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Somos as novas feministas

Vamos todas continuar a querer ser princesas da Disney, porque são mulheres destemidas e fortes

Os filmes da Disney são pura magia. Histórias de amor e aventuras inesquecíveis, princesas, sereias, leões, génios, deuses, patifes e tudo o que a nossa imaginação consegue criar. Mas, subjacente a toda a ação, existe sempre uma lição de vida, que lentamente vai surgindo ao de cima durante a interação entre vilões e heróis.

Todos temos a nossa história preferida dos tempos de infância, aquela que nos tocou mais profundamente que todas as outras e a minha favorita sempre foi a “Bela e o Monstro”. O enredo, as personagens, o amor entre as duas personagens principais, a música e o desenlace final foram os fatores que definiram a minha escolha. No entanto, apenas agora ao assistir à nova versão do filme que saiu nos cinemas, é que me apercebi que por trás da lição mais óbvia do conto, em que nos ensinam que a verdadeira beleza está no nosso interior, existiu sempre uma outra lição, que eu naquela idade não consegui vislumbrar, mas que é tão importante como a anterior. É sobre esta descoberta que quero falar.

Ainda antes de ver o novo filme da “Bela e o Monstro”, uma versão em que a aclamada Emma Watson iria fazer o papel de Belle, ao navegar pelo Facebook deparei-me com esta atriz, que penso eu, que todos adoramos (ou pelo menos toda a geração Harry Potter adora) a falar sobre um assunto que se tem tornado popular entre várias mulheres reconhecidas e por todo o mundo: o feminismo.

Ao ouvir o discurso de Emma sobre o tema, de um momento para o outro, apercebi-me da sua relevância.

Por coincidência, nesse mesmo dia e com grande entusiasmo, fui vê-la protagonizar no meu clássico da Disney preferido. Vi neste filme muito mais do que alguma vez tinha antes visto. A história de amor, como sempre, fez-me chorar. Cantei as músicas todas, mesmo estando no cinema (muito baixinho para ninguém me atirar com um pacote de pipocas à cabeça). Mas desta vez, ao observar a mesma mulher que se declarava uma feminista incarnar a pele de Belle, num abrir de olhos, comecei a ver que tanto a atriz como a personagem partilhavam essa mesma força e vontade de mudança. A Belle também é uma mulher que se sente enclausurada dentro da ideia que a sociedade mantém daquilo que uma mulher deve ser ou fazer. Ela quer mais, tem sonhos maiores do que as oportunidades que lhe querem oferecer. Ela quer igualdade e independência. É uma força feminista, tal como Emma Watson por isso o papel de Belle assentou-lhe na perfeição.

O feminismo já existe há muito tempo, desde que as mulheres deixaram de se conformar com a visão errada da sua inferioridade em relação aos homens. Mas agora começam a surgir aquelas que se podem denominar de “as novas feministas”. Mulheres como a Emma Watson, com carreiras de sucesso abertas ao público. Atrizes, modelos e cantoras, que usam a sua fama e exposição para partilharem a sua mensagem. Falam sobre a importância de uma pessoa poder mover-se na sociedade sem se ter que preocupar com os estereótipos associados ao seu género. A essencial liberdade de um homem poder ser sensível e sentimental e uma mulher mostrar-se forte e capaz, sem se sentir julgado/a.

Com esta descoberta a rolar dentro da minha cabeça enquanto saía do cinema, comecei a pensar sobre outras histórias da Disney, com fortes personagens femininas. E apercebi-me de algo interessante: as minhas histórias favoritas, como a Mulan e a Pocahontas, todas revelam uma personagem rebelde que se revolta contra os limites impostos pelos homens e pela sociedade machista.

As princesas da Disney não são apenas princesas. São mulheres destemidas e fortes. Cada personagem, seja vilão ou herói, existe por algum motivo nestas histórias. E com esta minha constatação, ficou mais forte uma certeza que sempre tive: os filmes da Disney não são só para crianças. Também os adultos conseguem sentir a sua magia e por vezes até sentir com mais intensidade.

Pessoas como a Emma Watson são a Belle, Mulan, Esmeralda, ou Pocahontas da vida real, que me impulsionam a escutar os gritos feministas da minha infância. Que acordam as minhas vozes e me incentivam a lutar contra um mundo que me tenta calar. Vamos todas continuar a querer ser princesas da Disney, pelas suas histórias, pelo amor que encontram, as aventuras que vivem e a magia que as rodeia. Mas também pela sua coragem e força. Pela maneira como combatem os seus inimigos e opressores, pelo seu direito de serem tudo que quiserem. E por isso antes de sermos princesas, mulheres ou feministas vamos assumir que somos umas guerreiras porque na verdade já somos isso todos os dias

Benedita Mendonça

Benedita Mendonça

ADOLESCÊNCIA

O meu nome é Benedita Mendonça e tenho 18 anos. Frequento o 12º Ano no curso de Humanidades. Já fui jogadora de ténis...agora sou só preguiçosa. Sofro de um vício incurável por Coca-Cola, o que provavelmente me ajuda a perder horas de sono a ler ou a escrever. Dá-me jeito tornar essas horas em algo mais do que perdidas e é por isso que quero partilhar toda a vasta experiência que esta minha idade me oferece sobre a adolescência.