GALERIA DE FOTOS - O REGRESSO DOS BICHOS

INFOGRAFIA - ANIMAIS À SOLTA

É um uivo. Inequivocamente um uivo de lobo que ecoa nos corredores da Faculdade de Ciências de Lisboa. E é insistente, persiste. Até que o professor e investigador Francisco Petrucci-Fonseca põe termo a esta saudação lupina e atende o telemóvel. Para ele, que dedicou a sua vida académica ao estudo e proteção do lobo ibérico, este é um som agradável. Nem percebe quando algumas amigas lhe pedem para mudar de toque.

Sempre apreciou lobos. Já em criança, aos 4 anos, quando avistou, pela primeira vez, um exemplar, na serra da Estrela (hoje estão extintos nesta cordilheira); em adolescente, através dos livros de Aquilino Ribeiro ("Aquilino compreendeu o lobo, foi o primeiro a ajudar a protegê-lo."): "É mal-amado porque não o conhecemos.

O grande problema é a falta de conhecimento. Como o medo do escuro, quando se cresce e se percebem as coisas, passa." Um animal fascinante, considera. O mais carismático dos nossos carnívoros. "Mata para sobreviver, se lhe tiramos as presas naturais, é evidente que criaremos fonte de conflito."

Cheio de fascínios, muita inteligência, capaz de alcançar os 50 km/hora em segundos, de dar saltos de 5 metros, com uma visão apurada de 250 graus, um faro prodigioso que dispõe de 225 milhões de células olfativas, uma capacidade de resistência inigualável, capta a passagem de presas a mais de 250 metros de distância, e possui técnicas de organização de caça e de hierarquia em grupo notáveis. E, no entanto, o lobo é tão desalmadamente perseguido, caçado, envenenado... Hoje, estão extintos a Sul do Tejo - quando chegaram a cobrir todo o território - confinados a uns 300 indivíduos, refugiados em zonas remotas de serra, na raia. Este ódio ainda enraizado nas culturas rurais começou logo "a partir do momento em que o homem se fixou e disputou espaço e alimento ao lobo". Até aos anos 70, os caçadores recebiam recompensas, exibiam os troféus, eram louvados pelas populações... Um antagonismo ancestral que ainda hoje se sustenta em lendas infantis, fábulas e muitos mitos, assegura o professor. O único caso registado, refere, de um ataque de lobo a um homem remonta à década de cinquenta. E tratava-se de um animal com raiva - com raiva até o mais pacífico dos corços pode investir contra um humano. Mas ficou cristalizada a ideia de "lobo mau".

Nada a fazer - a não ser a reeducação ambiental. "Os humanos 'estragaram' todo o equilíbrio entre presa e predador. Modelámos o habitat, a paisagem e as próprias espécies. É óbvio que, tendo-lhe sido retiradas as hipóteses de presas silvestres (corço, veado e javali), o lobo tem de estar sempre junto ao homem, e aos animais domésticos, alvos muito fáceis para ele." Os rebanhos são como que um self-service para o lobo. E isto pastores e aldeões não perdoam.

As alcateias mais estáveis residem no Gerês e em Montesinho, e apesar de diminuição da pressão demográfica, todo o território português está demasiado esquartejado de betão, autoestradas, viadutos, pedreiras, barragens, e agora os postes de energia eólica, que esventram caminhos até aos cumes das serras, até pontos antes inacessíveis, e enchem os lugares de ruídos, roncos de motores, rumorejos humanos. E o lobo está muito atento, demasiado escaldado de tantos séculos de perseguição. No entanto, dado o aumento de presas e a diminuição de densidade humana, o professor manifesta um otimismo prudente: "Foram avistados lobos junto da fronteira, na Guarda e Castelo Branco, zonas onde a sua existência já foi quase nula, e essa presença esporádica pode indiciar um regresso, embora lento." A perseguição humana é ainda demasiado feroz, encontram-se cadáveres de lobos assassinados, a tiro, envenenados, atropelados... Ao contrário dos EUA, por exemplo, não são feitas análises forenses aos animais em vias de extinção, indevidamente abatidos, e os transgressores ficam impunes. "Não há vontade política", afirma Fonseca-Petrucci. Por outro lado, as indemnizações estatais atribuídas aos pastores por morte de animal doméstico causada por ataque de lobo chegam tardiamente. O que provoca revolta, e não há meio de se desfazer esta animosidade. Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005), o Lobo é considerado "em perigo". E somos nós o seu inimigo "número um".

