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Sete técnicas para o ajudar a obter reconhecimento

As competências de inteligência emocional podem ser desenvolvidas e integradas em qualquer idade ou fase da carreira

É frequente encontrar profissionais altamente qualificados, excelentes líderes, com elevados níveis de performance, e baixo reconhecimento fora da sua esfera direta de atuação. Ao confrontarem-se com a dura realidade de haver colegas com níveis de performance e resultados menos brilhantes, gozarem de melhor reputação, concluem simplesmente que os outros se vendem melhor e são por isso um embuste. Ao alimentarem estes pensamentos, perpetuam a clivagem e desenvolvem uma atitude de desprezo por tudo o que lhes soe a autopromoção, aumentando ainda mais o isolamento e a ausência de investimento numa gestão consciente da sua imagem.

A escolha que fazem de forma inconsciente acaba por se tornar uma profecia auto-cumprida, em que veem a sua teoria confirmada e reconfirmada, sem nada fazerem para alterar essa dinâmica. Torna-se tanto mais difícil sair da zona de conforto e assumir uma atitude de mais proatividade e exposição dos seus talentos, quanto maior for o preconceito que alimentam como mecanismo de proteção do seu orgulho. O primeiro passo para sair desta armadilha, é enfrentar a realidade: há de facto profissionais que são muito dotados em comunicação, relacionamento interpessoal e influência e não são necessariamente os que têm competências técnicas e de liderança mais desenvolvidas.

E se em vez de os olhar com desprezo, começar a observá-los com curiosidade genuína, apreciando a sua habilidade nestas competências? E se aos poucos for aprendendo a ter uma comunicação com impacto, em lugar de fazer intervenções monótonas, cheias de detalhes e de baixa eficácia? E se aos poucos for levantando os olhos do computador e dos temas da sua área e circular pela empresa, construindo uma poderosa rede de relações? E se for trocando opiniões e der a conhecer a sua visão sobre temas chave, revelando aos poucos a solidez dos seus argumentos, o profundo conhecimento dos assuntos e a sensatez que o caracterizam? E se der por si a ter prazer em ajudar outras áreas e contribuir para a resolução de temas que não lhe dizem diretamente respeito e põem à vista as suas capacidades, não só na pequena comunidade da sua área, mas transversalmente a toda a empresa?

Esta viragem não tem de ser artificial. As competências de inteligência emocional, que estão na origem desta mudança, podem ser desenvolvidas e integradas em qualquer idade ou fase da carreira. Trata-se de uma evolução que tem por base o autoconhecimento e a escolha consciente de incorporar e muscular competências que não tem aplicado e escolhe começar a desenvolver.

Deixo-lhe aqui algumas técnicas que podem ajudar:

1 - Autoconhecimento: identifique os seus talentos, capacidades e resultados alcançados que merecem um reconhecimento maior do que aquele que tem recebido. Imagine o cenário perfeito: esses talentos a serem amplamente reconhecidos, pessoas relevantes para si a terem conversas informais sobre as suas qualidades, os sinais de uma reputação sólida e inequívoca, as oportunidades que se abrem. Saboreie demoradamente tudo o que de gratificante resulta do exercício. Deixe-se energizar e inspirar pela antecipação do prazer que irá sentir quando alcançar este seu objetivo.

2 - Escolha ser parte da solução: profissionais muito competentes tendem a frustrar-se com a ineficiência, adotando comportamentos hostis e agressivos que tornam o ambiente tóxico. Sem se darem conta, acabam por tornar-se parte do problema. Por muito frustrado que se sinta, aprenda a gerir as suas emoções sem contaminar o ambiente à sua volta. Foque-se no que está a acontecer e descubra como pode ajudar. Dê sugestões sobre formas de evitar que os mesmos problemas voltem a acontecer, em privado, quando sentir que há abertura para isso.

