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As 25 maiores mentiras de todos os tempos sobre o Amor

D.R.

Mentiras e mais mentiras que o podem fazer acreditar que o Amor é o que na verdade nunca foi, não é, nem nunca será!

A minha outra metade anda por ai

Mentira. Você é uma pessoa inteira e não precisa de andar à procura de metades de si que a façam sentir completa.

Escolha amar pessoas inteiras que estimulem o seu crescimento emocional e pessoal, que se interessem por si e o “seduzam” a ver a vida sob diferentes perspetivas. Não espere que sejam elas a trazer-lhe a sua felicidade numa bandeja, pois ela pode ser de cristal. Encontre a sua forma de se fazer feliz, dê-a a conhecer, e sinta se a pessoa que escolheu se sente feliz ao vê-la fazer-se feliz.

Foi Amor à primeira vista!

Mentira. Foi atração à primeira vista. O Amor é uma construção feita com vontade, persistência, aceitação e perdão. Nasce da admiração e nutre-se de valorização reciproca, confiança, cumplicidade, partilha, intimidade emocional e sexual, e profundo afeto.

Se depois de um primeiro encontro não me liga, é porque não é Amor.

Mentira. Esta afirmação é vulgarmente feita pelo sexo feminino. Mesmo apesar de um primeiro encontro fantástico para os dois, o facto de ele não ligar no dia a seguir, ou vários dias depois, não significa que ele não esteja interessado. É muito cedo para saber se é ou não Amor. O Amor envolve conhecer e descobrir o outro. Dê tempo ao tempo. As razões porque ele não a contacta podem nada ter a ver consigo ou com o encontro, mas estar relacionadas apenas com ele e com a vida dele. E se passar tempo demais… siga a sua vida!

Está conquistado, agora é meu!

Mentira. Embora infelizmente exista uma tendência acentuada na sociedade em que vivemos a comparar as relações a bens de consumo, conquistar alguém que amamos é um processo que dura toda uma vida.

Não somos de ninguém. As pessoas não são coisas. Estamos na vida de alguém porque queremos estar e essa pessoa está na nossa vida porque queremos que esteja. Para que o sintam a cada instante é preciso ambos terem consciência da sua importância e interessarem-se genuinamente um pelo outro. O Amor nasce do interesse. Não existe amor sem interesse!

Disse que gostava de mim, mas que eu o pressionava quando queria estar com ele.

Mentira. Quem o ama de verdade quer estar ao seu lado e na sua companhia e arranja tempo mesmo onde parece não existir. Não necessariamente vinte e quatro sob vinte e quatro horas por dia. O espaço e tempo individuais são muito importantes.

Eu consigo amar pelos dois…

Mentira. A letra da canção é linda… ganhou o festival da canção, mas ninguém pode amar pelos dois. Uma relação de amor saudável implica que os dois se amem e não que um ame pelos dois. O Amor que não sentimos, ou que o outro não sente não pode ser substituído. O Amor não se troca. Ou existe ou não existe. E se não existe, o melhor é aceitar e seguir em frente

Palavras como “destino”, “vida”, Karma”, são meras desculpas. Por detrás, podem estar medo, receio, culpa e o sentimento de não merecer ser amado e feliz.

Diz que é Amor o que sente, mas critica-me a toda a hora, culpa-me e ri-se de mim.

Mentira. Isto não é Amor nem aqui nem em lugar nenhum do Mundo. Existem pessoas que tem visões distorcidas do que é o Amor e essa estranha forma de amar os outros. São pessoas incapazes de amar a começar por eles próprios, pois talvez nunca ninguém lhes tenha ensinado a Amar.

Se me ama, faz o que eu quero!

Mentira. Quem faz tudo o que você quer é seu escravo não o seu Amor. Amar alguém não é escravidão, é estar atento aos desejos, necessidades e ao que é importante para essa pessoa, sem sacrificar os seus próprios interesses, sonhos, projetos e sem deixar de existir. E quando o implica, deixou de ser Amor para passar a ser sacrifício, tortura, anulação e solidão.

Amar é fazer tudo juntinhos.

Mentira! Nada disso! Isso é colar-se ao outro e não ter vida própria. Amar é fazer muitas coisas sozinho, com amigos, com a família, com conhecidos, com colegas… e também juntinhos, especialmente aquelas que dão mais prazer aos dois. Já tinha uma vida antes de o/a conhecer, certo?

Se há discussões, não é Amor.

Mentira! Se há discussões é porque os dois estão a tentar encontrar-se a meio do caminho. Pode até acontecer estar a ser difícil, demorar algum tempo, mas pior do que ter discussões é não discutir. A indiferença e o “meter para dentro” conduz á depressão e somatização. Discussões a mais são sinal de “minas” na relação. Há que as descobrir e desativá-las. Se não o conseguirem fazer sozinhos peçam ajuda.

Tem uns ciúmes loucos… é porque é doido por mim!

