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PSD: A política do ressentimento

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O PSD vai perdendo credibilidade no seu estranho esforço para minar, se necessário, a imagem externa do país ou os consensos sociais que eram caros ao PSD perdido algures na história

Não gosto de ver o maior partido da oposição nas lonas. A democracia é rica quando Governo e oposição apresentam propostas concretas para o país, quando apresentam uma visão política para o nosso destino coletivo. Aparentemente, é difícil compreender por que razão Passos Coelho insiste na estratégia da “não oposição – vamos esperar que isto caia”, sem uma ideia de fundo que retire o PSD do lugar avarento que vem deixando apegados ao seu Partido apenas os que votam militantemente e sem flutuações nos Partidos de filiação (formal ou informal).

Aparentemente, escrevia, é difícil encontrar explicação para isto.

Na verdade, é fácil. Passos Coelho apostou tudo na narrativa da “não alternativa”. Assegurou ao mundo, e por isso a todos os espoliados pela sua “austeridade virtuosa”, que não havia alternativa a uma política cumpridora das exigências europeias que fosse simultaneamente uma política de devolução e reforço dos direitos sociais.

Acontece que a alternativa apareceu.

Deparamo-nos, claro, com dificuldades nacionais e internacionais, mas o défice público terá este ano resultados históricos ao mesmo tempo que o prometido foi cumprido em matéria de devolução e reforço de prestações sociais, isto é, aconteceu a tal alternativa “impossível” que conjuga rigor orçamental e justiça social.

Passos Coelho sabe do desempenho do Governo, com o apoio parlamentar de toda a esquerda, quer ao nível das exigências europeias quer ao nível da justiça social, a qual passa pelas pensões, pelas prestações de desemprego, de doença, pelo abono de família, passa pelo Rendimento Social de Inserção, pelo Complemento Solidário para Idosos ou pelo desempenho dos serviços públicos, justiça essa que vem sendo implementada em modo reformista.

Na verdade, quem assegurou ao mundo que não havia alternativa, que efetivamente o abuso sobre idosos, desempregados, famílias, crianças, sobre os mais pobres dos mais pobres tinha de continuar foi quem ficou, efetivamente, sem alternativa. E faz questão de o mostrar diariamente.

O PSD vai perdendo credibilidade no seu estranho esforço para minar, se necessário, a imagem externa do país ou os consensos sociais que eram caros ao PSD perdido algures na história.

Ao PSD resta a política do ressentimento. Que não é Política, convenhamos.