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Opinião

Rita Rato

PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/ Getty Images

A redução do preço do passe é justa e necessária, mas agora falta investimento público que assegure carruagens, autocarros e barcos, falta garantir quantidade, frequência, conforto e fiabilidade na oferta do serviço

Senhores passageiros, o comboio suburbano CP-Lisboa procedente de Sintra e com destino ao Rossio vai dar entrada na linha número 1, efetua paragens em todas as estações e apeadeiros.” Milhares de utentes ouvem diariamente esta mensagem, e só não ouvem mais porque, nas últimas décadas, várias linhas e ramais foram desativados com grande prejuízo para as populações e o País.

Em grande parte do território nacional, o transporte público é praticamente inexistente e milhares de pessoas dependem do transporte individual, mas mesmo nas áreas metropolitanas, muitos milhares de pessoas dependem dos transportes públicos. Em Portugal, os utentes dos transportes públicos são-no mais por necessidade do que por opção, e isso não é bom sinal, aliás, a qualidade da oferta e o custo dos transportes públicos é uma boa bitola para medir o nível de desenvolvimento de um país.

Durante anos, e até décadas, os utentes, os trabalhadores do setor e as autarquias lutaram por melhores serviços públicos e redução dos custos dos transportes. Não menos vezes, o PCP apresentou na Assembleia da República propostas de reforço do Passe Social Intermodal, o alargamento da oferta de transportes públicos, a defesa da ferrovia, o combate às privatizações de empresas públicas do setor, a exigência de investimento público, a redução dos preços nas áreas metropolitanas e no restante território nacional. Invariavelmente, essas propostas foram rejeitadas, e o anterior governo PSD/CDS impôs mesmo um aumento brutal dos preços dos transportes (incluindo o fim dos passes 4_18 e sub-23 e do passe para idosos), degradou a oferta e tentou a privatização de empresas, o que resultou em mais custos para as famílias e na perda de milhares de utentes.

No Orçamento do Estado de 2019, com a aprovação do Programa de Apoio à Redução Tarifária, foi possível assegurar, a partir de 1 de abril, uma enorme redução dos preços dos passes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto: €30 (concelhio) e €40 (metropolitano) em todos os operadores, e na AML pode mesmo ultrapassar uma poupança de €100 mensais. Esta medida é, sem dúvida, de grande importância, mas não é oferta, é resultado da luta das populações e da ação de décadas do PCP. Não restem dúvidas, a redução do preço do passe é justa e necessária, mas agora falta investimento público que assegure carruagens, autocarros e barcos, falta garantir quantidade, frequência, conforto e fiabilidade na oferta do serviço. Esta aposta é justa para as famílias e faz falta ao País, concretiza o direito à mobilidade e reduz o consumo de combustível importado e a produção de emissões poluentes.

Senhores passageiros, a luta vai dar entrada na linha 2, efetua paragens em todas as estações e apeadeiros e conta com todos os utentes
e populações para defender a qualidade do serviço, a redução do preço para lá de 2019 e o seu alargamento a todo o território nacional. Que ninguém fique apeado!

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Rita Rato

Rita Rato

Deputada do PCP