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Helena Vila Verde

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL

Isto aqui é um pouquinho de Brasil, desse Brasil que canta e é feliz...

Nós lá fora

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL - Os brasileiros sabem dar uma festa, assegura esta portuguesa a viver no Brasil, que conta a sua experiência com três tipos de festas diferentes: uma privada, um casamento e uma infantil

A alegria e energia do Brasil, o sorriso fácil dos brasileiros são conhecidos em todo o mundo. Confesso que isso teve algum impacto em mim ao longo dos anos, que passei a ser mais positiva, a levar a vida com mais leveza e ver tudo o que tenho para ser feliz. Os brasileiros têm muitas palavras e expressões deliciosas e acho que a minha frase favorita dentro deste contexto é “No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não é o fim”.

Não sei se, por isso, os brasileiros são tão festeiros e têm duas das melhores festas do mundo: Carnaval e Passagem de Ano. Uma coisa sei, que nas festas brasileiras tem sempre muita música, muito álcool, dança e boa disposição.

São Paulo é uma cidade que não dorme, tem coisas para fazer 24 horas, ou seja, é uma festa! Em São Paulo vemos festas em todo o lado: bares, baladas, rodas de samba ... e depois tem também as festas privadas de aniversários, de casamentos, ou do que se quiser, e eventos que são uma experiência única!

Os brasileiros sabem dar uma festa! O que não pode faltar: amigos, música, álcool e muito alto astral.

Quando se visita a cidade como turista, nem sempre se consegue ir a uma festa privada, mas vale bem a pena. Já fui algumas festas mais privadas e decidi aqui partilhar a minha experiência numa festa de aniversário de adulto, de casamento e aniversário de criança.

A primeira festa privada a que fui foi a um aniversário de 40 anos de um colega da sociedade de advogados onde trabalhava e digo-vos que foi uma das melhores festas a que já fui. Foi uma (maravilhosa) surpresa, porque era a primeira festa deste tipo a que íamos aqui no Brasil e, porque não sabíamos mesmo o que nos esperava. Começou numa casa enorme, que tinha até um campo de futebol anexo à casa (obviamente não do tamanho profissional). Quando chegámos, havia dois seguranças na entrada que asseguravam que estávamos na lista de convidados (ou não nos deixava entrar) e tinha até manobrista! Para quem não sabe, o manobrista é o senhor (ou senhores) que estacionam os nossos carros, nos restaurantes, bares e baladas da cidade e que no final nos trazem o carro de volta. Portanto, saímos à porta do restaurante e entramos à porta do restaurante (um sonho para quem adora andar de sapatos altos). Dentro da casa tinha um jardim delicioso, onde uma banda tocava música ao vivo. Não faço ideia do número de pessoas, mas era muita gente e havia muito álcool, uns garçons a servir umas comidinhas e mais álcool. Era delicioso ver tanta gente de diferentes idades a dançar e a conversar. Logo depois de terminar a música ao vivo, vieram os parabéns e de seguida um Dj para continuar a festa. O tempo, esse, estava maravilhoso, nem calor de mais, nem frio algum.

Algum tempo depois foi a vez de ir a um casamento. Os casamentos no Brasil são diferentes dos casamentos em Portugal. Quase sempre são ao final da tarde ou inicio da noite, raramente têm mesas com lugares marcados, os noivos têm vários padrinhos e madrinhas e depois da cerimónia eles entram diretos para a pista de dança.

O primeiro casamento a que fui foi no interior de São Paulo (ainda me falta ir a um casamento na praia aqui no Brasil) o que foi ótimo, porque ficamos todo o fim de semana com os noivos, família e convidados. O hotel era num local de golf, pelo que tinha um verde a perder de vista e uma piscina deliciosa. Os noivos, no convite, além de indicarem o local para dormir também indicaram locais para se ir ao cabeleireiro, o que realmente foi ótimo.

Na véspera do casamento houve uma mini-festa, mas infelizmente eu tive de trabalhar do hotel... e só comecei a aproveitar no sábado de manhã, com uma piscina maravilhosa e um passeio pelo hotel. Chegado o final do dia, lá fomos para o local da cerimónia. Era um casamento civil e tinha um grande corredor até chegar ao “altar”. Assim que começou a música, começaram a entrar um casal, depois outro, e depois outro.... em compasso certo e marcado, como se fosse um desfile de moda. Percebemos depois que eram (i) os vários padrinhos e madrinhas, (ii) os pais dos noivos, (iii) o noivo e, finalmente, (iv) a noiva. Cada “categoria desfilava” com uma música diferente. Foi diferente, mas foi “bem legal”. Depois, terminada a cerimónia, as pessoas levantaram-se e foram para o local da festa, que era ali do lado. Quando entrámos ficamos meios perdidos, porque toda a gente se começou a sentar e ficou um pouco de confusão. Percebemos que não havia lugares marcados e lá nos sentamos com alguns amigos que conhecemos. Ficámos na mesa, esperando os noivos, mas percebemos que já era para comer, porque as pessoas começaram a levantar-se a pegar a comida. O catering era um buffet (que aqui chamam de bifê) e cada um levantava-se e ia buscar a comida. Detalhe: os pormenores do que se vai passando vão sendo narrados ao microfone por um “mestre de cerimónias”, como se fossem as coisas mais importantes do mundo, e este vai sendo acompanhado de uma música altíssima para os momentos em que ele não fala. Inclusivamente, quando chega a hora, chama os pais e convidados, pela sua ordem certa, para virem tirar fotos com os noivos “E, agora, chegou o momento que a vovó e tia avó aguardavam: as fotos com os noivos. Aguenta coração de mãe...” (ou algo assim)

