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Portugal no World Rugby U20 Trophy

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Miguel Portela

Dia 29 de Agosto marcará mais uma página de sonho na vida das nossas Seleções Nacionais. Não sendo decisivo (longe disso) para o futuro do rugby nacional, era muito Importante

Talvez seja distração minha mas a representação portuguesa no World Rugby U20 Trophy tem (injustamente) passado praticamente de forma anónima aos olhos de toda a comunidade desportiva portuguesa, incluindo os amantes do rugby. E digo injustamente porque estamos a falar de uma geração que será das melhores que tem passado pelo rugby português. Não só no aspecto desportivo (onde são fortíssimos e têm alcançado feitos únicos) mas também no aspecto humano.

É, por isso, uma geração que, sob o comando dos Lobos Luis Pissarra (desde o início) e de António Aguilar (no último ano e já com participação na conquista do campeonato europeu), deveria merecer um cuidado especial por parte de todos os que, de uma maneira ou de outra, tem contacto e influência direta na evolução destes jogadores, não só dentro do campo mas também fora dele.

Há alguma iniciativa ou plano no sentido de manter estes jogadores no ativo durante um bom período de tempo? Quero dizer, há planos para proporcionar estudos e trabalhos a estes jogadores de modo a que consigam conciliar os mesmos com a prática da modalidade? Há algum plano ou iniciativa para que se consiga colocar estes jogadores em bons clubes estrangeiros? Há algum estudo feito acerca das razões da qualidade deste Grupo?

Esta é uma geração (a que vem a seguir também é muito boa) que deveria ser capitalizada ao máximo pelos responsáveis do rugby nacional. Porque é um bom exemplo e porque é constituída por pessoas que podem fazer parte da primeira geração que, de uma forma consertada e conjunta, constitua um grupo homogéneo de jogadores que venham a militar em bons clubes estrangeiros.

Porque não preparar o êxodo desses jogadores para, depois de concluídos os estudos universitários, embarcarem numa experiência de 3,6, 9 anos no estrangeiro? Dentro de 5 a 7 anos teríamos uma seleção fortíssima e, com pouco esforço de recursos financeiros internos… Pensem nisso.

Mas isso é futuro… tratemos então do presente. E esse presente passa pela participação no WRT U20.

Defrontamos Uruguai, Figi e Hong Kong…

Vitória exigida contra HK e vitórias possíveis contra os dois primeiros. Muito difíceis mas possíveis…. E este grupo já nos habitou a acreditarmos na superação dos desafios difíceis.

Com uma preparação que do ponto de vista desportivo fica aquém daquilo que vem nos livros (vamos sem ter jogado nenhum jogo de treino contra um outro país), do ponto de vista de preparação de espírito julgo que, sob a pauta de Luis Pissarra, este grupo terá tido a melhor preparação de sempre!

Sem ajuda de ninguém organizaram treinos, estágios, etc… Basta falar com cada um dos membros do grupo e nota-se como vão fortes do ponto de vista do espírito. Talento não lhes falta… Garra e raça também não.

Uruguai será, dia 29 de Agosto terça-feira, o primeiro teste. Se ultrapassarmos esse desafio (o desgaste físico vai ser enorme, a pressão psicológica também) todo um país irá ficar a sonhar com mais um feito inédito. Já fomos muito felizes no Uruguai, lugar onde alcançámos o primeiro e único apuramento para um Mundial...

Dia 29 de Agosto marcará mais uma página de sonho na vida das nossas Seleções Nacionais. Não sendo decisivo (longe disso) para o futuro do rugby nacional, era muito Importante.

Estamos com vocês Rapazes! Boa sorte!!!!!!

Miguel Portela

Miguel Portela

RUGBY

Advogado e ex-jogador de rugby. Foi 63 vezes Internacional da Selecção de XV, Lobo no Mundial 2007, participou em dois mundiais de 7s e sagrou-se nove vezes campeão nacional ao serviço do Grupo Desportivo Direito. Casado, pai de 4 filhos, diretor da Formação do GDD e treinador da escalões juvenis do GDD.