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A geração videoárbitro

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José Taira

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A acompanhar esta inovação, a arbitragem deveria atuar com um conjunto de normas que premiasse os árbitros que menos recorressem a esta tecnologia

A Federação Portuguesa de Futebol anunciou que, a partir da próxima época, todos os jogos do campeonato vão contar com o sistema de videoárbitro, com o intuito de auxiliar nas decisões cruciais do jogo, tais como a validação de golos, exibição de cartões, expulsões de jogadores e na identificação e análise de infrações disciplinares. O árbitro pode recorrer a esta nova tecnologia e apoio consultando as imagens dos lances, dirigindo-se aos monitores colocados no lado oposto ao banco dos suplentes.

Estando neste momento o futebol português a passar por um período de irritabilidade e agressividade verbal por parte de responsáveis diretivos de muitos clubes, consequência de insucessos nos objetivos das suas equipas, significado disso é a grande alteração das equipas técnicas verificadas em quase todas as equipas da primeira liga, algumas delas mais que uma vez, eis que surge esta inovação do videoárbitro que poderá, ou não, ajudar a arbitragem portuguesa a cair na graça dos dirigentes desportivos.

Esta poderá ser uma alteração com conotação positiva mas também perigosa colocando a Academia de Arbitragem em alerta e preparada, para que a médio prazo, os árbitros possam ter uma postura mais “preguiçosa e menos corajosa” na análise dos lances, pois sabem que se tiverem dúvidas sempre se podem escudar no videoárbitro. A tomada de decisão pode tornar-se mais lenta, pois inconscientemente o árbitro, que até hoje sempre tomou a decisão correta ou errada em tempo real, passa a ter tempo para evitar “cair no ridículo”.

Deve a arbitragem, e quem nela manda, acompanhar esta inovação e fazer ver aos árbitros que esta “cábula” do videoárbitro serve para melhorar e não “acobardar”, as tomadas de decisão dentro do terreno de jogo. A acompanhar esta inovação, deveria a arbitragem atuar com um conjunto de normas que premiasse os árbitros que menos recorressem a esta tecnologia e que fizesse baixar de categoria todos aqueles que por tudo e por nada irão interromper o jogo e correr para a linha oposta aos bancos...

Esperemos que no dia que o sistema for abaixo, os árbitros não estejam tão dependentes deste método que os impeça de fazer aquilo que mais gostam, pois creio que quem vai para a arbitragem tem e deve ter paixão de ser um elemento deste espetáculo servindo para emergir cada vez mais o jogador de futebol, pois as novas gerações continuarão a ir aos estádios pelos jogadores e espectáculo e não pelos árbitros, videoárbitros ou dirigentes.

José Taira

José Taira

FUTEBOL

Foi jogador profissional de futebol em Portugal representando clubes como, Grupo Desportivo Montijo,Clube Futebol “Os Belenenses” ,C.F. Estrela da Amadora, Sporting Clube Farense, Clube Oriental de Lisboa, onde terminou sua carreira. Em Espanhã serviu Unión Deportiva Salamanca e Sevilla Futbol Club,sendo internacional A, antes da campanha para o Mundial 1998. É atualmente Diretor Técnico da Escola Academia Sporting Carcavelos, situada dentro das instalações do colégio Inglês-St.Julian’s School e paralelamente é treinador da Equipa de Juniores (Sub-19) da Associação Desportiva de Oeiras.