Depois, há os mitos, as lendas tão difíceis de desenraizar como ervas daninhas, que se propagam e infiltram e quase se tornam facto. Por essas aldeias fronteiriças, muita gente diz que os cientistas andam a libertar lobos, falam de carrinhas brancas, até de helicópteros que largam estes animais - "o que é absolutamente falso. Em Portugal não se faz libertação de lobos. Seria o mesmo que apagar um incêndio com gasolina". O que pode estar na origem destas falsas ideias são os grupos de cães abandonados que se organizam em matilhas - "estas, sim, muito mais perigosas para o homem do que as alcateias". O comportamento da alcateia é tipificado, muito mais estável, há um patriarca que estabelece a hierarquia, "os lobos têm um objetivo, não tomam atitudes gratuitas, temem o homem, não se aproximam". Os cães abandonados podem não ter este temor inscrito no ADN, assumem comportamentos desafiantes, agressivos, e, entre eles, não está definido qual o indivíduo dominante. Aliás, como morfologicamente um cão e um lobo nem sempre são distinguíveis, um método que os investigadores utilizam para identificar se as pegadas são ou não de canis lupus é pelos rastos. Os dos cães são desordenados, andam à toa, param para cheirar, dispersam-se, distraem-se, dão voltas, invertem a marcha... "A trilha de um lobo é uma como seta. Eles sabem exatamente ao que vão, não se distraem, seguem um rasto de uma presa, decididos. Podem fazê-lo durante dias. Tudo o resto, para eles, é perder energias."

Cães 'Peter-Pan'

Para inverter esta intolerância face ao último grande predador da nossa fauna, o Grupo Lobo, presidido por Francisco Fonseca criou um projeto de distribuição de cães aos pastores que partilham o território com lobos. Em 20 anos, foram entregues cerca de 300 cães de gado. Ao contrário de outros países que não possuem este tipo muito específico de cão de trabalho, Portugal tem quatro raças autóctones (Serra da Estrela, Rafeiro Alentejano, Castro Laboreiro, e Cão de Gado Transmontano) - o que, para um país tão pequeno, é considerado pelos biólogos "fabuloso", basta ver que, em França e em Itália, existe apenas uma raça destas -, todos eles muito corpulentos, com uma resistência inexcedível, os cães de gado são os únicos capazes de fazer frente a um lobo - ou pelo menos de mantê-los ao longe. "São alvo de uma seleção comportamental com centenas de anos para não terem atitudes predatórias com o rebanho, criam laços afetivos fortíssimos com os carneiros ou as cabras e a sua morfologia tornam-nos capazes de desencorajar o ataque do lobo, e diminuir o prejuízo para os pastores. Têm, no fundo, um efeito dissuasor", explica a bióloga Sílvia Pereira, encarregada desta distribuição. Às vezes, o grande perigo são as chamadas "lobadas", um ataque em massa, em que são mortas dezenas de cabeças de gado. "Com estes cães, essas matanças tornam-se difíceis." A redução dos prejuízos resultantes de ataques de lobos, verificou-se em 75% dos casos. "No fundo, estes cães são, se quisermos, a versão doméstica do lobo." Como se fossem lobos imaturos, com um comportamento infanto-juvenil, cães peter-pan que nunca tivessem crescido. Mas levam o jogo de farejar o lobo muito a sério.

Na Serra de Montemuro, em Castro de Aire, para os lados de Viseu, toda a gente tem histórias de lobos para contar. Nas aldeias, nos cafés, nos largos, todos já escutaram o seu uivar, já o avistaram no cimo de uma colina, já lhe "berraram" para o afugentar. Contam a história da carrinha branca que chega de noite para soltar lobos. Dizem que não têm medo dos lobos de antigamente, "agora, nestes novos, não se pode fiar". Também dizem que se um lobo nos estiver a observar "passa-nos um arrepio pelo corpo", como um mau pressentimento. Ninguém da equipa SIC/VISÃO sentiu esse arrepio premonitório.

E, no entanto, eles andam nas redondezas, ainda no dia anterior um cabrito fora levado na boca de um lobo, por aqueles campos. E ninguém o apanhou. O pastor Dimas da Silva Paiva, 56 anos, conta a história com um misto de angústia e alívio. É que ele foi um dos galardoados com um cão do projeto do Grupo Lobo, em 2005: a Farrusca, uma Serra da Estrela de pelo curto. Depois, chegaram o Piloto, a Silvana e o Taquara. Toda a gente da terra lhe gaba os cães. "Não há melhores que os meus", envaidece-se. Guardador de rebanhos (e de sonhos, talvez), desde os 6 anos, Dimas sempre andou nestas corridas, a acudir às cabras e a afugentar os lobos, colina acima, a gritar-lhes, com o cajado. "O lobo é um animal medroso, a gente deita-lhe um berro e ele foge. Os cães dantes não eram a mesma coisa, vai na criação... A gente não sabia criar um verdadeiro cão de gado. Os cães andavam connosco para todo lado. Estes não, dormem no estábulo, andam sempre com o rebanho, não o largam. Se quisermos levá-los connosco para qualquer lado, temos de o atar com uma corda e eles ficam danados." De facto, são cães diferentes, e quase indiferentes à presença humana. Na ondulância da serra veem-nos chegar ao longe, viram para nós toda a atenção, mas rápido detetam a ausência de perigo e passam ao lado. Somos humanos, não uma ameaça, logo invisíveis. Não são cães que venham ladrar, abanar o rabo ou rogar uma festa, pura e simplesmente não se interessam por nós. "Eles têm amizade aos donos", atalha Dimas, "mas têm muito mais amizade ao rebanho", admite.

