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Mulheres inteligentes... Será que eles gostam?

Super inteligentes, inteligentes, com pouca inteligência ou mesmo sem nenhuma. ue mulheres os atraem mais? As mais ou menos inteligentes?

Que mulheres os fazem fugir? As que tem mais ou menos inteligência?

As que os fazem sentir mais atraidos talvez sejam as mais inteligentes, mas…

Quanto às mulheres que os fazem ter vontade de fugir, são muitas, e muitas também as razões, independentemente do QI. Mas, também pode acontecer que essa “fuga” seja motivada por essas duas letrinhas (QI) que quando conjugadas com a palavra “elevado”, fazem algumas pessoas, sentirem-se menos “confortáveis”.

Os estudos respeitantes a este tema multiplicam-se, como verdadeiros “coelhinhos”.

Uns dizem que eles se sentem mais atraídos por mulheres inteligentes, outros que, embora eles se sintam atraídos pela inteligência feminina, preferem um pouco menos de inteligência na hora de sair com elas. Outros ainda, referem que se os dois tiverem o mesmo nível de inteligência e formação poderá ser uma combinação mágica para celebrarem todas as bodas e mais algumas e ficarem juntinhos para sempre.

Afinal em que ficamos?

Os homens querem ou não ESTAR com mulheres inteligentes?

É aqui que reside toda a diferença. Quando se introduz a variante “sair com” ou a expressão “estar com”, segundo um dos estudos publicado na revista “Personality and Social Psychology”, realizado por investigadores da Universidade de Buffalo da Califórnia e do Texas, tudo muda de figura.

Se numa primeira fase, ao perguntarem a mais de uma centena de homens, se consideravam as mulheres mais inteligentes como companheiras mais desejáveis, eles responderam maioritariamente que sim, numa segunda fase, quando lhes colocavam a hipótese de sair com uma mulher muito inteligente, esta mulher, magicamente, tornava-se menos interessante e desejável.

O que acontecia aqui? Como se explica esta mudança de perspectiva? Ou será de ideias? Este quero, mas…

A verdade é que nos últimos anos, cada vez mais mulheres me dizem sentir que de alguma forma a sua “rapidez de raciocínio”, o seu “sucesso”, o seu “brilho”, as suas competências, os seus talentos, os seus dons… em vez de fazerem os homens sentir-se orgulhosos e nos “píncaros do Evareste”, os fazem sentir à beira de um precipício, senão de um ataque de nervos.

E não estamos a falar de valorização, reconhecimento ou na arte de elogiar, realidades em vias de extinção. Estamos a falar na aceitação de características pessoais de excelência, como se as mesmas comprometessem e/ou colocassem em perigo a identidade, auto-estima e autoconceito alheios.

O que estará por detrás disso?

A brilhante inteligência, a reforçada auto-estima, o intenso amor próprio, a tenaz auto-confiança, a cuidada imagem, a absoluta independência, converter-se-ão, todas juntas, num potente alergénico a ponto de fazer os homens fugir para bem longe com medo de ficar às pintas?

É verdade que existem mulheres que “assustam” os homens e por mais interesse que tenham, nem com “pára-quedas” se aproximam?

É verdade que depois de um primeiro encontro, muitos outros não acontecem, e talvez não aconteçam porque esses homens não conseguiram ver que existia uma outra mulher “dentro” da inteligente, à semelhança de qualquer matryoshka?

É verdade que um “pacote feminino” demasiado atrativo pode transformar-se em “desatrativo” em questão de segundos, especialmente quando um homem pensa que aquela mulher é quase espantosa e escandalosamente perfeita?

É verdade que muitas mulheres não percebem porque existem homens que ao seu lado “se sentem de menos” quando se deviam “sentir-se de mais"?

É verdade que alguns homens receiam não conseguir ter nas suas vidas mais do que “princesas encantadas”, “deslumbrantes e inteligentes mulheres”, e que procuram incessantemente o porquê do fascínio delas por eles, para além da resposta: para que precisa de mim, se já tem tudo e todos os homens aos seus pés?

É verdade que alguns se questionam dia e noite: Porquê eu?

É verdade que muitas destas mulheres estão sozinhas e, por mais que tentem espreitar para dentro dos cérebros destes homens, não conseguem perceber o que se passa na sua mente?