Mentira. Se tem ciúmes doentios é porque precisa de ajuda.

Os ciúmes obsessivos não são o termómetro do Amor. Revelam insegurança, baixa autoestima e podem ser um sinal de um transtorno obsessivo. Quando revestem agressividade verbal, emocional, e/ou física há que procurar ajuda.

É possível Amar sem confiar.

Mentira. Não existe Amor sem confiança. Se não confia, não vai conseguir entregar-se e viver o Amor por inteiro. Não vai conseguir abrir o seu coração, ser frágil e vulnerável e dar a conhecer-se ao outro. Nem vai conseguir amar pela metade, porque isso também é uma mentira. Não vai amar, nem sentir-se amado. Entre viver um “é, não é” mais vale tentar perceber porque é que não consegue confiar, ou porque é que o seu companheiro não consegue confiar em si.

Diferenças e Amor são incompatíveis.

Mentira. Não são. Para amar e sentir-se amado o seu companheiro não tem que ser seu clone. Aliás, nem deve, sob pena de poder causar enjoou. Algumas diferenças são até desejáveis, para que os dois. aprendam a respeitar essa mesma diferença, e esse respeito recíproco, esse sim, é revelador de verdadeiro amor.

No entanto quando as diferenças são consideráveis, nomeadamente ao nível dos princípios, valores, modelos de relação e projetos de vida, elas podem dificultar o encontro e a relação.

Se me pressiona para ter sexo é porque me ama.

Mentira. está espantado? Sim, em pleno século vinte e um ainda há quem interprete pressões sexuais e assédio sexual como sinal de grande amor. Desengane-se. É exatamente o contrário. Quem o pressiona para ter intimidade sexual possivelmente não o ama, e acima de tudo, não respeita a sua vontade, nem o respeita enquanto mulher/homem.

Ceder a este tipo de pressões sexuais pode significar que anda a gostar muito pouco de si e a querer demais que os outros gostem de si.

Se me traiu nunca me amou!

Mentira. No que respeita às muitas relações de longa duração que acompanhei, o Amor e a luta pela sobrevivência da relação esteve presente. Acontece que os sinais de alerta dados não foram interpretados pelo outro como sérios, mas como “o mesmo de sempre”.

Muitas vezes, a falta de coragem para conversar, expor emoções, dizer o que se quer e o que não se quer mais, o que se espera do outro e o que se está disposto a dar, faz com que se vá arrastando o que nunca se devia arrastar, com que a desesperança, a solidão e a carência dominem e acabem por procurar e encontrar num outro tudo aquilo que mais desejam viver. Amaram, mas deixaram de amar, porque já não conseguiam mais amar sozinhos.

O Amor que sentimos vai ser sempre igual.

Mentira. Não, não vai. Todos estamos sujeitos à mudança. As relações e o Amor também. Se for um Amor saudável e se for bem nutrido vai crescer e tornar-se cada vez mais forte, embora possam existir dias em que não o consigam ver e sentir. O Amor por vezes gosta de brincar às escondidas, mas quando é verdadeiro, mesmo quando se esconde, sabemos que ele existe e que vai aparecer de novo.

Amar também é não dizer o que se pensa e sente para evitar que a relação acabe.

Mentira. O Amor requer transparência, verdade, sinceridade e, sobretudo, honestidade, auto-respeito e dignidade. Se deixa de ser quem é, para não magoar e porque tem medo que a relação acabe, em vez de viver uma relação vai viver uma mentira numa prisão.

Uma relação de Amor maduro implica que os dois exprimam as suas emoções e vontade e que o medo “fim da relação” seja confrontado e ultrapassado, sob pena de estar a viver não um Amor mas um equívoco.

Passa horas a falar com outras na net, mas sei que me ama a mim.

Mentira! Alguém que passa horas a conversar com pessoas do sexo oposto nas redes virtuais, quando podia estar a namorar consigo, não o ama, faz o que lhe apetece, sem considerar o que lhe apetece a si. Cabe-lhe a si pensar se quer um companheiro assim e se quer viver uma relação à distancia ou ter uma relação de amor.

Amar é aguentar e sofrer!

Mentira. Se a sua relação o faz sentir que está a aguentar uma montanha às costas e desperta em si vontade de entrar numa nave espacial, dar a volta ao universo e escolher outro planeta para morar, há muito que deixou de ser uma relação de Amor.

O Amor e amar alguém não é, não pode ser, uma tortura, um sacrifício, um esforço. O verdadeiro Amor faz-nos sentir ter vontade de ficar, vontade de dar, vontade de correr de mãos dadas, vontade de cantar e de rir, vontade de abraçar e de partilhar, vontade de dançar…

Ainda que existam momentos, etapas, fases… difíceis a dois, quando existe verdadeiro Amor aguenta-se a dois e sofre-se a dois, não a um!

