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Carla Isidoro

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TENDÊNCIAS DE CONSUMO

Conforto. Estará uma nova tendência a nascer?

Enquanto alguns consumidores são influenciados nas suas escolhas por blogueres e influenciadores, outros fazem escolhas e seleções de acordo com critérios pessoais alicerçados em conhecimento e exigência. Contra a massificação, será o conforto uma nova tendência?

Vivemos um período de grande segmentação de serviços e produtos com a oferta massificada. Se pensarmos em produtos ou serviços que usamos e conhecemos, facilmente encontramos uma panóplia de concorrentes com qualidade igual ou similar, sejam eles sapatos de desporto, computadores, joias, hotéis, e por aí diante. Escolher entre muitos é relativamente fácil e rápido quando procuramos bens ou serviços comuns. Mas quando queremos incrementar a nossa seleção adquirindo bens fora do mainstream que nos encham as medidas, nem sempre é fácil chegarmos ao produto certo.

Recentemente tomei conhecimento de um negócio que abriu no Reino Unido e que me pareceu bem alinhado com as elevadas exigências de clientes urbanos que procuram serviços à medida. Este negócio reúne, num único espaço, zona para prática de desporto, zona de alimentação independente onde se pode tomar o pequeno almoço antes de seguir para o trabalho ou almoçar comida saudável pensada ao mínimo detalhe, e zona de terapias para o corpo e mente. Não se trata de um ginásio ou spa com serviços adicionais. É um conceito novo desenhado para o cidadão contemporâneo que vive atolado em publicidade e oferta de serviços, bens, produtos e mercadorias, e que, exausto do ruído informativo e da massificação, procura encontrar num único lugar respostas de elevado nível para necessidades que considera elementares para o seu bem estar diário: saúde da mente e do corpo, desporto, descanso e alimentação. Ao ver o vídeo sobre o espaço a única palavra que me passava pela cabeça era conforto. O lugar transpirava atenção, seletividade e conforto. Acredito que esta seja uma das prioridades de quem procura este lugar: encontrar conforto e um serviço seletivo.

Dias depois participei num webinar de uma agência de análise de tendências acerca das preferências dos consumidores relativamente aos grandes retalhistas, e de novo a palavra conforto surgiu. A Amazon e a Kohl’s são, de longe, as marcas mais referenciadas relativamente a buzz positivo e aquelas que lideram no brand afinitty. E quanto à preferência, a Kohl’s é a favorita. Porquê? Os consumidores consideram que esta rede americana de lojas de roupa é jovem, fresca, energética e… confortável. Já quando foi analisada a satisfação do consumidor ao fazer compras dentro de lojas, a marca vencedora foi a Chicco. Os clientes elogiam, entre outras coisas, a gentileza do atendimento e o conhecimento dos vendedores, e a grande maioria definiu os produtos como confortáveis.

Contra uma corrente de excesso de produto e informação, acredito que o consumidor exigente irá cada vez mais procurar serviços e produtos fora do mainstream que o coloquem num ambiente selecionado de paz e bem estar. Serviços que apresentem respostas adequadas e complementares, pensadas com curadoria, parecem-me inevitáveis de acontecer. A favor de um futuro de tranquilidade e bem estar, poderá o conforto surgir como tendência?

Carla Isidoro

Carla Isidoro

TENDÊNCIAS DE CONSUMO

Comecei a trabalhar em 1995 na revista do jornal A Bola enquanto tirava a licenciatura. Tive um ótimo editor que me pôs a entrevistar figuras de destaque da cultura portuguesa e a escrever sobre assuntos diversos, e esta experiência foi de extrema importância porque me deu confiança para escrever sobre (quase) qualquer coisa. Colaborei para diferentes media sobre viagens, música, cultura contemporânea, culturas africanas, comportamento, tendências de consumo, etc. Hoje sou gestora de comunicação independente para negócios, marcas e projetos artísticos. Defendo a importância de uma boa história na comunicação de qualquer marca e de conteúdos alinhados com os valores da cultura onde ela se insere. O antropólogo Igor Kopytoff diz que os objetos têm histórias de vida apesar de serem coisas. E eu concordo com ele. Se as histórias alimentaram o nosso imaginário em criança, na vida adulta elas continuam a inspirar-nos, a tocar-nos e a dinamizar o mercado. Quem não gosta delas? Sou licenciada em Ciências da Comunicação e pós graduada em Antropologia na vertente Cultura Material e Consumo.