Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Pneumonia: Sabe o que é?

Bolsa de Especialistas

Hugo Rodrigues

O termo pneumonia assusta sempre os pais mas, apesar disso, é um diagnóstico relativamente comum em Pediatria. Por esse motivo, importa perceber o que é e o que fazer nessas situações.

A pneumonia é, por definição, uma infecção respiratória que atinge os pulmões. Tal como para a maior parte das doenças infecciosas, pode ser causado por vírus ou bactérias e, por esse motivo, o tratamento é o prognóstico são também variáveis. Apesar de existir alguma confusão, é uma situação diferente da tuberculose, que é causada por microorganismo específico e dá um quadro clínico muito particular.

Quais são os sintomas?

A maioria dos casos de pneumonia manifestam-se com febre e tosse, que são sintomas pouco específicos e comuns a inúmeras doenças, geralmente sem grande gravidade. Ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, a tosse na pneumonia não costuma ser muito exuberante. Isto porque nos pulmões não existem muitos receptores para a tosse. Eles existem em maior número nas vias aéreas mais superiores e à entrada dos brônquios, pelo que nas infecções desses locais a tosse é muito mais significativa.

Outros sintomas que podem surgir são a falta de ar (principalmente se for uma criança mais pequena ou uma situação mais grave), a dor no peito (que agrava com a expiração e tosse e que significa que foi atingida a periferia do pulmão) e o mau estado geral da criança (mais frequente nas pneumonias mais graves, provocadas por bactérias).

Como se diagnostica?

O diagnóstico implica sempre uma observação médica. Através da análise dos sintomas e da observação da criança (particularmente a auscultação dos pulmões), é possível chegar a esse diagnóstico, embora na maior parte das vezes ajude também fazer uma radiografia pulmonar. No entanto, é fundamental reforçar a ideia de que todas as radiografias são uma fonte de radiação para a criança, pelo que devem ser realizadas apenas quando absolutamente necessário.

Como se trata?

O tratamento depende essencialmente da causa. Apesar de nem sempre ser muito fácil a distinção, deve-se tentar perceber se se trata de uma pneumonia provocada por vírus ou bactérias, pois o tratamento é completamente diferente:

- Vírus - Não exige nenhum tratamento em particular, a não ser para ajudar a aliviar os sintomas (antipiréticos quando há febre, por exemplo). Os antibióticos não estão indicados, pois servem apenas para matar bactérias e não têm nenhum tipo de utilidade nas infecções víricas.

- Bactérias - Implica sempre a administração de um antibiótico. Na maior parte das vezes pode ser dado por via oral, em casa, mas nos casos mais graves (ou quando a criança tem vómitos) pode ser necessário administrá-lo directamente na veia.

Uma das principais dúvidas que os pais têm é saber quando é que as crianças podem regressar à escola e à sua vida “normal”. O principal conselho relativamente a esse assunto é mesmo deixá-las regressar à vida habitual a partir do momento em que estão sem febre há mais de 24 horas. Nesses casos o risco de contágio já não existe e, se a criança estiver com um bom estado geral e sem sintomas significativos, não precisa de nenhum cuidado em particular, exceto cumprir o tratamento antibiótico até ao fim, conforme indicação médica. Importa esclarecer, no entanto, que a tosse pode persistir durante 2-3 semanas após a cura, pois serve como um mecanismo de limpeza das vias respiratórias.

Quais são as consequências para a criança?

Na maioria dos casos a pneumonia cura-se completamente, sem nenhum tipo de sequelas. Claro que há algumas excepções, mas a regra é mesmo não haver complicações. As crianças podem e devem continuar com a sua vida “normal” e não ficam com nenhum risco aumentado de fazer novas pneumonias ou com algum tipo de fragilidade pulmonar.

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"