. Foi 63 vezes Internacional da Selecção de XV, Lobo no Mundial 2007, participou em dois mundiais de 7s e sagrou-se nove vezes campeão nacional ao serviço do Grupo Desportivo Direito. Casado, pai de 4 filhos, diretor da Formação do GDD e treinador da escalões juvenis do GDD.