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Rui Tavares Guedes

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Diretor Executivo

Mudar o mundo aos 16 anos

Opinião

Rui Tavares Guedes

KENA BETANCUR/Getty

Aos 16 anos, ainda acreditamos que podemos, com a nossa ação, tentar mudar o mundo, ou, no mínimo, fazer ouvir a nossa voz, se nos derem oportunidade para tal

Quem, aos 16 anos, nunca teve certezas absolutas ou proferiu afirmações de carácter definitivo? É normal fazê-lo na idade em que o grau de indignação perante as injustiças ainda não foi domesticado nem normalizado. Aos 16 anos, ainda acreditamos que podemos, com a nossa ação, tentar mudar o mundo, ou, no mínimo, fazer ouvir a nossa voz, se nos derem oportunidade para tal.

É isso que a sueca Greta Thunberg tem tentado fazer, desde que há cerca de um ano, após um verão de ondas de calor e de incêndios históricos no seu país, decidiu iniciar uma greve às aulas como protesto perante a falta de ação dos governantes mundiais face ao aquecimento global.

De forma viral, o seu exemplo tem inspirado milhões de jovens por esse mundo fora, ao mesmo tempo que tem alimentado, por parte dos negacionistas das alterações climáticas, uma série de teorias de conspiração sobre os seus verdadeiros propósitos e de quem os promove e financia.

A verdade é que, fora de polémicas, a jovem sueca – que assume a sua Síndrome de Asperger como um “superpoder” que lhe permite ver com maior clareza os problemas do planeta – conseguiu tornar-se, em poucos meses, uma das personalidades mais influentes do mundo. Por uma razão própria dos 16 anos: ser-lhe impossível calar o sentimento de injustiça perante o estado do planeta que vai ser entregue à sua geração.

Foi isso que ela disse à plateia de líderes reunida na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, culpando-os pela inação e, acima de tudo, por não escutarem os cientistas que andam há anos a avisar para o que aí vem. “Vocês estão a falhar-nos”, acusou Greta, no seu tom emotivo. “Os olhos de todas as gerações futuras estão em vocês. E se escolherem falhar-nos, nós nunca vos vamos perdoar. Não vos vamos deixar seguir impunes.”

Pesadas as devidas distâncias, o seu discurso não foi muito diferente do proferido, no mesmo edifício, há seis anos, por outra jovem de 16 anos, a paquistanesa Malala Yousafzai, defensora do direito à educação e dos direitos das mulheres. Em 2013, ela proferiu, nas Nações Unidas, o seu primeiro discurso público, depois de ter sido baleada pelos talibãs, e proclamou que “uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. E gritou que a “educação é a única solução”. Greta, no seu tom mais radical, diz o mesmo: “Ouçam os cientistas e unam-se à Ciência.”

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