Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Para que servem os vómitos?

  • 333

Tal como a maior parte dos sintomas, são um mecanismo de defesa do nosso organismo. Conheça alguns sinais que o devem manter alerta em relação aos bebés

Tal como a maior parte dos sintomas, também os vómitos são um mecanismo de defesa do nosso organismo e servem, de um modo geral, para ajudar a “limpar” o estômago de algo que lhe está a fazer mal.

No entanto, há alguns casos em que não é exactamente assim, pelo que é importante perceber quais são os sinais de alarme nessas situações e, também, o que se pode fazer para prevenir as complicações que podem surgir.

O que causa os vómitos?

Na maior parte das vezes os vómitos surgem porque existe uma “irritação” a nível do estômago e é a primeira forma que o organismo tem de tentar combatê-la. Essa “irritação” pode ser causada por vírus (que é o mais frequente), bactérias, toxinas, alimentos, produtos tóxicos ou qualquer coisa que chegue ao estômago e perturbe o seu normal funcionamento. Nesses casos é habitual surgir também dor de barriga ou diarreia, embora não seja obrigatório isso acontecer. Alguns dos sinais de alerta que devem motivar uma observação médica urgente são os seguintes:

- bebés com menos de 4 meses de idade

- mau estado geral da criança

- intolerância completa a líquidos (pelo risco de desidratação)

- recusa alimentar total

- se a criança não urina há mais de 8 horas ou tiver sinais de desidratação (olhos encovados, língua seca, …)

- vómitos com sangue (especialmente se for em grande quantidade)

No entanto, é importante perceber também que existem outras causas para os vómitos e importa aqui realçar as causas neurológicas, pois podem revestir-se de alguma gravidade. Alguns sinais de alarme para esse tipo de situação são os seguintes:

- associação a dores de cabeça

- associação a outros sintomas “neurológicos” (ver duas imagens, desmaios, convulsões)

- vómitos que só surgem durante a noite, quando a criança está deitada

O meu filho está a vomitar – o que posso fazer?

O primeiro aspecto a ter em conta é perceber se existe algum dos sinais de alerta que enumerei acima. Se estiver presente deve procurar ajuda médica com urgência. Se não for o caso, o principal objectivo é tentar repor líquidos, de forma a prevenir a desidratação, porque ela própria pode causar ainda mais vómitos. Assim, é essencial quebrar este ciclo vicioso, o que só se consegue dando líquidos a beber. Um dos truques para fazer uma criança parar de vomitar é tentar não lhe encher muito o estômago. Sempre que ele enche, a resposta do organismo é tentar esvaziá-lo rapidamente, pelo que acaba por ser um estímulo para surgirem ainda mais vómitos. Assim, a criança deve beber muito (preferencialmente um dos soros de reidratação oral que existem nas farmácias), mas sempre aos bocadinhos e com calma. Mesmo que tenha sede não deve beber um copo de uma só vez, porque provavelmente vai vomitar logo a seguir. Outro truque para não vomitar é não forçar a comer ou beber, porque se o fizer a maior probabilidade é surgir um novo vómito. Assim, sempre que possível, deve-se respeitar a saciedade das crianças e a sua falta de apetite nessas situações. É fundamental perceber que é muito mais importante beber do que comer…

Vale a pena dar medicamentos para os vómitos?

Em Pediatria raramente se usam medicamentos para parar os vómitos, principalmente pelo facto deles terem um carácter protector, como expliquei acima. Para além disso, a própria eficácia desses medicamentos é um pouco variável e a probabilidade de surgirem efeitos laterais é significativa, pelo que não é frequente nem aconselhada a sua prescrição na maioria das situações. De qualquer forma, é um assunto para decidir caso a caso e sempre sob aconselhamento médico.

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"