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Portugueses que já vivem no Futuro

Conversas com dois portugueses, daqueles que dá gosto, que vêem lá para frente e agem. É da massa de gente assim que às vezes nascem os Uber e os Airbnb da vida

Acabadinho de chegar de gravar o próximo Futuro Hoje para a SIC, venho feliz com o que vi, e não é invulgar que isto aconteça.

Vamos do menos para o mais importante.

Tive mais um oportunidade de guiar o BMW I3 um carro bem divertido que me faz sentir no amanhã. Além de ser eléctrico podemos fazer quilómetros e mais quilómetros a usar apenas o acelerador, mais ou menos acelerador dá para muito trajeto sem ir ao travão sequer. Quando lhe apanhamos o jeito não queremos outra coisa. Claro que como boa parte dos carros eléctricos ainda é tão caro que dificilmente se pode justificar o investimento com a poupança de gasolina mesmo ao fim de uns anos... adiante.

Depois também fiquei contente por experimentar um serviço que só por si também se aproxima dos dias que virão.

A Mobiag é uma empresa portuguesa que tem um plataforma para gerir sistemas de partilha de carros, criou o 24/7 City com a Hertz portuguesa, e sublinho aqui que se trata mesmo de uma iniciativa nacional da multinacional.

O serviço 24/7 City é o aluguer de curta duração de carros, já adivinharam, a pequena frota é toda de BMW i3. Quem está inscrito e tem a aplicação reserva o carro que vê num mapa. Só para ter uma ideia, usar um carro para ir a uma reunião, estacionar e ter o mesmo carro para voltar ao ponto de origem num total de 3 horas, custa 14 euros. E em Lisboa pode estacionar nos lugares da Emel sem se preocupar com o pagamento. Há imensas variantes menos simpáticas, se deixar o carro fora das zonas preferenciais tem que pagar mais, não inclui via verde e sobretudo não estão ali à esquina para a maior parte de nós. Feitas as contas todas é verdadeiramente competitivo com táxi ou Uber, tem é que guiar o carro.

A partilha de carros e até o aluguer de curta duração não são a última novidade. Até já houve empresas que começaram, talvez cedo demais, e já acabaram. O que me dá gosto neste caso é ver que o carro, normalmente entendido como propriedade privada e até símbolo de estatuto social, é aqui visto como um serviço. Não é de todo uma questão ideológica, é que esta já é inegavelmente uma tendência de mercado. Disfrutamos de carros, casas, música, vídeo como serviços e não como bens que adquirimos.

E o mais importante de tudo é falar com portugueses que entendem tudo isto, e têm uma palavra a dizer no que será o futuro. A Hertz portuguesa, que tem a coragem de apostar numa solução nacional, mesmo que com provas dadas. E a Mobiag que parecendo uma simples empresa tecnológica com um bom sistema de gestão, é muito mais do que isso. Está a posicionar-se para poder ser uma grande plataforma de serviços dos que existem e dos que aí vêm. Não estão a brincar, já estão em 14 países e podem ter a certeza de que estão muito longe da ambição que já têm. Fica uma ideia, se o carro pode ser um serviço porque não imaginar pagamentos mensais que me dão acesso como hoje ao telemóvel, à televisão e à Internet, mas também a um carro quando preciso dele, e só na medida em que preciso dele sem mais chatices, ou a uma casa de férias à escolha e a que tenho direito todos os anos?

O que leu faz parte das conversas que hoje fui tendo com dois portugueses, mas daqueles que dá gosto, que vêem lá para frente e agem. É da massa de gente assim que às vezes nascem os Uber e os Airbnb da vida, ou para ir para um exemplo de cá uma Uniplaces. No meio de tanta chatice, dos impostos e dos aumentos, das falências e do desemprego faz-me feliz que faça parte do meu trabalho estar com gente assim e mostrar o que por cá também se faz. Vamos ter a oportunidade de dar com muitos deles, vão estar na Web Summit em Novembro, em Lisboa.

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

TECNOLOGIA

Jornalista e editor de Novas Tecnologias na SIC