3 - Saia do seu castelo e circule: progressivamente, vá abandonando a sua zona de conforto e estabelecendo pontos de contacto com outras áreas e outros fóruns. Pode optar por ir ter com a pessoa, em vez de enviar um mail ou telefonar. Aos poucos dará por si a gerar uma dinâmica de comunicação muito mais fluida e eficaz. Considere este tempo parte da função que exerce. Construir relações sólidas é meio caminho andado para gerar alianças naturais e uma rede de suporte relevante quando enfrenta tensões e dificuldades.

4 - Calibre o impacto da sua comunicação: profissionais exclusivamente focados na excelência e nos resultados tendem a ser comunicadores fastidiosos e pouco eficazes. Invista tempo no início das reuniões para estar em ambiente informal com os colegas, interesse-se pelo que estão a fazer e partilhe o entusiasmo que está a viver nos seus próprios projetos. Ao intervir, lembre-se que “less is more”. Faça intervenções curtas e impactantes, num tom construtivo. Mesmo em temas difíceis, mantenha-se calmo e contribua de forma positiva.

5 - Partilhe sucessos e desafios: a partilha emocional gera relações fortes e genuínas. Quando enfrenta desafios, descobrirá nessas conversas opções que não tinha considerado. Isso é valorizante para quem o está a ajudar a pensar em soluções e cria precedentes para que o outro se sinta à vontade para recorrer a si quando se encontra em situações equivalentes. Partilhe o entusiasmo dos sucessos, agradecendo o contributo que deram para os alcançar. Ponha à vista o que possibilitou esses resultados, gerando progressivamente uma consciência dos seus talentos, de forma natural e genuína.

6 - Seja um embaixador dos talentos dos outros: aprecie diretamente os outros por algo concreto que fizeram ou disseram, sempre que for essa a sua opinião genuína. Mesmo quando não estão presentes, não se iniba de fazer boas referências a colegas se for mesmo isso que pensa sobre eles. Contribua para um ambiente apreciativo onde os talentos florescem. Os seus próprios talentos encontrarão assim condições favoráveis para se expandirem e serem reconhecidos. Lembre-se: “comportamento gera comportamento”.

7 - Mostre consistência e integridade: sempre que incorporamos novas competências, temos de nos manter vigilantes para não voltar aos antigos padrões. Uma vez iniciada esta viragem, mantenha-se firme na sua determinação em assumir responsabilidade pela sua reputação e impacto. A sua integridade estará em risco se demonstrar falta de consistência. Ao escolher uma atitude construtiva, generosa e relacional, queime as pontes que lhe permitem regressar à zona de conforto. Não se autorize a parar só porque entraram temas que exigem atenção e dedicação exclusivos. Aprenderá rapidamente que o tempo nunca chega e tem que fazer compromissos. E se é isto que quer, terá que ser consistente e dar a prioridade que o assunto tem para si.

Esta transformação será o início de uma nova etapa. Abrace-a com entusiasmo. Estará a evoluir para o seu próximo nível. Estará a criar as condições para que haja uma nova dinâmica na sua vida profissional que resultará em níveis de realização superiores e novas oportunidades. O tempo que dedicar dará os seus frutos e a proporção será direta: quanto mais investir mais resultados irá alcançar.

A escolha é – e sempre foi – sua!

Aida Chamiça

Aida Chamiça

COACHING

Coach de Executivos e Equipas de Alta Gestão, formada pelo College of Executive Coaching (EUA), desenvolve a sua atividade profissional no mundo corporativo (empresas multinacionais e algumas empresas nacionais). Foi a primeira portuguesa a obter o nível de certificação MCC (Master Certifed Coach) pela Federação Internacional de Coaching (há apenas 600 MCC no mundo inteiro). Professora Convidada na Universidade Nova – IMS. Co-autora do livro: “Coaching: Ir mais longe cá dentro”. Entrevistada para o livro “Revelez vos talents” de Christopher James et al., publicado pela Librairie Social RH. Foi Senior Manager na Accenture até 2003. Trabalha desde 1992 na área de desenvolvimento de líderes. Website: www.aidachamica.com