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Planica, campeonato do mundo de saltos de ski

Nós lá fora

João Pita Costa

LJUBLJANA, ESLOVÉNIA - Por aqui, dos mais novos aos mais velhos, todos estão de certa forma ligados a esta tradição da neve que nos é tão exótica

As altas montanhas alpinas de Planica, a 5 km do conhecido resort the inverno de Kranjska Gora, Eslovénia, perto da fronteira com a Áustria
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As altas montanhas alpinas de Planica, a 5 km do conhecido resort the inverno de Kranjska Gora, Eslovénia, perto da fronteira com a Áustria

Eu e o meu filho Samuel de 3 anos, a apoiar os desportistas eslovenos (na ausência de Portugueses), num dia em que muitas são as famílias a assistir à competição.
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Eu e o meu filho Samuel de 3 anos, a apoiar os desportistas eslovenos (na ausência de Portugueses), num dia em que muitas são as famílias a assistir à competição.

Rampa de salto de ski em todo o seu explendor, onde se avista uma bandeira do Japão, um dos fortes candidatos ao título que sempre traz bons desportistas a este campeonato.
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Rampa de salto de ski em todo o seu explendor, onde se avista uma bandeira do Japão, um dos fortes candidatos ao título que sempre traz bons desportistas a este campeonato.

Homem-orquestra austríaco, na linha de espera para tirar uma cerveja. Um dos muitos personagens que dão côr a este evento com longa tradição
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Homem-orquestra austríaco, na linha de espera para tirar uma cerveja. Um dos muitos personagens que dão côr a este evento com longa tradição

Boneco a representar o Kekec, um dos mais famosos heróis eslovenos, uma personagem criada por Josip Vandot in 1918, encarnando um rapaz desta zona de montanha com um dia-a-dia ainda hoje muito típico
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Boneco a representar o Kekec, um dos mais famosos heróis eslovenos, uma personagem criada por Josip Vandot in 1918, encarnando um rapaz desta zona de montanha com um dia-a-dia ainda hoje muito típico

Um dos helicópteros que transporta quem quiser pagar 60 euros para fazer 5km (a distância ao local do envoto) com uma panorâmica fenomenal, e assim evitar o trânsito
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Um dos helicópteros que transporta quem quiser pagar 60 euros para fazer 5km (a distância ao local do envoto) com uma panorâmica fenomenal, e assim evitar o trânsito

Em terra alpina como é a Eslovénia, a época da neve é muito importante para a maior parte da população. De tal forma que no início de Fevereiro as crianças (e consequentemente os pais) têm uma semana de férias de inverno para se dedicarem aos vários desportos de Inverno. Estes vão desde o ski alpino ou o snowboard, à corrida na neve com skis em terra plana, escalada de cataratas geladas, skating nos lagos gelados, andar de trenó, etc. Dos mais novos aos mais velhos todos estão de certa forma ligados a esta tradição da neve que nos é tão exótica, muito porque em Portugal pouco neva.

E quando se diz novos, estamos a falar de infantários de ski que recebem crianças a partir dos três anos. E todos sabem que as crianças, por não terem medos nem pensarem demais, aprendem a esquiar muito mais rápido que os adultos. Mas ir para a neve também inclui o convívio, a comida de montanha nos pequenos restaurantes de madeira típicos das alturas, e apanhar sol. Sim, como se passam semanas com dia nubelado não podemos esperar pelo fim-de-semana para subir a uma qualquer montanha, com o trenó e as botas da neve no porta- bagagem onde aliás passam o inverno. E nem é preciso ter carro pois em meia hora de autocarro público estamos na montanha nevada.

E não há dúvida que uma dos grandes eventos do ano é o campeonato do mundo de saltos de ski, que passa pela Eslovénia todos os anos no final de Março. É um dos desportos nacionais mais apreciados e onde a Eslovénia foi campeã em 2016 com a medalha de ouro de Peter Prevc, muito celebrada um pouco por todo o país. Este é um evento organizado pela Federação Internacional de Ski (FIS) que este ano decorreu de 22 a 25 de Março em Planica, a 5 km do conhecido resort Kranjska Gora. Devido à apertada estrada para chegar ao recinto (como aliás é típico das estradas de montanha) a organização disponibiliza viagens gratuitas de carrinha e autocarro. Aliás, há até quem faça estes cinco quilometros de helicóptero, por 60 euros por pessoa, e com uma vista de certeza fenomenal.

Embora este ano a Eslovénia não tenha tido tão bons resultados como em anos passados, o ambiente de festa que se vive no recinto é contagiante. O público chega da Polónia, Áustria e Alemanha, mas outros apoiantes chegam até do Japão, um dos fortes participantes neste campeonato mundial. Ao som da música tradicional Golica, tão ligada às tradições deste evento e destas gentes, as montanhas vibram nestes dias de euforia. A banda mais famosa e transversal a estes países alpinos, é o Ansamble Bratov Avsenik cuja tradição tem passado de geração para geração, e está hoje viva nas mãos do neto Sašo Avsenik.

E antes de terminar não posso deixar de lembrar o grande nome esloveno do esqui alpino Tina Maze, com uma brilhante carreira no slalom gigante (nomes que para muitos Portugueses dizem muito pouco por estarmos tão longe desta cultura da neve). Tina foi a eslovena que mais medalhas obteve nos jogos olímpicos de inverno (com quatro medalhas olímpicas) e vencedora de um total de 26 campeonatos mundiais. Não admira que seja um ícone nacional que mais uma vez traz as atenções estrangeiras à Eslovénia, que não tem grande Futebol (embora conte com futebolistas brilhantes como o nosso conhecido Zahović ou o Oblak), mas que também sabe apostar noutros desportos que não o desporto rei. E eis os resultados.

O ambiente de festa no recinto a quando os desportistas eslovenos se iniciam nos primeiros saltos deste último dia do campeonato do mundo.

O salto do esloveno Peter Prevc, campeão do mundo de salto de ski em 2016, visto da televisão da cabana de montanha, para ter uma ideia da dimensão do salto.

João Pita Costa

João Pita Costa

LJUBLJANA, ESLOVÉNIA - Doutorado em Matemática e editor da revista bilingue luso-eslovena Sardinha (www.sardinha.tv). Vive na capital eslovena desde 2007 e há vários anos que organiza eventos para promoção da língua e cultura Portuguesa. Chegou a Ljubljana há 10 anos para estudar e explorar os surpreendentes pontos de encontro entre as duas culturas. Trabalha em tecnologia, mas já esteve à frente da galeria de arte Tukadmunga, de um popular duo de música eletrónica, e ao mesmo tempo é marido e pai de um luso-esloveno que representa uma nova identidade na nossa Diáspora.