É verdade que alguns destes homens passam uma vida inteira a pensar que poderiam convidá-las para jantar, passear, conversar, brincar, rir… e nunca o fazem com medo e receio de serem rejeitados, mal interpretados, e muito especialmente, de não “estarem à altura”, quando a maioria deles são “mais altos” do que elas, mesmo quando elas estão de “saltos altos”?

Tudo isto é verdade, sim!

Ao longo dos anos ouvi estas e muitas outras histórias.

Presentemente, ouço-as repetidamente.

O que se passa com alguns homens, felizmente não com todos, para pensarem o QI de uma mulher como uma “prova de fogo”?

O que ocorre dentro dos seus neuróneos para, perante uma mulher “linda”, interessante, lutadora, corajosa, ambiciosa, decidida, audaz, comunicativa, divertida…olharem, darem meia volta e pensarem: “hummmm não é para mim”!

Será problema delas, ou problema deles?

Talvez dos dois!

Elas têm que deixar de ser tão maravilhosas para ter um namorado ou um companheiro?

Definitivamente NÃO!

Ou, serão eles que tem de olhar para elas e vê-las maravilhosamente imperfeitas?

Talvez seja mais por aí… uma “desconstrução”, seguida de uma “construção” a dois! Seguramente um diálogo interior diferente e um “espantalho” contra crenças e ideias pré-concebidas.

Porque é que depois de uma relação com uma dessas mulheres, muitos homens procuram uma mulher completamente diferente, senão o oposto?

Talvez porque dê menos “dores de cabeça”, mas tem sempre um “valor” alto a pagar se não for Amor de verdade!

Um dia alguém que eu acompanhava, revelou-me que ao conversar com um amigo que conhecia há longo tempo, ele lhe disse: “Tu és uma mulher fascinante!” ao que ela respondeu: “Eu também te admiro muito…”. Nesse momento, ele fez uma pausa, e depois disse-lhe: “Mas tu, fazes algo “brilhante”…” e ela, retorquiu: “E tu salvas vidas a cada momento!

Este homem era médico, já tinha andado pelo mundo fora, inclusive em zonas de guerra e trabalhava num dos sítios mais difíceis de trabalhar no mundo: numa UTI…

Afinal os homens preferem mulheres mais ou menos inteligentes? Os homens preferem mulheres que os aceitem, amem e em quem possam confiar. E, isso pressupõe que as mulheres sejam inteligentes!

Alguns homens, com uma auto-estima mais fragilizada, sentem-se ainda mais inseguros, sentem a sua masculinidade “afectada”, e podem ter sentimentos de inferioridade e receio de estar “àquem” das expectativas dessas mulheres. Sentimentos de competição e/ou inveja são tendencialmente descritos em alguns casos, nas situações em que o homem tem um nível de formação inferior e/ou vive uma situação profissional muito diferente da mulher.

Também pode acontecer que determinadas perturbações de personalidade como o narcisismo e o transtorno de personalidade borderline influenciem, fazendo com que essas relações venham a ter os dias contados, a menos que a mulher escolha “deixar de ser” e passar a ser quem não é, o que também se vê muito por aí…

Transtornos, inveja, competição, medos e auto-estimas fragilizadas àparte, parece-me que o que os homens querem é…

Ser valorizados e amados inteligentemente! E as mulheres como podem lidar com esta situação?

Com inteligência, especialmente emocional, sendo apenas elas próprias e acreditando que um dia alguém, com a mesma inteligência emocional, vai olhar para elas… e conseguir ver muito para além da inteligência e de tudo o mais…

A Mulher e o Ser Humano único que existe em cada uma delas!

Margarida Vieitez

Margarida Vieitez

RELAÇÕES

Margarida Vieitez é especialista em mediação familiar, de conflitos e aconselhamento conjugal, e dedica-se há mais de 20 anos ao estudo e acompanhamento de conflitos de diversa ordem, nomeadamente, familiares, conjugais e divórcio. Detentora de seis pós graduações, entre as quais, em Mediação Familiar pela Universidade de Sevilha, em Mediação de Conflitos e, em Saúde Mental, ministrou vários cursos de Mediação Familiar no Instituto de Psicologia Aplicada, estando frequentemente presente em conferências e seminários. Autora de vários livros, dentro os quais, "O melhor da vida começa aos 40", "Sos Manipuladores" e "Pessoas que nos fazem Felizes" .