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Mais do que palavras… atitude!

© / Reuters

Mais do que palavras, foque-se nas atitudes. São elas que revelam o Amor que sentem por si e o Amor que tem para dar

Não gostamos todos de azul, do calor, da praia, de viajar, de sushi, de frutos exóticos, de bolos, gelados ou chocolate. Muitas pessoas gostam, mas muitas outras não gostam de algumas ou de todas essas coisas.

Temos personalidades, temperamentos, gostos, desejos, pensamentos, comportamentos… diferentes, e até perante um mesmo estimulo, pode acontecer sentirmos de forma diferente.

Somos únicos! Não existe uma única pessoa no mundo igual a si!

Mas, todos temos algo maravilhoso em comum: você, aquela pessoa que se encontra mais perto de si, assim como aquela que mais distante está de si, todos querem sentir-se amados.

No entanto, todos amam e se sentem amados de forma diferente!

Assim, todos queremos, mais que tudo, sentirmo-nos aceites, queridos e amados, ainda que alguns possam, por defesa, teimar em ser tão auto-suficientes ao ponto de afirmar não necessitarem do Amor dos outros para nada. Frequentemente, estas pessoas são as que mais Amor precisam!

Precisamos sentir-nos amados desde que nascemos até que partimos. Mas não só! Precisamos amar também. Sentir que o outro se sente amado por nós, sob pena de podermos questionar-nos se somos nós que não o sabemos amar ou é ele que por alguma, ou muitas razões, não consegue ver e sentir o nosso amor.

E nesta dança de Afetos, emoções e perceções que é o Amor, em que cada um quer mais que tudo, amar e se sentir amado, por vezes a “música” parece começar a tocar cada vez mais baixinho, até que um, ou os dois, decidem parar de dançar.

Sem música, sem dança, sem proximidade, sem toque, sem sentir o outro e, por vezes, a si mesmo, os dois rodopiam no meio de palavras e frases ditas e ouvidas, numa repetição quase tão mecânica quanto inconsciente, semelhante ao colocar a máquina de lavar a louça a funcionar depois do jantar, ou ao desligar a luz da mesa de cabeceira antes de dormir.

“Sabes que gosto de ti”, “Sabes que te amo”, “Porque preciso repetir o mesmo vezes sem conta?”, “Não estaria aqui”, “Não te aturava”, “Trabalho dia e noite para pagar as contas”, “Não bebo, nem me drogo”, “Não tenho amantes”, “Sempre a mesma conversa lamechas”, “O que queres mais?”

Frases e mais frases que davam para escrever um livro com o titulo “As cem piores maneiras de dizer Amo-te” ou “Como arruinar uma relação em 5 minutos?”

Se ao exposto juntarmos a interpretação da referida situação como dita normal e generalizada a todos os que vivem uma relação, e a aliarmos a escassas demonstrações de afeto, cuidado, empatia e falta de criatividade, seguramente existiram bons motivos para muitas pessoas afirmarem não quererem ser amadas e muito menos amar.

Ao longo dos anos percebi com os casais que acompanhei que cada um dos elementos do casal amava o outro como imaginava querer ser amado. Ou seja, descobrir a forma como o outro se sentia amado era algo a praticar apenas no início da relação. Conforme o tempo ia passando, essa descoberta ia deixando de ser importante e as suas próprias necessidades iam se sobrepondo às do outro. Como se o outro a pouco e pouco se fosse tornando transparente ou um clone de si próprio.

E como se ama alguém quando escolhemos deixar de o descobrir e conhecer? Ou quando ele deixou de o fazer também e decidiram os dois fecharem-se numa espécie de casulo?

Para Amar é preciso querer conhecer mais e mais. Para nos sentirmos amados, precisamos permitir que nos conheçam mais e mais…

E para tudo isto ser verdade, é preciso confiança, e sobretudo, VONTADE!

O que o outro gosta e quer, não é o mesmo que você gosta e deseja. Pode até acontecer que gostem de muitas coisas em comum, mas vão existir sempre muitas outras coisas que um gosta e o outro não.

A forma como cada um se sente bem e feliz e o que o faz sentir-se bem e feliz é única, e deve ser respeitada.

Quem aceita ser mal-amado, precisa perceber porque o aceita.

Quem aceita “migalhas” de um amor condicionado pelo estado do tempo ou dado a conta gotas, precisa compreender porque se contenta, porque não acredita existir algo mais para além do que lhe dizem existir.

Precisa olhar para dentro e dizer ao seu coração, olhos nos olhos (porque o coração também tem olhos e vê o que faz consigo!)), que o Amor é muito mais do que meia dúzia de palavras ditas da boca para fora com efeitos analgésicos, porque quando o efeito passa, fica a dor, a solidão e a zanga, com o outro, mas especialmente consigo próprio por não ter tido a coragem de dizer: “Quero, Preciso e Mereço tanto mais!”

