Nas alturas da serra, escolhe-se sempre a direita, tentando não deixar a autocaravana cair nos buracos e distraindo o olhar no passo miúdo das perdizes. A meio caminho, surge a placa para o Corte da Medronheira, onde mora "Joaquim das Pinhas". Dali até Barão de São João, segue-se a direito.

"É meia hora na 'pedaleira', sempre a descer", há de dizer Joaquim Guerreiro Bernardo, homem rijo, de 80 anos, que ali mora sozinho com a mulher. Companhia a tempo inteiro só têm a dos quatro cães porque os dois filhos já abalaram, um para Lagos, outro para Brejos de Azeitão. À noite, o rafeiro alentejano "Passa Fome" defende-os de eventuais "piratas". 

A casa está protegida com uma grade de metal e uma placa em que se lê "Proibido Entrar, Propriedade Privada". Os algarvios raramente convidam para suas casas, e Joaquim, que viveu a primeira metade da vida em Pinhas, localidade do concelho de Odemira, oferece aguardente de medronho mas os copinhos ficam do lado de fora. 

A propriedade pertence a umas pessoas de Monchique, tem 210 hectares, uma pequena barragem e sobreiros que rendem boas tiradas. Eletricidade é através da energia solar e telefone só fixo e de "trambólica". 

Quando desce a Barão, "Joaquim das Pinhas" põe a conversa em dia e trata de burocracias. Madalena Correia, funcionária da junta, conhece-o bem, mais ainda desde que passou a acompanhar os recenseadores até à serra de Espinhaço de Cão, no limite da freguesia, para tratar da papelada do Census de 2011. Mas nem ela arrisca um caminho até ao Corte da Medronheira que possa ser percorrido numa autocaravana comprida e alta como a da VISÃO. 

Sem a ajuda de Afonso Marreiros (Leia a reportagem na revista de quinta-feira, 7), que também mora isolado na serra, não teríamos conseguido encontrá-lo.

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