Terceiro de dez irmãos, Dimas ainda tentou a emigração, para a construção civil da Suíça. Esteve lá dez anos. Quando entendeu que era altura de regressar, já só encontrou solidão, campos ao abandono, e a arrogância das turbinas de energia eólica, gigantes de D. Quixote. Na aldeia de Levedas, encravada num vale, em Montemuro, sempre tão plena de vida e de cheiros (terra de mel e madeiras), conhecida por ter "as mulheres mais bem-trajadas e bonitas da região", os velhos morreram, os novos partiram. Uma aldeia fantasma, de casas esventradas, cercados despenhados, onde já nada mexe - apenas a água da fonte continua a correr.

O mato galgou caminhos, infiltrou-se pelas paredes de xisto, cresceu dentro de portas. Onde havia cultivos, hoje há silvedo, giestas e urze. Onde havia habitações, hoje há ruínas e a memória do que delas resta. Dos velhos ofícios remanescem vestígios de utensílios deixados para trás. O traçado das ruelas, dantes pisado por homens, é agora usado por raposas, lobos e algumas cabras extraviadas.

Dimas olha em redor, tem a nostalgia na visão. Lembra-se de quando ele e os irmãos calcorreavam essa serra toda, durante a noite, para irem aos bailes, namorarem as raparigas. Havia lobos, pois havia. Ouvia-se uivares, pois ouvia. Não lhes metia medo. E, às vezes, nem um cajado se lembravam de levar, tal era a normalidade com que conviviam com o predador. "Hoje, está tudo parado." E só as vacas arouquesas continuam indiferentes, com o seu colar de sinos vários, a pontuar a paisagem de uma melodia melancólica e a remoer o tempo. Este, o outro e aquele que há de vir.

A expansão árabe

Muito menos carismático, com metade do charme, bem mais discreto e esquivo, um outro carnívoro, o sacarrabos está a tornar-se um caso de estudo muito intrigante para os investigadores portugueses. De origem africana, este animal rasteiro, de estranhas pupilas horizontais, já se encontra no nosso país há centenas e centenas de anos. Diz-se que terá sido introduzido pelos árabes como animal doméstico pela facilidade com que resistia aos venenos de cobra, explica Tânia Barros, bióloga da Universidade de Aveiro (Unidade de Vida Selvagem, Departamento de Biologia e CESAM). Ao regressar ao estado selvagem, disseminou-se mas conservou-se sempre a sul. Porém, nos últimos 20 anos, começou a expandir-se, subitamente, para o centro e norte de Portugal. E chegou até zonas onde nunca havia sido avistado antes. "É uma espécie oportunista e dispõe de uma dieta alimentar de ampla gama, desde bagas, anfíbios, vegetais, pequenos roedores, coelhos, daí a sua grande adaptabilidade. Mas esta expansão tão rápida pode estar relacionada com vários fatores: alteração do solo, abandono agrícola, o que fez com que houvesse um crescimento gradual de áreas de mato, propícias a este animal que necessita de uma densa cobertura vegetal", observa. "O seu principal predador era o lince, a extinção deste também pode ajudar a expansão do sacarrabos." O outro inimigo é, claro, o homem.

O dono de um galinheiro, em Figueira de Castelo Rodrigo, apanhou um sacarrabos, enquanto este se refastelava no seu galinheiro. Nunca houvera visto um bicho assim. Telefonou para o Parque Biológico de Gaia e perguntou: ficam com ele ou mato-o? O parque ficou com ele.

Primeiro centro permanente de educação ambiental do País, este parque ocupou 35 hectares de antigas quintas agrícolas ao abandono. Hoje conserva os ecossistemas naturais e abriga, em estado selvagem e semisselvagem, centenas de animais. Quarenta espécies de aves selvagens nidificam no parque. Manuel Azevedo Costa é filho de um dos últimos lavradores da região, hoje é um dos funcionários do parque. Dantes, ajudava a matar as raposas, hoje cabe-lhe protegê-las. Não se ligava muito a estes animais, ele pouco andou na escola, preferia as corridas, com os amigos, a passar por debaixo das vacas. "Atualmente, isto está muito diferente, vai-se por aí abaixo e não há quintas, não há gado, não há nada." Sacarrabos é animal que nunca tinha visto naquelas paragens, mas o que estranha é os miúdos que visitam o parque "não saberem distinguir uma vaca de um boi e uma galinha de um galo". "E os professores muitas vezes também não lhe sabem explicar", ri-se.