Mas, não se esqueça: apenas o poderá dizer, se o conseguir dar também!

Dar Amor, não apenas em forma de palavras, mas em forma de comportamentos, gestos, atitudes, expressões…de ternura, de carinho, de apreço, de admiração, de aceitação da imperfeição, dos erros, das “manias”, das “birras”, indisposições e irritações… abrindo mais vezes os braços, mostrando no mapa do amor o caminho para o seu colo, estando atento ao que é mesmo importante para o outro, aos seus desejos e sonhos mais queridos, cedendo, perdoando, pedindo desculpa, valorizando e elogiando…

Dando o seu tempo de vida ao outro, o seu interesse, a sua atenção, a sua energia, o seu afeto, o seu sorriso, a sua mão, apertando-o entre os seus braços, fazendo-o ouvir o seu coração.

Construindo os dois uma ponte entre os vossos corações, onde os dois caminham lado a lado, sem competições, sem desejo de ganhar ou demonstrar que é melhor, mais esperto, mais inteligente, mais bonito, mais sexy, mais rico, mais assediado, mais popular ou tem mais sucesso, porque no verdadeiro Amor nada disto interessa, tudo isso é NADA, porque o outro já é “Mais” sem ter nada disto.

Os “amo-tes”, “quero-tes”, “gostos de ti”, “só penso em ti” são importantes sim, mas adormecer e acordar com carinhos e muita ternura, abraços e beijos de surpresa, mensagens “só para dizer que tenho saudades…” fazer mil e uma coisas divertidas juntos, escolher namorar, pequenos almoços ou jantares preparados de surpresa, não acordar o outro quando sabe que está cansado, ir buscar uma camisola quando o outro tem frio, fazer um chá quando está constipado, não insistir para falar quando o outro já disse que não quer falar, respeitar o tempo e espaço do companheiro, saídas e presentes surpresa, conversar sobre a sua história de Amor e o que os une, partilhar tarefas domésticas, reconhecer o que o outro faz por si, fixar-se nas interações positivas e nas características que mais admira, lançarem-se desafios enquanto casal, falarem sobre o vosso projeto de vida a dois, redefinir as suas prioridades colocando o outro e a relação em primeiro lugar, viagens e fins de semana relâmpago, passeios de mãos dadas, silêncios e sorrisos cúmplices, partilha de experiências e histórias de vida, terem intimidade emocional e sexual, saber colocar-se no lugar do outro, estar, escutar, apoiar e ajudar, fazer o que o outro gosta menos de fazer, compreender e tentar aceitar o outro como é, não como gostaria que fosse, não criticar por criticar, respeitar, tolerar e estimular quem se ama a crescer enquanto pessoa…. isso sim é revelador de profundo respeito pelo outro e de um grande Amor.

E isto não acontece noutros planetas. Acontece neste quando os dois querem.

Para que a música continue a tocar e os dois continuem a dançar, é preciso que escolham as músicas e elas devem ser sempre diferentes. Que as escolham os dois e que as dançam os dois, ora um pouco mais afastados, ora um pouco mais junto, ora rodopiando, ora se juntando de novo, em permanente criação, perspetivando a vossa imaginação e criatividade como vossa aliada.

Que cada um tente acompanhar o outro, no ritmo, nos passos, olhando para si, para o outro, para os dois, e novamente para si, depois para o outro, depois para o dois…

E quando um, ou mesmo os dois, por qualquer razão, se sentirem cansados, expressem-no. Não se calem! As palavras, as conversas, aqui sim, são essenciais.

O problema não está em parar de dançar, o problema está em deixarem de colocar e ouvir as músicas escolhidas pelos dois.

Porque uma relação de Amor não tem uma música… tem Muitas Músicas!

Não é um CD, é uma coletânea de CDS que se vão escolhendo a dois ao longo de toda uma vida!

Uma relação de Amor também vive de palavras, sim, mas é a Atitude que prova a existência e a veracidade desse Amor!

Boas Festas e um Ano de 2018 com Muito de Amor!

www.margaridavieitez.com

Margarida Vieitez

Margarida Vieitez

RELAÇÕES

Margarida Vieitez é especialista em mediação familiar, de conflitos e aconselhamento conjugal, e dedica-se há mais de 20 anos ao estudo e acompanhamento de conflitos de diversa ordem, nomeadamente, familiares, conjugais e divórcio. Detentora de seis pós graduações, entre as quais, em Mediação Familiar pela Universidade de Sevilha, em Mediação de Conflitos e, em Saúde Mental, ministrou vários cursos de Mediação Familiar no Instituto de Psicologia Aplicada, estando frequentemente presente em conferências e seminários. Autora de vários livros, dentro os quais, "O melhor da vida começa aos 40", "Sos Manipuladores" e "Pessoas que nos fazem Felizes" .