Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Três destinos pragmáticos para 2017

Opinião

Gonçalo Cadilhe

Argélia. Há quanto tempo não ouve falar da Argélia nas notícias? Perto, acessível e económica, eis uma nação muçulmana com algumas coisas fantásticas

Chega-se ao final de um ano e já se começa a tentar adivinhar o que estará "in", o que será trendy para o próximo. Sartre dizia "o Inferno são os outros" e nunca essa máxima foi tão verdadeira como nos movimentos de massa do turismo. Não nos importamos de sermos todos iguais quando torcemos pela selecção ou quando acendemos isqueiros na escuridão de um concerto, mas a coisa muda de figura quando chegamos a uma cidade periférica, um trilho de trekking, um itinerário temático, uma capela com um fresco que foi recuperado, e compreendemos que milhões de outros turistas também vieram connosco, também escolheram o mesmo destino. Tipo, Lisboa, cheia de visitantes com guias Lonely Planet na mão e um hostal em cada esquina, restaurantes de vanguarda com preços galácticos, e qualquer coisa no ar que nos diz que esta não é a cidade real, a cidade onde vivem e suportam a qualidade de vida três milhões de portugueses.

Aqui, em vez de vos propor os óbvios destinos trendy para 2017, deixo três sugestões pragmáticas para quem ainda não tomou decisões sobre lugares a visitar (e como a poupança está na antecipação, decidir cedo é cada vez mais uma mais-valia).

1

Veneza

Veneza

Agora que está confirmada a eleição de um presidente americano que nega a existência do Aquecimento Global e da subida do nível dos oceanos, despachem-se a visitar qualquer tipo de atol, ilha, cidade litoral rasa, arquipélago coralino, e todos os lugares à beira-mar em risco de imersão nos próximos tempos. Entre outros lugares óbvios, no sector cultural sugiro Veneza, sem perder a visita, nos arredores, da catedral de Torcello; no sector lua-de-mel, se houver patrocínio de uma revista cor-de-rosa ou de um sogro abastado, o destino óbvio é o arquipélago das Maldivas, mas para noivos menos ambiciosos a Ilha do Sal é uma excelente alternativa e sempre tem mais animação do que a pasmaceira das Maldivas; no sector surf, as ondas de Bali quebram sobre coral que não flutua, ou seja, com o aquecimento global e a subida do nível do mar teremos uma espécie de maré cheia permanente e as bancadas coralinas de Uluwatu e Padang ficarão demasiado profundas para produzir as ondas mais perfeitas do mundo que atraem surfistas de todo o lado a Bali.

2

Argélia

Argélia

Países muçulmanos que ninguém ouve falar nas notícias, tipo Malásia, Quirguistão, Bangladesh e Argélia. Há quanto tempo não ouve falar da Argélia nas notícias? Perto, acessível e económica, eis uma nação muçulmana com algumas coisas fantásticas. As praias de mares plácidos e fundos cristalinos como Skikda ou Kala, as cidades com património extraordinário desde a ocupação romana como Constantine ou Tipaza, a exuberante e cenográfica kasbah de Argel, a Hipona de Santo Agostinho e, se a situação política permitir, uma viagem aérea até ao grande sul do Sahara, aliada à cultura milenária, e tradições rígidas e conservadoras que afastam todos os turistas e viajantes em busca de destinos trendy, fazem da Argélia o destino menos trendy mas mais apetecível desta lista de sugestões.

3

Lubeck

Lubeck

Cidadezinhas europeias de média dimensão, com qualidade de vida e serenidade corriqueira, sem nada de extraordinário a assinalar mas ideais para um passeio de bicicleta, umas compras despreocupadas, um aperitivo ao fim da tarde a ver as pessoas passar, um jantar no restaurante de bairro que não tem classificação nem estrela nenhuma nem preços galáticos: Spoleto, Trujillo, Albi, Deventer, Lubeck, Saint Ives, Cesky Budejovice,. shhiuu, não digam a ninguém e vão depressa, antes que estas cidades fiquem trendy.