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Cristina Amaro

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Bolos de aniversário, millennials e capitais da cultura

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Pode questionar-se do porquê deste título ou o que raio têm em comum as 3 referências expressas. Pois eu digo-lhe que têm mais do que imagina e uma única palavra chega para as ligar: experiências

Foi essencialmente do que se falou no Vê Portugal, o 4º Fórum de Turismo Interno organizado pelo Turismo Centro. Numa das apresentações do último dia, Carlos Martins, o homem que deu vida à cidade de Guimarães e a levou a Capital Europeia da Cultura, em 2012, abriu o painel da manhã, com poucas horas de sono, como o próprio confessou, mas com uma apresentação simples e eficaz. Na verdade as conversas pela madrugada fora do dia anterior, com os vários agentes do sector, inspiraram a abordagem que fez no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Eu diria que a falta de descanso não lhe roubou a energia e criatividade para falar da importância das indústrias criativas na gestão de um destino turístico. Um simples power point de fundo branco com conteúdo disruptivo foi suficiente para prender a atenção da assistência. O que tinha escrito? “Bolos de aniversário, turistas millennials e as capitais da cultura – A economia está a mudar”.

A partir daqui foi explicar como têm mudado as economias (da agrária, passando pela industrial e dos serviços até à economia da experiência) usando uma ideia: o valor de um bolo de aniversário. Tão simples quando se pensa quanto pagaria a nossa avó por um bolo que ela produzia com os seus próprios ingredientes, a nossa mãe que já compraria alguns para o fazer em casa, e nós próprios que, seguramente, o iriamos comprar à pastelaria. Poderia ir dos 50 cêntimos aos 25 euros mas, o que é interessante pensar, é que estamos dispostos a pagar 250 euros para associar a esse simples bolo, uma experiência. Não é isso que é uma festa de aniversário? E não é disso que se fala hoje em tudo o que nos rodeia?

Esta ideia pode reproduzir-se em muitas outras situações, atividades e áreas de negócio. Daí que se diga que a criatividade seja o motor da economia. E a nova economia está a virar do avesso os modelos económicos, culturais e políticos tradicionais. Hoje é o conhecimento que conta e são os conteúdos digitais e a partilha que fazem mexer tudo o resto. Já não é só a qualidade do produto.

Vivemos numa economia de experiências e não de serviços, sendo aqui que a indústria do turismo se deve focar. As cidades, por exemplo, procuram diferenciar-se, ser mais atrativas, regenerar os centros urbanos e criar riqueza usando o talento e a criatividade. Os territórios voltam-se para os seus recursos endógenos, para as suas histórias e para a sua energia criativa. E o que tem isto a ver com turismo? Tem tudo porque os turistas de hoje viajam mais, experienciam mais, querem ter mais conhecimento. Diz Carlos Martins que a necessidade humana de viajar se converteu numa atividade tão essencial como a alimentação, a habitação, a saúde ou os transportes. E é isto que liga as 3 referências do título. O que o novo turista quer são experiências.

Aqui surgem as grandes oportunidades para os locais, sejam cidades, territórios ou países. Os millennials querem participar nos eventos para não se sentirem excluídos e para fazer scroll no facebook, twitter ou instagram. Daí que as experiências estejam a ser o foco central das estratégias no sector do turismo. O que as marcas dizem, o que fazem e o que fazem sentir é a percepção que geram ao consumidor. Tal como a festa de aniversário e o bolo, já não basta ter os melhores ingredientes, tenho de ter a melhor experiência associada.

Seja com bolos de aniversário, com visitas a cidades ou territórios ou com qualquer outra área, seja ou não de cariz cultural, o que é certo é que as experiências geram emoções e as emoções levam a criar sentimentos que, por sua vez, nos fazem optar por uma marca em detrimento de outra no momento crítico de decisão de compra. Caso para dizer que não é por acaso que as marcas se tornam parte da nossa vida... quando nos tocam o coração, ficam para sempre. E nem precisam de juntar muito açúcar à receita... são doces pelo que oferecem.

P.S. Falámos pouco das Capitais Europeias da Cultura, e aqui também teríamos de elaborar um outro artigo só para o tema, mas o que importa é que a cidade que nos acolheu neste fórum, Leiria, vai ser candidata em 2027. Com tempo se prepara a festa...

Cristina Amaro

Cristina Amaro

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Cristina Amaro é licenciada em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Comunicação Social. Tem uma Pós-Graduação em Gestão de Imagem pela Universidade Nova de Lisboa e Complutense de Madrid e uma especialização em Marketing pela Universidade Católica de Lisboa. Começou por trabalhar na área da publicidade e ingressou no jornalismo em 1997 como redatora da revista Exame, tendo sido posteriormente Editora no Semanário Económico e na revista ganhar.net, subeditora de economia do jornal Euronotícias e colaboradora das revistas Ideias & Negócios, Prémio, Única e Marketeer. Em 2003 dedica-se a tempo inteiro à empresa que fundou, hoje I’M in Motion, para criar projetos inspiradores e de informação positiva em televisão. Em janeiro de 2004 estreou o Imagens de Marca – o primeiro magazine de informação sobre comunicação e marketing em Portugal, formato de que é autora, diretora e apresentadora. Um ano após a estreia do Imagens de Marca, a Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing (APPM) distinguiu Cristina Amaro pelo carácter visionário e inovador do projeto, tendo tanto o programa como a sua criadora vindo a arrecadar vários prémios desde então. Líder carismática, envolve e motiva diariamente as suas equipas. É ela própria um caso de sucesso empresarial. Várias vezes questionada sobre o segredo do seu sucesso, a jornalista, diretora editorial e pivot do programa de maior longevidade da SIC Notícias (e um dos mais históricos na TV portuguesa) o Imagens de Marca, continua a assumir como fonte do seu sucesso, os traços originais de humildade, paixão e muita dedicação para com os projetos a que se entrega.