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Viagens ao preço da chuva!

Nós lá fora

José Mascarenhas

AMESTERDÃO, HOLANDA - Depois de três anos fora, umas cinquenta viagens pela Europa, posso partilhar umas dicas

Correndo o risco de ter um título propício a publicidade enganosa - ou de estar a usar técnicas de marketing fraudulentas - posso desde já avisar que este texto não tem nenhuma fórmula mágica. Não há nenhum site com descontos a 90%, não existem códigos que reduzem o preço das viagens. Tirando casar com uma hospedeira de bordo ou capitão, temos de pagar o que nos pedem. Não há favores, “descontinhos”, atenções especiais.

Entregues todas as advertências, lembrei-me de escrever esta crónica porque em Janeiro deste ano apercebi-me que já tinha marcado umas seis viagens para Portugal, estando a última marcada para Setembro de 2018, comprada em Outubro ou Novembro de 2017, quase com onze meses de antecedência. À primeira vista pode parecer um pouco louco, mas há uma lógica por detrás da insanidade mental. Depois de três anos fora, umas cinquenta viagens pela Europa, posso partilhar umas dicas, que podem servir para alguma coisa. Ou não, dependendo de quem lê. Fica aquilo que fui adquirindo com o tempo, experiência e muitos euros deitados ao lixo.

É certo que comprar bilhetes de avião com antecedência faz com que fiquem mais baratos. Claro que sim, até aqui nada de novo. Aquilo que comecei a notar é que se fugirmos das datas previsíveis, como ir a uma sexta e voltar ao domingo, que os preços ficam muito, muito mais baratos. Ou seja, tentem procurar passagens que ida a uma terça, com regresso a uma segunda-feira da semana seguinte, por exemplo, para quem procura uma escapadela de uma semana. O preço por passagem baixa em média quase para metade, para alguns casos. Comprar uns meses com antecedência também ajuda, mas se estiverem nas crista da onda, há vantagens. A easyJet, por exemplo, lança datas seis meses antes dos voos. A meio de Abril já estão a desbloquear as datas de Outubro a Fevereiro. Tentem marcar no dia em que as datas aparecem no site. Outra recomendação é esquecerem os emails de companhias aéreas com viagens Lisboa-Milão, ou Lisboa-Barcelona a 40 euros. Sim, é possível aproveitar essas promoções, mas só se estiverem preparados para estar no aeroporto de madrugada e regressar a meio da manhã. Não vale o esforço e perdem-se dois dias. Um pelo cansaço e outro porque regressamos cedo demais.

Outra dica é passar algum tempo no site Google Flights, que consegue dar uma visão de todas as companhias. E ir com frequência para ver se os preços baixam ou aumentam. E marcar o quanto antes.

Passando para os quartos de hotel. Aqui não há grande ciência. Se viajarem muito, aconselho desde já a abrir uma conta no Booking para empresas. Não precisam de pagar nada ou mesmo de ter empresa. Depois de umas cinco reservas, passam a ter o nível “Genius”. Não nos dá mais neurónios, mas 10% de desconto em cada reserva e direito a promoções que o perfil normal não mostra. Tentem marcar o quanto antes, porque os melhores sítios têm tendência a desaparecer com facilidade. Airbnb também é uma boa opção, mas apenas se marcar mais de quatro dias. Com as taxas de limpeza e outras tantas que nunca percebi, acaba por ficar ao mesmo preço de um hotel, se marcarem menos de quatro dias.

Uma dica importante, para os hotéis. Depois de ver o preço no Booking, liguem directamente para o hotel a saber se há descontos se marcarmos com eles. Geralmente há sempre, mais não seja porque assim o hotel não tem de pagar comissão à Booking.

Termino com o aluguer de carro, que geralmente achamos ser muito caro, mas que na realidade não é. Vejam o site www.rentalcars.com. Na maior parte das cidades europeias é possível alugar um carro por quatro euros por dia. Sim, quatro euros. Claro que podemos acrescer as taxas de seguros e etc, mas se arriscarmos (o que eu faço sempre), fica mesmo por quatro euros por dia. Por exemplo, uma escapadela de três dias, em que temos de ir de táxi ou Uber, do aeroporto para o hotel (e depois o caminho oposto), fica mais caro que alugar um carro nos dias todos. E geralmente quase todos os aeroportos têm as rent-a-car dentro no próprio aeroporto. Ou seja, é sair do avião e pegar no carro, conduzir durante a viagem e depois devolver quando voltarmos ao aeroporto para o regresso a casa. Duas dicas importantes. Alugar sempre com estas duas opções: no terminal, para não de apanhar um autocarro para um descampado qualquer a vinte minutos do aeroporto, que é sempre uma seca e a última coisa que queremos antes ou depois de voo. E escolher sempre um carro com quilómetros ilimitados. Não é simpático pagar cada quilómetros que se faz a partir daquilo que eles permitem.

Ficam estas dicas. O pior desta crónica é que não é patrocinado por nenhuma marca. Porra!

José Mascarenhas

José Mascarenhas

AMESTERDÃO, HOLANDA Não há mesmo muito para dizer. Tenho 34 anos e nasci em Lisboa. Fui jornalista, guionista, criativo e professor. Trabalhei em eventos, em marketing e televisão. Tenho uma licenciatura e mestrado, que me enchem o peito mais que esteróides. Fiz de tudo, mais ou menos bem. Há um ano e meio fui trabalhar e viver para Budapeste. Agora estou por Amesterdão. Todos os dias sinto falta da praia, do mar, da comida, e por incrível que pareça, descobri um amor por Portugal que não julgava existir.