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Cristina Amaro

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PUBLICIDADE E MARKETING

Empurrar o problema com a barriga

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Cristina Amaro

Fazer jornalismo agora é diferente do que era quando se escrevia apenas para uma revista ou se fazia uma peça para televisão

Andamos todos distraídos. A fingir que não vemos, a deixar-nos ir na onda ou a ver como será amanhã. Quando paramos mesmo para pensar no que verdadeiramente está a mudar nos media? Mas quando paramos todos? Meios, agências de media, publicidade, branding e comunicação, anunciantes, consumidores de conteúdos, entidades que regulam a comunicação social e jornalistas.

O mundo de hoje já nada tem a ver com o de há 5 anos e muito menos com o de há 10! A tecnologia e o que ela permite, envolve e garante não permite prever e planear o futuro como antigamente. Obriga aliás, a que todos nos reformatemos... Hoje gere-se em cima da imprevisibilidade constante. Adaptação é palavra de ordem. Para todos.

Fazer jornalismo agora é diferente do que era quando se escrevia apenas para uma revista ou se fazia uma peça para televisão. Vender espaço publicitário nada tem a ver com a forma como se fazia na época em que eu própria o fiz ao sair da faculdade. O mesmo acontece com a restante cadeia, onde o consumidor de conteúdos não é exceção. Esta democratização da informação/comunicação deu ao mercado em geral a sensação de que tudo é possível (até desrespeitar os direitos de autor). Pior: que tudo é possível sem pagar nada e sem consequências!

Esta liberalização dos media vai provocar, a muito curto prazo, nesses mesmos media, a insustentabilidade. Ou por motivos financeiros ou por quebra de credibilidade. O que, no fim do dia, nos obriga a pensar.

Estamos todos envolvidos e por isso temos de analisar e compreender tudo o que está à nossa volta. Ou algo muda ou muitos morrem. E depois, teremos órgãos de comunicação social com informação independente ou teremos órgãos de comunicação? E somos todos iguais ou não somos mesmo?

O tema dá que pensar e eu vou levá-lo para férias, garanto. Tal como todos o deveriam fazer. Sejamos profissionais do meio ou simplesmente consumidores de conteúdos. E isso, hoje, somos todos. Somos todos consumidores, tal como somos todos criadores e publishers. Mas são necessárias marcas de referência para que se possa distinguir o que é informação do que é comunicação.

Novos modelos de negócio para sustentar novas formas de se trabalhar e consumir conteúdos são obrigatórias e incontornáveis. Quer queiramos quer não.

O mundo mudou. E todos temos de mudar também. Garantir a sustentabilidade aos media obriga a mudar mentalidades. Obriga a maior rigor e a maior transparência. Obriga a maior verdade e responsabilidade. Obriga a maior bom senso.

Está na hora de colocar estes valores em cima da mesa e de os integrar no novo modelo de negócio. Se queremos continuar a ter jornalistas nas redações, repórteres na rua, informação feita com rigor...há que ter departamentos financeiros com dinheiro em caixa e gente de qualidade na primeira linha.

Mas também há que ter anunciantes conscientes, agências interessadas em manter vivas “as galinhas dos ovos de ouro” e consumidores com vontade de pagar o que consomem. De outra forma continuamos todos a empurrar o problema com a barriga até chegar ao fim do balcão. E aí...aí o prato cai ao chão e a comida que encomendou ao chefe, que lhe estava a criar água na boca e a saber tão bem, custa-lhe mesmo cara!

Os meios são como os pratos do menu do restaurante onde mais gosta de ir nas férias. Ninguém o serve de graça pois não? Então porque motivo os conteúdos terão de o ser? No dia em que já não existirem jornais, nem telejornais, nem rádios, nem televisões, sejam eles meios digitais ou tradicionais, então vamos todos questionar-nos o que andámos nós a fazer nos últimos anos.

O digital traz desafios e enormes possibilidades mas, como tudo na vida, não custa zero! Ah, e já agora uma nota final: não se pode continuar a esquecer o valor do espaço editorial como se tem vindo a esquecer nos últimos anos... Por uma simples razão: é priceless! Que se avalie, então, para quem investe saber exatamente o que se perde quando deixar de existir.

Cristina Amaro

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PUBLICIDADE E MARKETING

Cristina Amaro é licenciada em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social. Tem uma Pós-Graduação em Gestão de Imagem pela Universidade Nova de Lisboa e Complutense de Madrid e uma especialização em Marketing pela Universidade Católica de Lisboa. Começou por trabalhar na área da publicidade e ingressou no jornalismo em 1997 como redatora da revista Exame, tendo sido posteriormente Editora no Semanário Económico e na revista ganhar.net, subeditora de economia do jornal Euronotícias e colaboradora das revistas Ideias & Negócios, Prémio, Única e Marketeer. Em 2003 dedica-se a tempo inteiro à empresa que fundou, hoje I’M in Motion, para criar projetos inspiradores e de informação positiva em televisão. Em janeiro de 2004 estreou o Imagens de Marca – o primeiro magazine de informação sobre comunicação e marketing em Portugal, formato de que é autora, diretora e apresentadora. Um ano após a estreia do Imagens de Marca, a Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing (APPM) distinguiu Cristina Amaro pelo carácter visionário e inovador do projeto, tendo tanto o programa como a sua criadora vindo a arrecadar vários prémios desde então. Líder carismática, envolve e motiva diariamente as suas equipas. É ela própria um caso de sucesso empresarial. Várias vezes questionada sobre o segredo do seu sucesso, a jornalista, diretora editorial e pivot do programa de maior longevidade da SIC Notícias (e um dos mais históricos na TV portuguesa) o Imagens de Marca, continua a assumir como fonte do seu sucesso, os traços originais de humildade, paixão e muita dedicação para com os projetos a que se entrega.