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Portugal tem talento! Estas empresas estão a recrutá-lo

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Saiba que empresas estão a recrutar e porque razão estão a instalar-se e a investir em Portugal

Há uma corrida ao talento nacional! São várias as multinacionais a recrutarem em território nacional ou porque estão a implementar centros de desenvolvimento ou de competências, shared services (centros de serviços partilhados para vários países) ou até porque estão a transferir a sua sede para Portugal. Estas organizações criam, assim, oportunidades de carreira, sobretudo para funções até middle management e têm quase sempre como objectivo recrutar pessoas qualificadas. Muitas conseguem também mobilizar portugueses e levá-los para os seus países de origem ou para outros onde têm operações.

Porque estão empresas a instalar-se e a investir em Portugal

São várias as razões que levam a uma elevada procura pelo nosso talento. A fundamental é a qualidade versus custo. Indubitavelmente, há profissionais portugueses de qualidade em distintas áreas, pagos a um valor inferior ao de outros países europeus (será de realçar que o custo de vida em Portugal também é mais baixo do que em alguns desses países).

Já se começa a sentir que as empresas competem entre si pelos melhores, o que tem levado a uma evolução rápida de alguns salários, sobretudo em áreas tecnológicas. Pelo que o factor diferenciador do custo vs. qualidade não irá prolongar-se por muitos anos. Claro que estas multinacionais sabem isso, então por que é que continuam a vir para cá?

Na proposta de valor que Portugal apresenta há ainda que incluir outros factores, nomeadamente as infraestruturas e outros custos operacionais. Não deverá ser igualmente depreciado alguns apoios e benefícios fiscais que os Governos têm vindo a implementar por forma a atrair investimento estrangeiro. Ao que acresce o trabalho activo da AICEP, que tem despoletado o contacto com várias empresas internacionais.

Existem ainda outras circunstâncias que são tidas em consideração quando se realizam investimentos desta natureza:

- Competência linguística: numa nota da AICEP verifica-se que 85.4% dos estudantes portugueses aprendem2 ou mais línguas (Eurostat 2014: a média europeia situava-se em 59.9%).

- Mais de 500.000 estrangeiros a viver em Portugal, o que aumenta o número de falantes de outras línguas;

- Enorme desenvolvimento do ecossistema de inovação e empreendedorismo (segundo informação do SEP (Startup Europe Partnership). Portugal está a crescer o dobro em comparação com outras capitais europeias, sobretudo alavancado por investimento estrangeiro, o que permite concluir que acreditam no que se está a fazer em Portugal neste âmbito;

- Terceiro País com o melhor índice de não violência (dados do World Economic Forum).

- Variadíssimos prémios na área do Turismo, o País, bem como as suas principais cidades, obtêm variadíssimas vezes a classificação de “melhores locais para visitar”.

Empresas que estão a recrutar

Por todas estas razões são várias as empresas que se instalaram, ou estão a instalar-se, no nosso País. Listam-se, em seguida, vários exemplos:

Vestas – O líder eólico mundial anunciou recentemente que irá investir entre 5 a 10 milhões de euros até 2020 num centro de engenharia no Porto. Serão recrutadas 80 pessoas até final do ano e centenas juntar-se-ão nos próximos anos;

Panalpina – uma das maiores empresas de logística do mundo abriu, em Lisboa, um centro de excelência em TI (tecnologias de informação). Já recrutaram cerca de 50 engenheiros de software altamente qualificados e outros especialistas que vão desenvolver soluções críticas para os clientes desta empresa suíça. Até final do ano vão continuar a contratar até atingirem as 80 pessoas;

Banco Natixis – O banco francês vai instalar um centro de serviços tecnológicos no Porto, em 3 anos contará com 600 pessoas.

Accenture – criou em Braga um centro tecnológico que vai, no imediato, ter 100 pessoas e espera-se que, em 2018, possa duplicar a sua capacidade.

Empresas que estão a aumentar substancialmente o seu headcount:

Teleperformance – está a aumentar em algumas centenas de postos de trabalho, pretendendo chegar às 6500 pessoas. Esta empresa continua a inovar e diversificar o seu abrangente portefólio de serviços (Aquisição de clientes, Atendimento ao Cliente, Suporte Técnico, Serviço de TI e BPO Back-Office);

Fujitsu – lançou no final no ano passado mais um centro de desenvolvimento que necessitará de 300 pessoas, isto depois de em 2008 já ter criado o primeiro em Portugal. Esta multinacional japonesa já tem mais de 1400 pessoas e até final de 2018 deverá ter perto de 1600.

BNP Paribas – o colosso francês já tem mais de 3500 pessoas em Portugal em várias áreas de gestão. Mantém, no entanto, a vontade de aumentar o leque de serviços a partir de Portugal.

Europcar – com o seu centro partilhado para vários países europeus, conta já com mais de 300 pessoas.

Siemens – já com vários centros de serviços partilhados e de competências em Portugal anunciou há uns meses que está a recrutar mais de 150 pessoas, entre engenheiros de software, controllers financeiros e developers.

Outras empresas, embora não haja a intenção de fazer uma lista exaustiva, deverão ser referenciadas, nomeadamente a Vodafone, Concentrix, WebHelp, Microsoft, Armatis, Grupo PSA, Sitel, Manpower, HP; Xerox, Subsea 7, Altran, DAR Engineering, Nokia, Colt, Solvay, Grunenthal, IBM, Yazaki Bosh, Faurecia, La Redoute, Adidas, HB Fuller, Lufthansa, entre outras.

Estas empresas não vêm para Portugal somente pelas condições meteorológicas pela comida ou pelo fado. São multinacionais muito cientes dos passos que dão, são uma referência a nível mundial na sua área e acreditam no talento Português, na capacidade que os portugueses têm para trabalhar em ambientes sofisticados e com elevado grau de exigência.

Esteja atento a estas e outras empresas e pode ter aqui a sua próxima oportunidade de carreira.

* (O autor escreveu este texto com base na ortografia antiga)

Ricardo Gonçalves

Ricardo Gonçalves

EMPREGO

Ricardo Gonçalves é hoje Co-founder da Collectiv, onde ajuda empresas a crescer. Esta mudança recente veio ao encontro do seu espírito empreendedor, e permite-lhe levar para outro nível o conhecimento de pessoas e organizações que acumulou ao longo de quinze anos na área de Executive Search. Esteve na Amrop entre 2001 e 2016, onde cresceu pessoalmente e profissionalmente. Para tal muito contribuíram os vários projectos pelos quais foi responsável, sempre ao nível de recrutamento de top e middle management. Participou ainda num programa de desenvolvimento interno que o levou para Amrop Dinamarca. Experiência esta que foi complementada com o término do MBA (iniciado na Universidade Católica) na Copenhagen Business School.