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As amizades perdidas

O auge das amizades é na adolescência. Fazemos amigos num piscar de olho, por vezes literalmente.

O auge das amizades é na adolescência. Aquelas amizades em que um dia não sabemos o nome um do outro e na semana seguinte não passamos um dia sem nos falar. Fazemos amigos num piscar de olho, por vezes literalmente. Estamos todos a passar pelos mesmos dilemas e com a intensidade típica da nossa idade, criamos uma ligação única entre nós.

Existem amizades que vêm e pouco depois, sem grande alarido, partem. São pessoas que conhecemos por acaso, durante uma certa altura da nossa vida, mas que por circunstâncias alheias a nós ou até por falta de tempo, de um momento para o outro, deixam de existir. E se algum dia nos voltarmos a encontrar, iremos colocar um sorriso na cara e perguntar como é que a vida lhes correu até agora.

Não são essas as amizades de que quero falar. Porque, embora com alguma pena, essas estavam destinadas a partir. Não existiram aqueles momentos de confidencialidade entre dois amigos que enfrentaram o mundo juntos. O tipo de amigos que se sentam num carro, cercados por uma noite escurecida, a falar sobre tudo aquilo que os rodeia, entristece, anima, ou que os confunde.

As horas passam tão depressa como os anos que já tiveram juntos. E assim tão rapidamente devagar, cria-se uma amizade sem fim. Entre risos e segredos, todas essas pequenas aventuras partilhadas deixam-nos com o sentimento tranquilo de que entre o inseguro funcionamento do mundo, aquilo que temos está pregado no ar... Até que um dia sem um aviso prévio, o vento sopra e tudo voa. São as amizades perdidas, que em vez de partir, fogem.

Não acontece tão de repente assim, acontece devagarinho e é quase sorrateiramente que palavras deixam de ser trocadas. Ninguém nos disse que a nossa última conversa seria a última. No entanto, suavemente, brutalmente, o tempo passou e agora somos apenas estranhos que partilham memórias.

Sinto curiosidade em saber se ao voltarmos a encontrar esses nossos amigos daqui a muitos anos, trocar umas palavras com a pessoa, a quem contávamos todos os nossos segredos será constrangedor, ou se será um encontro entre velhos amigos que um dia se conheceram sem filtros.

Benedita Mendonça

Benedita Mendonça

ADOLESCÊNCIA

O meu nome é Benedita Mendonça e tenho 18 anos. Frequento o 12º Ano no curso de Humanidades. Já fui jogadora de ténis...agora sou só preguiçosa. Sofro de um vício incurável por Coca-Cola, o que provavelmente me ajuda a perder horas de sono a ler ou a escrever. Dá-me jeito tornar essas horas em algo mais do que perdidas e é por isso que quero partilhar toda a vasta experiência que esta minha idade me oferece sobre a adolescência.