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Falhámos o regresso às 6 Nações B…. Um final inevitável?

Ao perder com a Bélgica, Portugal falhou o grande e único objetivo aa que se propunha na presente época desportiva

Portugal, ao perder com a Bélgica no passado dia 20 de Maio, falhou o grande e único objetivo ao qual se propunha na presente época desportiva (ganhar a divisão onde venceu os jogos todos era uma evidência, ao alcance dos 4 ou 5 melhores clubes nacionais, tal é a diferença e qualidade de rugby).

Era inevitável este desfecho? Está o rugby Nacional tantos furos abaixo da Bélgica, o último classificado das 6 Nações B? Será que são necessárias alterações estruturais no nosso rugby para que, um dia, possamos sonhar com esse regresso? É possível, a curto prazo, esse regresso?

Foi com o maior desalento que acompanhei o jogo que me traz a este artigo… Um desalento que começou bem antes do jogo, tal a forma como o jogo foi preparado.

Uma semana depois de uma disputadíssima e magnífica Final do Campeonato Nacional; com o afastamento de uma pessoa que (conforme já tinha escrito nestes artigos) estava a ser preponderante no regresso do espírito do Lobo (falo naturalmente de David Penalva); com a incapacidade de envolver a maior parte dos jogadores que alinham no campeonato francês; etc…

É incompreensível como, sabendo-se há muito a data e importância deste jogo, não houve a capacidade para que a Seleção trabalhasse na preparação do jogo com, pelo menos, 2 semanas de antecedência.

Como é que não se pensou (ou se pensou não se teve a competência e capacidade) de alterar as datas das Finais e meias-finais do campeonato nacional, jogos em que estariam envolvidos os melhores jogadores nacionais (e consequentemente aqueles que provavelmente iriam representar a seleção no importante jogo)? Além do Selecionador Martim Aguiar só poder dispor de todos os jogadores na própria semana do jogo, muitos deles apareceram cansados e “tocados” dos jogos realizados.

Parece inacreditável mas a verdade é que foi assim que foi preparado o jogo. Do outro lado, o da Bélgica, ocorreu precisamente o contrário…

E como foi possível deixar de fora deste jogo David Penalva?

David (a par de Martim Aguiar) estava a ser uma lufada de ar fresco no modo como os trabalhos da seleção tinham sido executados nos últimos anos. Os jogadores acreditavam nele, na sua garra, na sua genuinidade, na sua forma frontal de ser… Na forma como David acredita na potencialidade do nosso rugby.

Obviamente que algo se passou entre a FPR e David… E sem querer discutir razões, a verdade é que nenhuma razão justificaria o afastamento (?) ou a incapacidade (?) de manter David junto dos Lobos.

E como é possível, ao fim de uma época desportiva, com viagens a França e conversações com Clubes franceses e os nossos jogadores que ali alinham, não se ter assegurado que, no jogo contra a Bélgica, poderíamos contar com todos?

Incompetência, falta de vontade ou decisão desportiva não justificam este facto!

E estas perguntas até poderiam nada ter a ver com a razão da nossa derrota… Mas não, a razão da nossa derrota parece estar precisamente neste 3 pontos.

Não tenho dúvidas nenhumas que temos nível para superar a Bélgica (país que nos sub20 para baixo não tem hipóteses contra Portugal).

Não tenho dúvidas que os nossos Clubes (a estrutura do nosso rugby) estão ao nível dos Clubes espanhóis, romenos, russos e belgas.

Apesar do nosso rugby apresentar um cariz muito mais amador (apenas e só no sentido dos jogadores não receberem para jogar), objetivamente, os nossos melhores clubes batem-se de igual para igual com os Clubes dos referidos países. As finais da Taça Ibérica são a prova provada disto…

A estrutura no nosso rugby não será a causa do insucesso.

E também não tenho dúvidas que, a curto espaço, podermos regressar às 6 nações B (aliás, na minha opinião, nem sequer se justificou a descida!!).

Mas para isto é fundamental que os erros desta época não se repitam…

É preciso rapidamente mudar-se a linha de discurso (reconheço que, por vezes, inteligente e astuto) no qual se apontam as debilidades naturais (e que sempre existiram. Mesmo na caminhada de 2007) do nosso rugby quanto ao nível interno, nº de jogadores, apoios financeiros, etc…

É que sendo estes factos reais, eles são apenas desafios e obstáculos que temos de superar e que, no final, até têm enriquecido e valorizado os feitos do rugby nacional. Mas sendo obstáculos e desafios, eles não são inultrapassáveis e muitos menos a razão e justificação do insucesso desportivo da nossa Seleção.

A justificação está antes nos pontos que acima referi e que, esses sim, foram a razão da derrota: Jogadores que não aguentaram 80 minutos; um Homem como David a apoiar Martim Aguiar na preparação e gestão daquele jogo; homens como Tadjer; Francisco Fernandes; Spachucks; Julien Bardy; Becos; etc. tec… Homens que teriam minimizado a inferioridade que sentimos no jogo dos avançados.

Há dúvidas? Julgo que não…

Estivemos tão perto…

Miguel Portela

Miguel Portela

RUGBY

Advogado e ex-jogador de rugby. Foi 63 vezes Internacional da Selecção de XV, Lobo no Mundial 2007, participou em dois mundiais de 7s e sagrou-se nove vezes campeão nacional ao serviço do Grupo Desportivo Direito. Casado, pai de 4 filhos, diretor da Formação do GDD e treinador da escalões juvenis do GDD.