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Cinco dicas para ajudar a estimular a linguagem do seu filho

Bolsa de Especialistas

Hugo Rodrigues

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A linguagem é um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento infantil. Por esse motivo, é fundamental que os pais saibam como estimulá-la, para ajudar as crianças a atingir todo o seu potencial. Aqui ficam algumas dicas de como o pode fazer.

1. Converse com o seu filho

Hoje em dia há estudos que comprovam que os bebés se habituam a ouvir as vozes dos pais ainda desde o desenvolvimento embrionário, pelo que é importante que esse contacto se mantenha de forma permanente também após o nascimento. Claro que nos primeiros meses de vida os bebés ainda não percebem o que se lhes diz, mas isso não implica que não se converse com eles. A comunicação desenvolve-se não só através da linguagem verbal, mas também das entoações que se dá ao discurso e também da linguagem não verbal, pelo que é boa ideia habituar-se a conversar com seu filho logo desde os primeiros tempos de vida. Apesar de poder parecer “estranho”, faz todo o sentido contar-lhe histórias a partir dos dois meses de idade, quando ele já passa mais tempo acordado e atento ao que o rodeia. Se lhe contar sempre a mesma história, vai ver que mesmo não percebendo o que lhe diz, ele reage aos diferentes momentos da história, demonstrando que já compreende a sequência do que lhe está a contar.

2. Evite ecrãs

Está actualmente provado que o contacto com os chamados “ecrãs” (televisão, tablets, telemóveis, computadores e afins) deve ser evitado nos primeiros dois anos de vida e, mesmo após essa idade, deve ser feito de forma limitada. Um dos principais motivos para essa recomendação prende-se com a falta de estimulação da linguagem e consequente atraso na aquisição de competências de comunicação. Para além disso, a aprendizagem da linguagem não verbal também só é possível através da socialização e do contacto com as outras pessoas, o que faz reforça a ideia de que é um tipo de estímulo a evitar nos primeiros tempos de vida.

Depois dos 2 anos o contacto com os ecrãs pode ser feito de forma ocasional, mas é importante perceber que essa é uma prática muito solitária e que diminui os tempos de conversação e convívio entre pessoas, pelo que se torna imperioso controlar bem o tempo de exposição, para não ser exagerado (no máximo, cada criança pode passar até 2 horas por dia em actividades desse género, embora até aos 6 anos esse tempo deve ser claramente inferior).

3. Evite falar “à bebé”

Os bebés aprendem a falar como ouvem, pelo que para eles é um pouco indiferente se lhes ensinam a falar bem ou mal, porque aprendem na mesma. Assim, penso que não tem nenhuma vantagem falar “à bebé” com o seu filho, porque só lhe vai ensinar a falar de forma menos correcta e, desse modo, vai dar-lhe dois trabalhos: aprender primeiro mal, para posteriormente aprender a falar bem. Parece-me claramente um esforço desnecessário e que não lhe traz nenhum benefício.

4. Conte histórias ao seu filho

As crianças são naturalmente criativas e imaginativas e contar histórias é uma prática que estimula de forma evidente essa faceta. É um óptimo hábito para se implementar em cada família e, para além disso, é também um momento de lazer para todos, pois podem partilhar alguns minutos de forma tranquila e todos com a mesma finalidade. Apesar de parecer monótono, se o seu filho quiser ouvir sempre a mesma história faça-lhe a vontade e aproveite para fazer vozes diferentes e dar a entoação correcta às falas das personagens, pois isso torna a experiência muito mais divertida e interactiva.

5. Conversem à mesa

A alimentação não é só o sabor dos alimentos. Está hoje em dia bem estabelecido que é muito mais do que isso, pois é também cor, textura e socialização. Todos estes aspectos se aprendem desde os primeiros meses de vida e são hábitos que vão perdurar durante toda a vida. Assim, é importante que as famílias tenham rotinas de convivência saudável e tranquila durante as refeições e, obviamente, torna-se fundamental que se habituem a conversar à mesa, tornando a refeição um momento de partilha para todos. As televisões, tablets e telemóveis devem estar desligados, pois são focos de distracção que não devem ser utilizados nesses momentos. Conversem e desfrutem da companhia uns dos outros e, se possível, tentem fazer refeições com tempo, sem ter que andar “a correr” para fazer outra tarefa qualquer. Só assim conseguirão tirar todo o proveito desses momentos em família.

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"