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Furacões, conspirações e surpresas

Opinião

Mafalda Anjos

Luís Barra

Depois de tantos erros e desvarios no último ano e meio, nos minutos finais da partida Rui Rio parece cheio de energia e focado em não deixar cair nenhuma bola no chão. Se ao menos a habilidade para fazer campanha equivalesse à capacidade para fazer oposição e governar, teriam menos razões de desalento os eleitores à direita…

Está feita a vontade dos que se queixavam que a campanha legislativa estava “morna” e “chata” – como se a política se medisse por ataques e contragolpes. O furação Tancos chegou a meio do período de campanha e foi um ciclónico desvario.

Depois de o ex-ministro da Defesa de António Costa ter sido acusado pelo Ministério Público de abuso de poder, denegação de Justiça e prevaricação e proibido do exercício de funções, durante umas horas o discurso dos partidos foi contido, mas rapidamente mudou de tom. A mudança mais drástica veio de Rui Rio, o mesmo que antes tinha dito que nunca comentaria assuntos de Justiça: “Não vejo como [António Costa] não tenha aqui responsabilidades. Perante um assunto desta gravidade, o ministro da Defesa não avisa o primeiro-ministro?
Costa ou sabe ou não sabe, e ambas as hipóteses são más”, afirmou o líder do PSD, galvanizado pelas subidas nas sondagens nos dias anteriores.

A sua performance na campanha tem surpreendido meio mundo, até mesmo nas hostes laranjas que voltaram a acreditar que seria possível ter um resultado a 6 de outubro melhor do que embaraçoso.

Surpreendente pela negativa tem sido a prestação de António Costa e do Partido Socialista, com uma capacidade de reação demasiado lenta para um período em que cada minuto conta... e pode valer votos. Não só não se demarcou estrategicamente de Azeredo Lopes e do gravíssimo alegado encobrimento do “achamento” (e abrindo a legítima dúvida de porque não o fez) como tem deixado crescer a tese dentro do PS (e fora dele) de que houve uma conspiração do Ministério Público para atacar o Governo e o Presidente da República. Conspiração essa que, segundo o Expresso, na tese do PS inclui a ex-procuradora Joana Marques Vidal, não reconduzida no cargo.

Se em São Bento se fala de complôs, em Belém alinha-se pela mesma bitola conspirativa, ao fazer-se passar a tese de que a deixa do “papagaio-mor do reino”, que se referiria ao Presidente da República, surgiu via PS para distrair de Costa as atenções. Aparentemente não há inocentes nem coincidências nesta história.

Um vendaval político com eleições à porta significa uma excelente oportunidade. Depois de tantos erros e desvarios no último ano e meio, nos minutos finais da partida Rui Rio parece cheio de energia e focado em não deixar cair nenhuma bola no chão. Se ao menos a habilidade para fazer campanha equivalesse à capacidade para fazer oposição e governar, teriam menos razões de desalento os eleitores à direita… Até ao apitar do árbitro – que é como quem diz, ao voto do povo – está-se a jogo. E tudo indica que as últimas horas serão nada menos do que emocionantes.

Mafalda Anjos

Mafalda Anjos

Diretora

Germanófila por educação, entranhou-se-lhe o método e uma certa ética alemã. Estudou para advogada e chegou a pensar que ia ser constitucionalista, mas viu a luz no jornalismo, que continua a apaixoná-la todos os dias. Desde 2015 na VISÃO, esteve antes 10 anos na economia, nos quais passou por vários títulos, e depois no Expresso, onde editou a revista durante 7 anos. Devoradora de revistas, gadget freak, atenta às tendências globais, precisa de internet como de água potável. Tem quatro filhos, um marido, um cão e uma pão de forma chamada Marisol.