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O seu trabalho faz-lhe sentido?

Vai trabalhar com vontade e energia? Sente-se inspirado pelos seus colegas? Sente que o que faz tem um propósito? Esse propósito realiza-o(a)?

Estas são algumas das perguntas que muitos profissionais devem responder. As respostas podem levar à total afirmação, e realização da sua vida profissional, mas também podem levar a um sentimento de frustração.

A atitude dos diferentes profissionais evoluiu – os trabalhadores não querem apenas um emprego e, se assim for, muito provavelmente, vão sair após um curto espaço de tempo. Têm de se sentir conectados à empresa, aos seus líderes ou a um propósito comum. Vários estudos já colocaram de parte que esta atitude seja exclusiva da geração millennial. Todas as gerações procuram este significado de crescer profissionalmente, mas com um propósito maior do que os próprios, só assim poderão sentir-se realizados e felizes.

Quando foi a última vez que sentiu ter feito a diferença? Quando é que sentiu que fazia parte de alguma coisa maior do que você mesmo?

Já pensou nisto? Não é pelo facto de estar “super-atarefado” que isso significa que gosta do que faz, que isso lhe faz sentido e, que se sinta realizado.

Muitas pessoas não falam no seu desconforto ou até infelicidade no trabalho por sentirem vergonha. Porquê? Porque aparentemente tudo deveria estar bem, ou seja, são pessoas que têm os chamados “bons empregos”, em “boas empresas”, com bons salários, com uma qualidade de vida acima da média… Por isso é-lhes difícil queixarem-se, e até se justificarem, perante os seus amigos e família que não estão felizes pois aquilo que fazem já não lhe faz sentido… Essas pessoas precisam de um acto de coragem para darem o salto e libertarem-se deste colete social que lhes é vestido, e que quando tudo aparenta estar bem obriga a que se mantenha o status quo.

Algumas destas pessoas lideram outras e essa “fragilidade” ou insegurança não pode ser revelada. Por isso muitos vão aumentando a sua frustração e a consequência é que deixam de ser bons líderes e bons no que fazem.

Tal como as pessoas também as empresas precisam de ter um propósito para existir, caso contrário já não conseguem reter talento. Os millennials aprenderam a lidar, e a desvalorizar, o compromisso (por vezes exagerado), que a geração anterior tinha para com os seus empregadores. Esta nova geração viu os seus pais serem despedidos, depois de terem trabalhado afincadamente durante décadas, numa mesma empresa, pela qual foram capazes de enormes sacrifícios, nomeadamente familiares. Contudo, quando essa empresa teve um momento de maior dificuldade, ou menor lucro, não teve esse mesmo compromisso e lealdade para com os trabalhadores. Assim, hoje esperam que as organizações lhes proporcionem carreiras rápidas, com a possibilidade de criarem impacto, mas sempre explicando qual o objectivo maior a que todos se propõem.

Como encontrar o seu propósito

Há profissões que, por inerência, têm um propósito maior do que a própria pessoa que as desempenha: médicos, investigadores que procuram a cura de doenças, assistentes sociais que procuram melhorar a vida de outros, educadores infantis que educam os filhos de todos nós, professores que são modelos e fonte de inspiração para muitos jovens, músicos que com as suas canções divulgam mensagens de esperança, são só alguns exemplos.

Mas há um purpose em todos os trabalhos, tem de ser você a encontrar o seu. Como? Perguntando o seguinte:

1 - Como é que você faz a diferença? Como é que faz a diferença na vida dos seus clientes e das suas equipas ou colegas?

2- Como é que o faz de forma diferente dos outros, da sua concorrência, dos seus pares?

3 - No seu melhor dia o que adora no seu trabalho?

A verdade é que nem todos os dias vão ser bons. Você vai ter maus dias e maus momentos, e nessa altura não é o salário, ou o bónus, ou outros benefícios que o impedem de “bater com a porta” e sair, o que o retém é o facto de saber que o seu trabalho significa algo para si, que tem impacto na sua vida e na de outros. É assim que se define o seu propósito.

A nível pessoal, responder a estas perguntas ajudará a chegar ao que considera sucesso. Isso também lhe trará segurança, confiança e claro, objectivos a atingir.

Para as empresas que conseguem ter um propósito definido e que contam com líderes que inspiram outros há uma consequência natural e fantástica, que se traduz numa comunidade de clientes que serão embaixadores, e mesmo evangelizadores, da sua marca. Os consumidores cada vez mais compram “porque se faz” e não só “o que se faz”.

Concluindo, o sentimento de pertença social, que quase todos partilham, tal como a necessidade de reconhecimento, enfocam nesta necessidade de criar impacto, de fazer parte de algo maior e de ter um propósito. Só assim as pessoas têm possibilidade de pertencer, contribuir, serem reconhecidas e que tudo isto faça sentido a nível pessoal. As organizações que têm esta base estão no caminho certo para atraírem talento, sendo que no final todas as pessoas devem ser contratadas não só pelo que fazem, mas por acreditarem no que vão fazer e para quem o vão fazer.

* (O autor escreveu este texto com base na ortografia antiga)

Ricardo Gonçalves

Ricardo Gonçalves

EMPREGO

Ricardo Gonçalves é hoje Co-founder da Collectiv, onde ajuda empresas a crescer. Esta mudança recente veio ao encontro do seu espírito empreendedor, e permite-lhe levar para outro nível o conhecimento de pessoas e organizações que acumulou ao longo de quinze anos na área de Executive Search. Esteve na Amrop entre 2001 e 2016, onde cresceu pessoalmente e profissionalmente. Para tal muito contribuíram os vários projectos pelos quais foi responsável, sempre ao nível de recrutamento de top e middle management. Participou ainda num programa de desenvolvimento interno que o levou para Amrop Dinamarca. Experiência esta que foi complementada com o término do MBA (iniciado na Universidade Católica) na Copenhagen Business School.