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Vai um pastelinho de nata?

Nós lá fora

Tiago Antunes

BRUXELAS, BÉLGICA - Por ocasião do dia de Portugal, a comunidade lusa organiza uma grande festa popular num dos parques mais bonitos da cidade – o Bois de la Cambre

Este ano não deu para ir festejar os Santos a Lisboa (ainda! O São João que me aguarde). Mas tive direito a uma festa de grande portugalidade, aqui mesmo em Bruxelas. E até acabei numa barraquinha, a vender “natas”.

Por ocasião do dia de Portugal, a comunidade lusa organiza uma grande festa popular num dos parques mais bonitos da cidade – o Bois de la Cambre. E lá fui eu, espreitar o acontecimento e conviver com os meus concidadãos (a festa é um chamariz, passei a tarde a encontrar gente conhecida) e não só.

Antes de ir, porém, ainda incorri num equívoco, próprio de quem não está familiarizado com os hábitos da comunidade local. Sendo a festa destinada a celebrar o 10 de junho, convenci-me que seria no dia respetivo, isto é, no passado sábado. Felizmente avisaram-me in extremis que não, que ao sábado muitas pessoas trabalham, pelo que a festa é sempre no domingo mais próximo. Mudados os planos para o dia seguinte, pus-me então a caminho com alguns amigos. Ao aproximar-nos, o cheiro a sardinha e o refrão “eu sei, eu sei, és a linda portuguesa com quem eu quero casar” não deixavam margem para dúvidas: estava a chegar ao meu país.

Havia música pimba, como em qualquer bom arraial, havia fandango, havia uma cantora no palco que de 5 em 5 minutos tentava arrancar um “ó malhão, malhão” coletivo, mas sobretudo havia muita comida. Chouriço assado, sardinha, entremeada, febras, broa de milho e muita superbock – foi este o nosso menu. E muitas mais iguarias portuguesas por lá havia. O que já não havia era mesas livres, tal a afluência de gente, mas logo se improvisou um espaço de refeição na relva e ali fizemos o nosso piquenique.

Depois do repasto, impunha-se um cafezinho Delta e um pastel de nata. Mas – sacrilégio! – não é que estes já tinham acabado? Uma amiga minha, de serviço na barraquinha dos bolos, prometeu-me enviar um sms quando chegasse a próxima formada. E assim foi. Refastelado com a sobremesa, era chegado o momento de dormir uma sesta. E que bem me soube, à sombra de uma árvore, aquela “power nap”.

Devidamente recomposto, decidi ir dar uma volta e explorar o resto da festa. Cirandei por entre típicas famílias portuguesas em pleno gozo domingueiro, assisti à atuação do rancho folclórico, provei uma fartura e fui novamente visitar a minha amiga na barraquinha dos pastéis de nata. A azáfama era tal que acabei por ali ficar, ajudando a vender pastéis e a fazer trocos. A clientela não parava de chegar, numa torrente contínua de portugueses e estrangeiros, conhecedores e curiosos, todos ávidos por saborear aquela especialidade lusa. E assim voaram, em poucas horas, 1.300 “natas”.

Dei por mim a pensar que a expressão “isto sai que nem pãezinhos quentes” precisa de ser atualizada. Naquela festa, pelo menos, o que tinha mais saída eram os pastéis de nata. Quentes, pois claro. Quentes e bons.

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: 16.

Nas notícias por aqui: o Presidente da Câmara de Bruxelas demitiu-se após a revelação de que recebia um salário de uma organização sem fins lucrativos destinada a apoiar os sem-abrigo.

Sabia que por cá: o Primeiro-Ministro belga perdeu parcialmente a audição em consequência do tiro de pólvora seca disparado pela Princesa Astrid para marcar o início da meia-maratona de Bruxelas.

Um número surpreendente: há tantos gatos como jovens menores de 18 anos em Bruxelas: 27 por cada 100 habitantes.

Tiago Antunes

Tiago Antunes

BRUXELAS, BÉLGICA Aos 37 anos, este jurista de Lisboa vive em Bruxelas desde janeiro de 2016. Veio para experimentar algo novo, para perceber melhor como funciona a Europa e para alargar horizontes. Mas o seu destino final ainda está por descobrir