Quando os noivos chegaram à sala, entrou uma música, tudo parou, quem estava a comer, parou, e todos se juntaram a eles na pista de dança e nunca mais ninguém parou de dançar. Sinceramente, não me recordo de ver os noivos pararem para comer, mas lembro que foi dançar até os pés não aguentarem. E, como não podia deixar de ser, até isso tinha eles tinham pensado e havia uns sapatinhos tipo de ballet (aqui chamam de sapatilhas) para todas as senhoras calçarem.

Mais um detalhe: um casamento pequeno no Brasil tem 300 pessoas. E no final do casamento dá-se uma lembrança, que é quase sempre um bolinho chamado “bem casado”, que é um bolinho que leva doce de leite. E, sim, também existem casamentos com lugares marcados aqui no Brasil (já fomos a um), mas é mais raro de acontecer.

Da primeira festa de aniversário de criança que fui, não me lembro, mas lembro-me da primeira vez que fui a uma festa de aniversário em que pensei “então esta é uma festa de aniversário que eu já tinha ouvido falar”. Muitas vezes a conversar com outros portugueses e estrangeiros que aqui vivem, ficamos preocupados, por causa dos exageros e das expetativas criadas pelos filhos e pelos pais dos filhos. Aqui praticam-se alguns exageros no que toca a festas de crianças e adolescentes.

A festa a que fui tinha, pelo menos, umas 50 crianças, talvez mais, e outros tantos adultos ou mais. Aqui as crianças ficam sempre acompanhadas por um pai ou pelos dois, pelo que ter uma criança na festa significa, pelo menos, ter o mesmo número de adultos. A festa, além do tradicional baloiço, minitrampolim e escorrega tinha ainda vários animadores que faziam jogos e distribuíam pequenos presentes pelas crianças que participavam nos jogos, tinha vários carrinhos que faziam na hora pipocas, coxinhas de frango e pastéis de queijo e carne e, mais tarde apareceram o Mickey, a Minnie, o Pato Donald, a Margarida, o Pluto e o Pateta e fizeram um teatrinho que as crianças adoraram. Aliás, só eles estarem ali já foi um momento épico para as crianças. Escusado será dizer que a decoração da mesa do bolo era uma obra de arte. Tudo perfeito! E, no final, um presentinho personalizado, do aniversariante para os convidados, que era uma bolsinha com o nome de cada criança bordado. Confesso que fiquei impressionada, a minha filha divertiu-se imenso, acho que não comeu nada, com tanta coisa que havia para fazer e foi uma festa deliciosa.

Adoro as festas no Brasil, embora reconheça que algumas possam ser exageradas. Adoro a alegria dos brasileiros e acho que eles sabem dar uma festa, se divertir e aproveitar a vida.

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: 114 dias

Nas noticias por aqui fala-se da situação da Venezuela.

Um número surpreendente: segundo dados da Associação Brasileira de Eventos Sociais (ABRAFESTA), em 2017, o mercado de festas e eventos infantis (aniversários, batizados, descoberta do sexo do bebê, mês/aniversário e festas temáticas) foi responsável por movimentar R$ 17,2 bilhões no país e é esperado que 2018 tenha aumentado esse valor em 30%.

Sabias que em São Paulo algumas Igrejas têm uma lista de espera de 2 anos para conseguir uma data para casar?

Helena Vila Verde

Helena Vila Verde

SÃO PAULO, BRASIL

Nascida no Porto, é uma mulher do norte que rumou com o marido, na altura namorado, para o Brasil em 2011 à procura de novas experiências, culturas e oportunidades. Adora viajar, comer e sente muita falta do mar. Estudou direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto e trabalhou como advogada e consultora de tributação internacional até 2015. Depois de uma pequena pausa após o nascimento de sua filha, decidiu repensar a sua vida profissional e acabou fazendo uma mudança radical de vida e viver mais uma aventura: ser atriz. Hoje está a dar os seus primeiros passos como atriz e é também corretora numa Boutique Imobiliária.