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Rugby nacional: Rota certa confirmada

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O meu último artigo, a propósito da campanha da nossa Seleção sénior, foi intitulado de “Na rota certa…” O feito da equipa nacional Sub20, só veio confirmar

E porque a nossa seleção sub20 foi a vencedora do U20 XV Men´s CHAMPIONSHIP, após dois brilhantes jogos (na meia final contra a anfitriã Roménia e na Final contra a Espanha), o presente artigo vai intitulado de “Na Rota certa 2”.

Na verdade, os sinais externos apontam no sentido de Portugal poder vir a viver, de novo, um apogeu rugbystico. As 7 vitórias consecutivas da seleção sénior, assim como o sucesso da seleção sub20 leva-nos a crer que as coisas estão no bom caminho.

Estes sub20, liderados por Luis Pissarra (um dos grandes Lobos de sempre), têm miúdos fora de série. Ao nível dos melhores por esse mundo fora.

Os centros Vasco Ribeiro e José Luis Cabral foram demolidores e de uma enorme classe. Deram consistência no ataque e, na defesa, foram absolutamente intratáveis.

Cardoso Pinto é um fenómeno… aquele ensaio de 100 metros é HISTÓRICO!

Abecassis é um grande talento.

A artilharia da escola do cascais (os manos Costa Campos, Nuno Mascarenhas, António Vidinha) são pura potência e consistência.

Os terceiras linhas do GD Direito garantem a qualidade e assertividade do grupo (Vidal e Granate estiveram em grande plano), destacando-se também o Manuel Picão da Académica de Coimbra.

Muitos deles terão começado na era de 2007…. Numa altura em que o rugby português logrou trazer inúmeros jovens para este desporto tão especial e numa altura onde a organização do rugby juvenil português ganhou dimensão e qualidade.

O que quer dizer que os frutos de 2007 ainda estão vivos e que, apesar dos resultados desportivos nestes 10 anos não terem sido os desejados, ainda há potencial a retirar da nossa ida ao Mundial.

Mas aqui chegados importa não repetir os erros e omissões do pós 2007.

Na minha opinião, como defendi na altura, importa manter e fomentar o espírito do jogador amador em Portugal. E quando digo isto (amador) não falo de defendermos um rugby de brincadeira e de ocasião.

Digo antes que devemos fomentar e apoiar os jogadores que, de forma altruísta, voluntária, entusiasmada e dedicada, se entreguem ao rugby de uma forma genuína, sem esperar qualquer retorno financeiro (pelo menos imediato e direto).

Que gostem do rugby pelo rugby em si….. pela superação que este desporto lhes traz. Pela formação que este desporto lhes dá. Pelas amizades que este desporto lhes permite criar para toda uma vida.

Que saibam conciliar os estudos e trabalhos com a sua evolução rugbistica….

Á FPR caberá criar as condições de treino que lhes permitam conciliar tudo isto, que lhes mantenham a motivação e orgulho de serem cada vez melhores jogadores de rugby e bons cidadãos.

Não caia no erro (como se fez em 2007), de criar uma reduzida elite de jogadores, fechados entre si, comprometidos a contratos financeiros que os afastam dos estudos e suas obrigações quotidianas, impondo horários de treino que impossibilitam dessa missão.

E, num segundo (mas também muito importante) plano, trabalhar na criação de uma estrutura além fronteiras que trabalhe no apoio e integração de todos os nossos jogadores que, querendo experimentar o rugby profissional, se aventurem nesse mundo.

A Ponte entre o rugby interno e o rugby profissional (cujo sucesso apenas considero possível se for no estrangeiro- jogando entre os melhores) será a chave do grande salto do nosso rugby. É um trabalho muito difícil mas possível…..

Temos jogadores e ex-jogadores portugueses que são respeitados nesses campeonatos profissionais – David Penalva; Gonçalo Uva; Julien Bardy; José Gomes; Beco – e que poderão constituir a base dessa estrutura, servindo de representantes da FPR junto dos vários Clubes onde os nossos jogadores joguem ou venham a jogar, assim como o elo de ligação entre os jogadores que joguem em Portugal e que queiram ir para o estrangeiro.

Se nos próximos 10 anos conseguíssemos uma média de 3 jogadores a ingressarem lá fora, isso significaria que, em 2027, sempre que Portugal jogasse em casa, o público português poderia ir assistir a um XV recheado de jogadores do mais alto nível e que garantiriam a possibilidade de resultados desportivos ambiciosos.

Não tenho dúvida que, nesse momento, os jogos de Portugal, jogados em casa, seriam uma enorme Festa!

Este seria o caminho a construir…

Mas, até lá, vamos focar-nos no presente…. E esse é já contra a Bélgica. O projeto acima referido pode ser posto em prática desde já (embora e dimensões mais reduzidas): Organizar uma boa armada, reunindo os melhores (os nossos sub20, os nossos seniores – destaque para Gonçalo Foro que tem sido um enorme exemplo e libertando Bardy e Companhia dos seus compromissos com os Clubes).

Cá continuaremos a viver os sucessos das seleções com enorme entusiasmo….

Por falar nisso, os nossos sub18 estão em França a disputar o Championship U18. A todos eles desejamos a maior sorte do mundo e que saibam honrar Portugal… dentro e fora de campo.

Viva o Rugby,

Miguel Portela

Miguel Portela

RUGBY

Advogado e ex-jogador de rugby. Foi 63 vezes Internacional da Selecção de XV, Lobo no Mundial 2007, participou em dois mundiais de 7s e sagrou-se nove vezes campeão nacional ao serviço do Grupo Desportivo Direito. Casado, pai de 4 filhos, diretor da Formação do GDD e treinador da escalões juvenis do GDD.