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Cinco truques para saber como valorizar a dor de barriga nas crianças

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Dicas que não substituem uma observação médica, mas ajudarão muitos pais a dosear a sua ansiedade nas situações em que os seus filhos estiverem mais queixosos

A dor de barriga é uma queixa muito frequente em crianças, mas nem sempre é fácil de valorizar. Muitas vezes é apenas uma espécie de “chamada de atenção” ou então uma estratégia para que não sejam obrigadas a comer a sopa ou os brócolos, mas nem sempre é assim. Há alguns casos em que a dor é mesmo verdadeira, pelo que importa esclarecer quais as características a que os pais devem estar atentos nessas situações.

1 – Idade da criança

Quanto mais nova for a criança, maior a probabilidade de a dor ser “verdadeira”. As crianças pequenas são muito honestas e acabam por ir percebendo algumas estratégias de manipulação à medida que vão crescendo. É perfeitamente normal e até saudável que isso aconteça, mas acaba por se tornar um desafio acrescido quando se tenta valorizar as queixas que apresentam.

2 – Relação com a refeição

As dores de barriga que só surgem nos momentos da refeição, particularmente com a sopa ou outros alimentos de que geralmente as crianças gostam menos, devem sempre ser avaliadas com algum bom senso e, até, alguma desconfiança. No entanto, uma dor que surge também noutros momentos do dia ou então que agrava muito depois da refeição deve ser encarada como potencialmente mais séria. Nesses casos, faz sentido procurar ajuda médica para tentar perceber o que se passa com a criança.

3 – Localização da dor

Este é um aspecto simples a ter em atenção. De um modo geral, quando se pede a uma criança que se queixa de dores de barriga para apontar o sítio exacto onde dói, a maioria indica a região do umbigo. Apesar de este comportamento não excluir uma causa mais grave, é um aspecto que deve deixar os pais mais tranquilos um pouco. No entanto, se o local apontado for outro, deve-se ter mais atenção às queixas, pois de um modo geral, pode-se afirmar que quanto mais afastada a dor estiver do umbigo, maior a probabilidade de se tratar de uma dor “verdadeira” e não fingida.

4 – Tipo de dor

A dor funcional (termo que designa as situações em que não se consegue encontrar uma causa orgânica para as queixas) é, na maior parte das vezes, pouco intensa, intermitente e difusa. No entanto, há algumas características da dor que indicam que ela deve ser valorizada de forma mais séria, nomeadamente quando a dor:

- É permanente

- Acorda a criança durante a noite

- É muito intensa (nessas situações, muitas vezes a criança fica pálida e com ar de grande sofrimento)

5 – Outros sintomas

A presença de outras queixas significa, geralmente, que a probabilidade de existir uma causa real para a dor de barriga é maior. Alguns dos sintomas que devem ser valorizados neste contexto são os seguintes:

- Febre alta e difícil de controlar

- Sangue nas fezes

- Vómitos com agravamento progressivo

- Perda de peso significativa

- Mau estado geral da criança

- Má resposta à medicação

- Alternância entre prisão de ventre e diarreia

Estes são apenas alguns dos aspectos a ter em atenção sempre que se tenta valorizar a dor de barriga numa criança. Obviamente que não substituem uma observação médica (nem é esse, de todo, o propósito deste texto), mas certamente ajudarão muitos pais a dosear a sua ansiedade nas situações em que os seus filhos estiverem mais queixosos.

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"