Tânia Barros, no âmbito das suas investigações académicas, faz recolhas de pelo de sacarrabos para análise genética. Com a amostra, consegue extrair ADN e caracterizar o perfil genético dos indivíduos. Cada vez mais os avanços na genética molecular e nas tecnologias de observação direta permitem aos investigadores estudar os animais no seu habitat, sem métodos intrusivos, nocivos e causadores de stresse. Paulo Caetano e o biólogo e investigador Joaquim Pedro Ferreira (do mesmo departamento da Universidade de Aveiro), autores dos melhores álbuns de divulgação de fauna ibérica, cada vez que saem para o campo, vão artilhados de tecnologia, tendas e fatos de camuflagem, lentes de longo alcance, câmaras de infravermelho e doses extra de paciência. Para apanhar imagens de lontras, escolhem Salrreu, perto de Estarreja. Ao contrário de outros países europeus, Portugal é um santuário para as lontras. Já não há interesse comercial na pele, a sua carne é intragável, e com o abandono progressivo da pesca fluvial, as lontras foram tomando conta de riachos, lagoas, ribeiras de muitos dos nossos rios. E há outro fator fundamental para esta abundância destes mamíferos nadadores, lembram os autores dos livros: "A praga de lagostins exóticos, um verdadeiro manjar para as lontras." Só que este é um animal crepuscular, oculta-se em tocas, nos rebordos das ribeiras, entre lodos e vegetação. Para conseguir captar a imagem de algumas delas, os investigadores terão de passar muitas horas de imobilismo, debaixo de sol e chuva, dentro de tendas e fatos que se confundem com a vegetação, sem fazer o mínimo ruído, evitando ao máximo todos os cheiros químicos, como gel de banho ou desodorizante. Sobretudo, explicam, o essencial é descobrir o melhor ponto de observação: "Salrreu, com esta vegetação arbustiva fechada, ladeada por linhas de água é um paraíso para elas. Estamos dentro de um condomínio de luxo para lontras; um dois em um, muito alimento e imensos refúgios", comenta Joaquim Pedro, nesta altura já completamente camaleónico, fundido na paisagem, com um fato e chapéu de folhas e a cara mascarrada, como um soldado da guerra do Vietname. Só que aqui não vem matar, mas ver viver. Apesar de tão presente, a lontra é um animal esquecido. "Se nós pensarmos na maioria dos documentários de vida animal que passam na televisão, são quase todos sobre África, e nós cá também temos animais fascinantes com histórias fantásticas, mas não tem havido um investimento para os dar a conhecer. Eu, neste momento, estou a juntar os dois mundos que adoro: a investigação e a divulgação. Poucas pessoas saberão que, em Portugal, já existiram ursos e há toda uma variedade de espécies que urge conservar."

Ainda mais esquecidos, ainda mais esquivos, ainda mais invisíveis: os corços (veado de pequenas dimensões). Aliás, chamam-lhes "duendes da floresta", porque mal aparecem logo desaparecem. Por vezes, explica a bióloga Rita Torres (Departamento de Biologia &CESAM da Universidade de Aveiro), fica a dúvida se eles terão passado mesmo através das árvores, ou se foi apenas uma ilusão. A observação direta é difícil e casual. Os biólogos têm de percorrer alguns trilhos, buscando excrementos, pegadas, hastes caídas ou marcações nas árvores. O corço é o herbívoro mais tímido da fauna portuguesa. Até à década de 80, a sua presença em Portugal foi bastante discreta, mas, nos últimos 25 anos, tem vindo a expandir-se. O êxodo das populações rurais para as grandes cidades litorais e consequente abandono das atividades agrícolas elevou a percentagem de coberto florestal - habitat ideal para este cervídeo. As fêmeas, continua Rita Torres, apresentam uma particularidade fascinante e única entre os veados europeus: "A diapausa embrionária ou gestação suspensa. O embrião fica como que adormecido, durante cerca de 5 meses, de forma a fazer coincidir o nascimento da cria com o início do verão, quando há mais disponibilidade de alimento." Atualmente, procede-se, em Portugal, a um repovoamento de corços. Justamente nas áreas habitadas por lobos: "A ideia é aumentar a disponibilidade de presas selvagens para o lobo ibérico, numa tentativa de reduzir os ataques ao gado doméstico e diminuir os conflitos entre o lobo e o homem." Parece um contrassenso introduzir um animal para se tornar presa, mas a bióloga diz que é "uma questão de restaurar o ecossistema". Perante uma alcateia, o corço não têm defesa. "A fuga... apenas." O lobo, novamente. Lá no pódio da sua cadeia alimentar.