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Pode-se prevenir o Síndrome da Morte Súbita?

Bolsa de Especialistas

Hugo Rodrigues

Apesar de não se saber qual a causa da morte súbita nos bebés, estão identificados alguns factores de risco e de prevenção, pelo que convém reforçar alguns conselhos

O Síndrome da Morte Súbita do lactente é algo assustador e que, na verdade, não se sabe muito bem por que razão acontece. Basicamente, diz respeito a uma paragem cardio-respiratória que acontece em bebés pequenos saudáveis (até aos 12 meses de idade). O risco é maior nos primeiros 4-6 meses de vida e na maior parte dos casos está associado ao sono.

Apesar de não se saber qual a causa, estão actualmente identificados alguns factores de risco e factores protectores para esta situação, pelo que convém reforçar alguns conselhos:

1 – Coloque sempre o seu bebé a dormir de barriga para cima.

Grande parte das pessoas acredita que a posição mais segura para os bebés dormirem é “de lado”. No entanto, isso não é verdade, já que dormir de barriga para cima previne cerca de três vezes mais o Síndrome da Morte Súbita do lactente do que dormir de lado. De um modo geral, os pais não gostam muito dessa posição porque têm medo que o bebé regurgite ou vomite e que acabe por asfixiar, mas hoje em dia sabe-se que esse risco não está aumentado quando os bebés dormem de barriga para cima.

São poucas as situações que contra-indicam dormir nessa posição e incluem apenas as malformações vertebrais ou então casos excepcionalmente graves de refluxo gastroesofágico (bebés tão bolçadores que não engordam o que devem ou têm complicações pulmonares). Nesses casos é aceitável que os bebés durmam de lado, mas são claramente excepções à regra.

Por fim, é fundamental frisar também que dormir de barriga para baixo é a posição menos segura a adoptar, pelo que não deve ser aconselhada em nenhuma situação.

2 – Use pouca roupa de cama.

A principal fonte de calor para os bebés deve ser a roupa que têm vestido, bem mais do que a roupa que utilizam na cama. Deve-se usar apenas 1 edredão ou cobertor ou manta, que deve ser bem preso de lado abaixo das axilas do bebé, deixando-lhe os braços livres. Os “ninhos” ou sacos-cama de bebé são também uma boa opção.

3 – Evite o sobreaquecimento.

A temperatura ideal para o quarto do bebé situa-se entre os 18-21ºC, pelo que deve ser essa a opção dos pais (exceto na altura do banho, em que o quarto deve estar mais quente). É sempre importante reforçar também a ideia de que os bebés não têm só frio (têm também calor) e que o sobreaquecimento pode ser perigoso, para além de desconfortável.

4 – Evite o contacto com o fumo de tabaco.

O fumo passivo é um factor de risco para o Síndrome da Morte Súbita do lactente, seja durante a gravidez, seja depois do nascimento do bebé. Esse risco existe quer seja a mãe ou o pai a fumar e está ainda mais aumentado se forem ambos fumadores.

5 – Não coloque brinquedos, fraldas ou almofadas na cama do bebé.

Os bebés pequenos não conseguem afastar de forma adequada qualquer objecto que se coloque em frente à cara deles, pelo que na cama deve estar só o bebé e mais nada, para diminuir o risco de asfixia.

6 – Quando o bebé estiver acordado, coloque-o noutras posições.

Apesar de não ser (de todo) aconselhável colocar os bebés a dormir de barriga para baixo, quando eles estão acordados essa é uma posição que se deve adoptar. Com esse “treino”, eles vão desenvolver melhor os músculos do pescoço e aprender a defender-se de forma mais eficaz das posições menos seguras.

7 – Usar chupeta parece ser benéfico.

Apesar de não se saber muito bem a causa, parece que o uso de chupeta é protector para o Síndrome de Morte Súbita do lactente. Assim, deve tentar que o bebé se adapte à chupeta (exceto nos primeiros dias de vida, para não interferir com a amamentação), porque pode ser benéfico. No entanto, há bebés que não gostam da chupeta, pelo que se for esse o caso também não deve forçar a situação.

Hugo Rodrigues

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos, é também autor do blogue "Pediatria para Todos" e do livro "Pediatra para todos"