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Nuno Ribeiro

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De Bezos a Zuckerberg… líderes de uma espécie diferente

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Nuno Ribeiro

Cada um deles tem características individuais, mas se analisarmos as suas biografias há como denominador comum o facto de não serem vencedores prováveis

Warren Buffett (86 anos) e Charlie Munger (93 anos), respetivamente Presidente e Vice-Presidente da Berkshire Hathaway, são dois investidores de referência mundial que se tornaram multimilionários pela escolha criteriosa e visão de longo prazo com que investem em empresas com modelos de negócio tradicionais. Na última reunião com os seus acionistas, humildemente, pediram desculpa por não terem investido nas empresas Google e Amazon. 
Buffett, referindo-se à Google, considerou o seu modelo de negócio de publicidade fascinante, pela forma como conseguiu escalar o seu negócio com custos marginais iguais a zero. Sobre o fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, disse que nunca imaginou que fosse possível uma pessoa, a partir do zero, desenvolver dois negócios (retalho e cloud) e escalá-los à dimensão que hoje está à vista de todos, e conseguir transformar, como nenhum outro gestor na indústria dos Media no mundo, o negócio do The Washington Post (que adquiriu em 2013, através do seu fundo de investimento particular.

Charlie Munger para conseguir justificar este sucesso referiu-se a Jeff Bezos como “uma espécie diferente” de líder e empreendedor.

Já poucos se recordam que, depois do Crash de 2000 que afetou as “dot.com” (como eram chamadas as empresas da nova economia), Jeff Bezos com a Amazon conseguiu resistir a esta crise e afirmar-se mundialmente.

No entanto, ainda muitos analistas não entendem como estas empresas da nova economia estruturam os seus modelos de negócios com um poder magnético que atrai milhares de milhões de consumidores e empresas para as suas plataformas… não é grave, Warren Buffett e Charlie Munger também demoraram alguns anos a perceber, mas são hoje accionistas de referência da Apple.

Para quem quer entender a forma como estas empresas desenvolvem o seu negócio e definem as regras da nova economia, recomendo o estudo GAFAnomics da FABERNOVEL.

Para perceber estas empresas, é importante entender o modelo de negócio, mas é fundamental entender os seus líderes, tarefa que pode ser mais complexa, pois, como referiu Charlie Munger, são de facto “uma espécie diferente” e não podem ser avaliados pelos standards económicos ou psicológicos.

Nesta “espécie diferente”, para além de Jeff Bezos devemos incluir Bill Gates (Microsoft); Steve Jobs (Apple e Pixar); Elon Musk (Tesla, SpaceX, Hyperloop,…); Larry Page e Sergey Brin (Google), Jack Ma (Alibaba) e Mark Zuckerberg (Facebook).


Cada um deles tem características individuais, mas se analisarmos as suas biografias há como denominador comum o facto de não serem vencedores prováveis, aliás estavam mais próximos de serem verdadeiros fracassados. Nem mesmo o início das suas empresas indiciava que conseguiriam viabilizá-las financeiramente e muito menos torná-las empresas globais com produtos e serviços que fazem hoje parte do nosso dia-a-dia. Steve Jobs (que tem maior número de biografias, filmes e documentários e, por isso, o mais conhecido) foi, como é público, um hippie, nos anos 70, e se nessa altura nos dissessem que construiria a maior empresa do mundo (a Apple é hoje a empresa com maior capitalização bolsista), estaríamos dispostos a apostar que isso seria impossível.

O que os torna diferentes é serem vistos por todos como improváveis vencedores, mas, em determinado momento da sua vida, com a determinação e obstinação por quererem transformar a sociedade e deixarem uma marca na História da Humanidade, ultrapassam todos os obstáculos e desafios (económicos, sociais e políticos). Nesta saga mantêm-se fiéis aos seus valores individuais e definem missões e valores para as suas empresas que, independentemente das pressões internas e externas, são inflexíveis (mesmo que isso signifique um mau resultado financeiro para si e para as suas empresas).

Hoje, são idolatrados por muitos e tornaram-se personalidades de referência mundial, não apenas nas indústrias onde operam mas também em termos sociais e, gradualmente, têm vindo a afirmar as suas convicções políticas. Mark Zuckerberg, em particular, tem vindo de forma gradual a fazer apresentações e discursos de cariz, cada vez mais, políticos e parece claro que se prepara para uma candidatura à presidência dos Estados Unidos.

Se não tem acompanhado os discursos e apresentações de Mark Zuckerberg, vale a pena ver e ouvir o discurso do mês passado na Universidade de Harvard.

No início do ano Mark Zuckerberg anunciou no seu perfil de Facebook a sua decisão do ano. Depois de nos anos anteriores ter corrido 365 milhas, lido 25 livros, aprendido mandarim e desenvolvido software de inteligência artificial para sua casa, este ano, a decisão foi visitar, acompanhado pela sua mulher, 30 Estados Americanos com o objetivo de “ligar o mundo e dar voz a todos”… 

Ou seja, os sinais são cada vez mais claros que a corrida à Casa Branca já começou. A confirmar-se, Mark Zuckerberg será o presidente americano mais novo (terá 36 anos em 2020) e podemos esperar inovação e disrupção na política e no modelo de governação. Se vai vencer? Esta “espécie diferente” não tem medo de perder (sempre foram percepcionados como “perdedores naturais”), mas têm por hábito conseguir resultados e performances extraordinários.

Bem-vindo ao mundo dos líderes de uma “espécie diferente”!

Nuno Ribeiro

Nuno Ribeiro

INOVAÇÃO

Country Manager da agência de inovação FABERNOVEL. Licenciado em Economia pela Universidade Católica de Lisboa, onde também concluiu um curso avançado de Gestão de Empresas Tecnológicas e uma pós-graduação em Gestão de Media e Entretenimento. Com mais de 20 anos de experiência profissional em novos media e inovação, dirigiu as unidade Negócio Multimédia do grupo Controlinveste e grupo Cofina Media. Foi consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital entre os anos 1997 a 2002