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Sandra Duarte Tavares

Sandra Duarte Tavares

LINGUÍSTICA PORTUGUESA

Comunique e não complique! A clareza na comunicação

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Ninguém gosta de perder tempo. E quando falamos de comunicação, ninguém quer perder o seu precioso tempo a tentar descortinar enigmas frásicos, discursos palavrosos, palavras embaraçosas. Toda a gente quer entender tudo à primeira. Ponto. No artigo de hoje, falarei sobre a importância da clareza na comunicação

1. Use palavras simples

As palavras são a matéria-prima da comunicação, por isso, devemos escolhê-las criteriosamente em função do nosso interlocutor. É para ele que falamos ou escrevemos, verdade?

Para que qualquer mensagem seja eficaz e cumpra o seu objetivo, as palavras não devem ser difíceis e desconhecidas, uma vez que dificultam a compreensão da mensagem e desmotivam quem a recebe. Por exemplo, para quê usar a palavra monitorização, em vez de controlo? Ou o verbo agudizar, em vez de piorar? Ou a palavra inviabilização, em vez de impedimento?

Evite o uso exibicionista de palavras eruditas e complicadas e opte sempre por palavras simples, comuns e reconhecidas instantaneamente pelo seu interlocutor, para que a comunicação flua como um rio e não se torne uma difícil escalada no Everest!

2. Use frases curtas

Além de palavras simples, utilize também frases curtas. O seu interlocutor deseja compreender de imediato o que lê ou ouve, quer receber a mensagem com prazer e sem esforço.

Frases demasiado longas são um tropeço ao processamento da mensagem, por isso, use frases breves, na ordem direta (sujeito, predicado, complementos), para serem facilmente entendidas.

Para quê dizer “indisponibilidade temporária dos serviços de eletricidade”, se pode dizer “falta de luz”? Ou “alcançar uma vitória eleitoral”, se é muito mais simples dizer “ganhar as eleições”?

Descomplique sempre o seu discurso. O seu interlocutor ficar-lhe-á muito agradecido!

3. Seja breve e objetivo

Comunicar com clareza é também respeitar a memória do seu interlocutor. Textos e discursos longos e demasiado palavrosos são a desculpa perfeita para ele desistir de o ouvir ou ler, por isso, se quer mantê-lo consigo, então seja breve e objetivo!

Um bom comunicador é aquele que consegue transmitir uma mensagem útil e interessante num curto período de tempo.

Respeitar o tempo de quem o ouve é mais do que lhe agradar. É dar-lhe honra.

4. Evite terminologia técnica

Evite também utilizar termos técnicos quando comunica, mas se a situação assim o exigir, deverá sempre explicitar esses termos, usando exemplos claros, preferencialmente.

Se um médico, ao falar com um paciente, usar os termos ablepsia e síncope, deverá ter o cuidado de explicitar o seu significado: “cegueira” e “desmaio”, respetivamente.

Lembre-se: a comunicação não deve ser uma corrida de obstáculos, por isso, por mais complexa que seja a mensagem, um bom comunicador é aquele que a consegue sempre descomplicar.

Sandra Duarte Tavares

Sandra Duarte Tavares

LINGUÍSTICA PORTUGUESA

Sandra Duarte Tavares é mestre em Linguística Portuguesa pela Faculdade de Letras de Lisboa e professora no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM). É colaboradora da RTP em programas televisivos e radiofónicos sobre Língua Portuguesa e autora de 10 livros técnicos sobre Língua Portuguesa e Comunicação. Conta ainda com 10 anos de experiência como consultora linguística e formadora de Comunicação para Executivos, nas áreas de Effective Communication, Business Writing e Public Speaking.