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6 dicas para sobreviver ao “Eles crescem tão depressa…”

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O tempo não pára e é inevitável sentir isso a todo o momento. Mas quando se é mãe/pai parece que ele acelera ainda mais e, quando se olha para trás, a frase que mais vem à cabeça é sempre “eles crescem tão depressa”…

É bom ver as crianças a crescer, porque isso significa saúde para elas e para quem as pode acompanhar. No entanto, há sempre duas formas de encarar essa situação: 1) com alegria por poder usufruir de todas as etapas ou 2) com tristeza e “saudade” (que palavra tão portuguesa…) por ver tudo a mudar tão rápido.

É óbvio que é muito mais agradável e desejável a primeira opção. No entanto, há pais que têm dificuldade em conseguir interpretar assim o crescimento dos filhos. Foi por esse motivo que decidi deixar alguns conselhos, para tentar ajudar a aproveitar ao máximo todos os momentos da maternidade/paternidade:

1 – Passe tempo com os seus filhos

Nem sempre é fácil encontrar tempo na correria do dia-a-dia, mas isso é uma necessidade de todos os filhos e um dever de todos os pais. Mesmo que seja difícil, tem que haver sempre momentos de pais e filhos, nem que isso implique reorganizar algumas das actividades domésticas. As crianças precisam da companhia dos pais, pois só assim se desenvolvem em segurança. Não há substituição possível para esses espaços de partilha, por mais bens materiais que elas tenham ou possam vir a ter.

2 – Dê qualidade ao seu tempo

Como nem sempre é fácil encontrar muito tempo, uma preocupação fundamental é dar qualidade aos momentos entre pais e filhos. Claro que a qualidade não substitui inteiramente a quantidade, mas é um aspecto muito importante. Quando estiver com os seus filhos, desligue tudo o que seja desnecessário, incluindo televisões, telemóveis, computadores, tablets e afins. Esteja genuinamente disponível, pois isso faz toda a diferença!

3 – Ajude-os a desenvolver a sua autonomia

É óptimo sentir que as crianças se vão desenvolvendo e adquirindo cada vez mais capacidades. Um dos aspectos centrais desse desenvolvimento é tornarem-se progressivamente mais autónomos em cada instante do seu dia-a-dia. Isso significa que estão no rumo certo e é algo que deve ser trabalhado e ajudado desde cedo. Não significa que os pais estão a começar a “perder” os filhos, de todo, mas sim que estão a ajudá-los a ter sucesso no futuro. Deixar uma criança de 18 meses comer sozinha (mesmo que se suje), uma criança de 3 anos fazer de forma independente um trabalho para o Dia da Mãe (mesmo que sejam apenas uns “riscos”) ou uma de 6 anos pagar o pão na padaria (com supervisão, como é lógico) são apenas alguns dos inúmeros exemplos que ajudam os seus filhos a crescer.

4 – Acompanhe-os no que eles mais gostam

O primeiro conselho a dar é que as actividades das crianças devem ser algo que lhes dê prazer e não uma imposição dos pais. Posto isto, convém tentar perceber o que é que eles gostam verdadeiramente de fazer. Envolva-se nesse desenvolver dos seus gostos e tente estar presente nos momentos importantes para eles, sejam treinos, audições, jogos ou campeonatos. Mesmo que não goste muito da actividade em causa, deve tentar aprender a gostar, pois se é algo que faz os seus filhos felizes vai ajudá-los a crescer com confiança. E não há nada que pague o sorriso sincero no rosto de uma criança!

5 – Não lhes peça para se envolver nos seus problemas

Esta é uma tendência natural de muitas pessoas, particularmente quando as crianças começam a crescer. No entanto, é importantíssimo perceber que os problemas dos adultos são, por definição, mesmo dos adultos. Todas as pessoas têm momentos menos bons nas suas vidas, mas as crianças não precisam de viver isso como se fosse com eles, a não ser que sejam realmente. Acho que faz sentido mostrar aos seus filhos se estiver triste ou zangada/o, mas não precisa de partilhar tudo com eles. Eles são filhos e não irmãos, pais ou melhores amigos. E é assim que deve ser…

6 – Partilhe com eles as memórias e revisitem-nas de vez em quando

Todas as crianças gostam de ouvir histórias do que faziam quando eram mais pequenas. Conte-lhes alguns episódios mais divertidos ou marcantes de vez em quando e não se preocupe se já os tiver contado antes. Geralmente são momentos divertidos de partilha, que ajudam a perceber que melhor do que ver os filhos crescer é sentir genuinamente isso e acompanhá-los nesse processo.

Estes são apenas alguns pontos de reflexão. Muito mais haveria por dizer, mas o objectivo deste texto não é ser exaustivo. É apenas colocar as pessoas a pensar de que forma podem tirar o melhor partido de todas as etapas da vida dos seus filhos.

E se o seu filho cresce enquanto filho significa que também está a crescer enquanto mãe/pai, o que significa que está a fazer “um bom trabalho”. Desfrute!

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"