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Filipa Araújo

MACAU - Uma das maiores vantagens de Macau é a sua localização geográfica

Macau está no sítio certo. Eu explico. Creio que uma das maiores vantagens – e mais apreciada – de Macau é a sua localização geográfica. Estamos “quase ali” das inenarráveis praias paradisíacas da Tailândia, a menos de duas horas da cidade louca de Bangkok, a um passinho do encantador e frenético Vietname, a um palmo da paz do Laos e da tranquilidade do Camboja. Estamos a meia sesta de Singapura, a um pulo da Grande Muralha e a um danoninho de apaixonante cidade de Xangai.

Podia continuar. A lista não pára. Desbravar a China é uma aventura inexplicável, voar até Sydney é um sonho tornado realidade e meter um pé na Nova Zelândia é rejuvenescer 10 anos. Temos uma relação tu-cá-tu-lá com o Japão e somos vizinhos da Indonésia.

Há mais. Do outro lado, temos o Uzbequistão, o Irão e todos os outros acabados em ão. Outra vez, eu podia continuar, mas vou-me ficar por aqui. A localização de Macau está a roçar a perfeição e embora tenha assumido papel de centro de relações de outros tempos, agora as viagens são outras. Nós, por aqui, lá vamos usufruindo do seu lugar de ouro.

Escreveu uma autora que anda pelas estantes lá de casa, que vivia dias de angústia entre os dilemas de viver uma vida inteira à espera do tempo certo ou de se deixar ir naquele instante. Passear-se por aí. Fosse onde fosse.

Se há quem não goste de viajar, (não é o meu caso), há também quem já tenha criado um nome para aqueles que padecem desta necessidade constante de viajar, de sítios, cheiros, sabores, céus de outra cor. De rostos que contam outras experiências, que ditam outras regras. De nomes impronunciáveis.

Peca por ser insuficiente quando respondo que “vivo em Macau”. Não minto, mas falta-lhe a ilustração que o “viver aqui” implica. Aquele que vive em Macau, aquele, o viajante, sabe que quando recorda ou fala de Macau lhe acrescenta o Pho do Vietname, a pele queimada da Tailândia, o silêncio do Myanmar, o vento a bater na cara das viagens de motorizada pelo Camboja.

Sabe que Macau não se resume às suas fronteiras físicas. É muito mais do que isso. Sabe que Macau é a mistura de todos os pedacinhos de cultura que trazemos nas malas depois de uma viagem, mas também de todas as culturas que por aqui passam. Sabe que não são os macaenses. São os macaenses, os filipinos, os portugueses, os australianos, os chineses, os tailandeses, os franceses, os malaios. Somos todos.

Não somos os melhores. Em jeito de verdade, são mais as vezes que podíamos ser melhores do que aquelas em que realmente somos os melhores. Mas não somos apenas Macau. Somos um pedaço do mundo aqui plantando. Somos os escaldões, o padthai, a Tsingtao, o tapau, a lusofonia, a capoeira do mestre Eddy, os lai sis, somos culturas.

Filipa Araújo

Filipa Araújo

MACAU, MACAU Apaixonada por letras, pessoas e lugares, não se lembra de querer ser outra coisa senão jornalista. Antes sequer de partir já tem a mochila às costas. Esteve em jornalismo de agência e em assessoria em Portugal, mas não hesitou quando a convidaram para voar até a Macau. Ir é o seu verbo favorito. Escrever, uma paixão. Gosta de rir e observar tudo à sua volta. Diz que o amor é o que a faz viver. Não disfarça quando algo não lhe agrada e levanta o sobrolho quando dá opiniões. Adora sushi, mas era incapaz de deixar de comer carne.