Ter uma relação é sinónimo de ser amado e feliz

Mentira. Existem milhões de pessoas no mundo que dizem ter uma relação mas que não se sentem nem amadas nem felizes. Em contrapartida existem muitas outras que não têm relação nenhuma, e que se sentem amadas e felizes… ainda que sem companheiro.

Uma relação de Amor, um companheiro empático que o aceite como é, o ame e respeite são a principal fonte de felicidade. A gratidão também o é!

Se ainda não o encontrou, namore consigo e sinta-se muito grato!

Não consigo viver sem ele/ela

Mentira! Filmes, músicas, telenovelas, livros… os responsáveis por este mito, colado nos neurónios de muitas mulheres e homens. Uma coisa é uma relação de amor, outra é uma relação de dependência. Na primeira, sabemos que amamos, mas que não precisamos, na segunda sabemos que dependemos, amando ou não amando. Muitas vezes confundimos amor com dependência. Nada tem a ver um com o outro. Pedir para deixar de ser quem é, culpa, acusações, cobrança, exigências, manipulação, chantagem e ameaças, não são Amor, são dependência.

Não temos vida como casal, não namoramos, não fazemos sexo, mas vou aguentando… quem sabe um dia o Amor volta.

Mentira. Só por milagre acontecerá! Além do amor não voltar, a falta de afeto e de sentido, leva a um cada vez maior afastamento, a revolta e raiva vão reinando, e um dia irá sentir necessidade de castigar e punir essa pessoa por lhe ter “roubado” os melhores anos da sua vida, quando foi você que decidiu permanecer lá… todos esses dias da sua vida…

Não é natural estar numa relação e não namorar, não fazer sexo, não rir e passear, não fazer projetos e sonhar a dois e/ou sentir vontade de fazer tudo isso com outra pessoa.

Se hoje fosse o ultimo dia da sua vida, o que faria? Faça-o!

Para resultar e salvar o Amor, eu preciso de dar mais.

Mentira! Provavelmente precisam é de ter uma boa conversa e esclarecer tudo o que existe para esclarecer.

Não assuma a responsabilidade pelo sucesso da relação sozinho. Uma relação são dois. Sabia que o facto de dar a mais pode gerar um desequilíbrio cónico na relação e potenciar ainda mais o desencontro?

O Amor não precisa de ser salvo, precisa que os dois o cuidem e se cuidem reciprocamente.

O amor acabou e estou apaixonado/a por outra pessoa, mas pela vida que vivemos não consigo acabar a relação.

Mentira. Não consegue acabar a relação por muitas outras razões, entre as quais:

Porque não sabe como irá viver dali para a frente e o desconhecido provoca-lhe ansiedade e angústia e faz com que se sinta inseguro;

Porque não sabe o que a sua família, filhos, amigos e conhecidos vão pensar de si e como vão aceitar a sua decisão;

Porque não quer que o outro pense mal de si;

Porque apesar de ter feito o possível sente culpa e pensa que a falta de amor pode não ser motivo suficiente para acabar uma vida em comum;

Porque sente que falhou;

Porque receia que esse novo amor acabe;

Porque receia ficar sozinho e não encontrar quem o ame.

Porque se castiga por não conseguir amar o seu companheiro

Porque pensa que não merece ser feliz e amar de novo.

Porque ser e sentir de novo lhe parecem coisas erradas demais

Entre muitas outras razões…

Vai ficar a ver em reprise o filme da vida que viveu, ou vai fazer alguma coisa pela vida que está a viver? Que bem essa mentira faz aos dois agora? E no futuro?

A decisão é sua…

Consegue-se viver bem sem Amor.

Mentira. Talvez a maior mentira de sempre!

Precisamos de Amor, como precisamos de respirar!

Precisamos de Amor próprio e do Amor dos outros.

Diferentes amores encaixam em diferentes espaços do nosso coração, como se fossem lâmpadas pequeninas…

Encontre-as, coloque-as no seu coração e veja se acendem…

Se o fazem sentir Amar, voar e brilhar… é Amor!

Corra atrás…

Mas só se correrem consigo!

No meu novo livro “Verdades, Mentiras e Porquês” e em www.margaridavieitez.com poderá encontrar estes e outros temas desenvolvidos com maior profundidade.

Excelentes férias!

Margarida Vieitez

Margarida Vieitez

RELAÇÕES

Margarida Vieitez é especialista em mediação familiar, de conflitos e aconselhamento conjugal, e dedica-se há mais de 20 anos ao estudo e acompanhamento de conflitos de diversa ordem, nomeadamente, familiares, conjugais e divórcio. Detentora de seis pós graduações, entre as quais, em Mediação Familiar pela Universidade de Sevilha, em Mediação de Conflitos e, em Saúde Mental, ministrou vários cursos de Mediação Familiar no Instituto de Psicologia Aplicada, estando frequentemente presente em conferências e seminários. Autora de vários livros, dentro os quais, "O melhor da vida começa aos 40", "Sos Manipuladores" e "Pessoas que nos fazem Felizes" .