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Como se comemora o 10 de Junho pelos quatro cantos do mundo

Nós lá fora

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Dia de Portugal em Christchurch, Nova Zelândia

A VISÃO desafiou os cronistas da rubrica online, Nós Lá Fora, a descreveram como o Dia de Portugal é celebrado nas cidades onde vivem e trabalham. Leia as suas histórias

Christchurch, Nova Zelândia, por Sofia Silva Eastmond

O dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas será passado com a comunidade portuguesa de Christchurch. Todos os anos, o grupo, baptizado de Casa de Portugal, se junta em casa de um dos membros para celebrar o dia. Leva-se a família, iguarias portuguesas para partilhar, e passa-se o 10 de Junho em excelente companhia, emerso nos sabores maravilhosos que nos lembram da terra materna. E não há festa sem os cachecóis, as bandeiras, as camisolas nacionais e os galos de Barcelos, digam lá o que disserem.

Moçambique, por Bruno Neto

Na fundamental e estratégica ilha que deu o nome a Moçambique, onde Portugal colonial a considerou capital dos seus territórios ocupados, que fez parte do grande reino de Zanzibar, onde as suas principais cidades são homónimas - Cidade da Pedra, onde os barcos continuam a ser os Dhow, onde se vivem diariamente as influências suaíli, árabes, portuguesas e com toda uma forte personalidade da África Oriental, não iremos ter qualquer celebração oficial do 10 de Junho. O meu 10 de Junho deverá ser passado com a minha namorada - Tânia, a cozinhar peixe fresco e iguarias com sabores trazidos do nosso mediterrâneo, do médio oriente e da Índia.. e ao fim do dia deveremos ir até ao pontão dar um mergulho. Ao mesmo tempo, celebrarei o facto de em 2015 neste mesmo dia ter recebido a condecoração de Cavaleiro da Ordem da Liberdade pelas mãos do Presidente da República, ainda que ache indecoroso não ter até então nenhum cavalo.

Hungria, por José Reis Santos

Em Budapeste não há sardinhas. Nem manjericos, Santos ou Marchas. Ou alho-porro e martelinhos. O mais próximo que por aqui se aproxima é o dia de São Estevão, ali por meados de Agosto, onde acolhidos pelos 40º graus que a cidade nessa altura produz, centenas de milhar de populares ocupam as zonas ribeirinhas à procura do melhor spot para ver o fogo-de-artifício do ano. Durante o dia, há ainda procissão com pompa, onde a mão (embalsamada) do dito santo galga as ruas da cidade, transportando atrás de si a nomenclatura oficial destas ocasiões. Nós por cá temos reservado bacalhau e pastéis de nata na residência oficial, este ano aberta à comunidade hoje, dia 9. Por esta altura organiza-se ainda o «dia de Portugal» no Mercado Central de Budapeste, talvez a melhor ocasião para se ver sardinhas por aqui, se bem que sem cheiro de Santo António, e convenientemente enlatadas para consumo imediato. Pena que estes dias no Mercado não sejam devidamente aproveitados para mostrar o Portugal activo, profissional, trendy que hoje disfrutamos. Tamanho amadorismo na organização deste evento (ainda por cima de importância e visibilidade) já não se encontra em lado nenhum, como facilmente comprova quem recentemente tenha passado por um arraial na Sé, Mouraria, ou na Ribeira. E honestamente não entendo como não aproveitamos melhor o elan que Portugal tem conseguido angariar para nos apresentarmos – e não somente à comunidade portuguesa – de forma mais condizente com o nosso presente. Talvez nessa altura as sardinhas consigam ganhar cheiro, e aterre por Budapeste um Santo António ou São João para animar a malta.

Canadá, Montreal, por Inês Faro

Em Montreal, as celebrações do Dia de Portugal e das Comunidades celebram-se no “Parque de Portugal”, naquele que é considerado o bairro português da cidade. Este ano, além dos discursos oficiais feitos do dia 10 de junho pelo Cônsul-Geral de Portugal em Montreal e outras figuras da comunidade portuguesa e quebequense, também haverá a inauguração de um painel de azulejos que foi realizado pelos alunos da Universidade dos Tempos Livres da Missão de Santa Cruz. Este painel de azulejos foi oferecido à cidade de Montreal como presente pelos 375 anos que celebra em 2017. Em paralelo, decorre durante o fim de semana o Festival Internacional de Portugal em Montreal no adro da Missão de Santa Cruz.

Londres, Reino Unido, por Miguel Rato

Há dois anos, decidimos passar o 10 de junho de forma saudosista. Fomos para Stockwell, o bairro londrino onde se bebem bicas, se comem natas e onde podemos comprar bacalhau salgado, “como deve ser”. Foi um desastre. Não houve sequer tempo para pensar que as merendinhas e o Sumol nos despertavam saudades de Portugal. O mercado era minúsculo, barulhento, e as bifanas eram daquelas que ficamos a mastigar horas a fio até as termos que cuspir de tão “nervosas” que são. Um desastre. A banda tocava aos berros uma música incompreensível de batida irregular e os músicos falavam um português “very british”. Pior. Quando estava na – enorme – fila para a dita bica, desatou a chover. Londres, nunca nos surpreendes, nem para efeitos de boicote de festa nacional! Toca a fugir dali para fora ainda a mastigar a bifana. Escusado será dizer que desistimos da ideia de celebrar o dia de Portugal em versão popular. Não só por não conseguirmos acertar na festa certa, mas também porque na nossa comunidade de amigos portugueses surgiu um marco digno de festejo entre amigos. No ano passado, a 10 de junho, nasceu a Teresa (sem “h”, sublinhe-se, não queremos cá confusões) que passou a ser motivo de encontro da língua portuguesa do sudoeste londrino. Este ano a festa promete ser de arromba. Acredito que, a haver, as bifanas vão ser do melhor, e também não duvido que vamos ter algumas bandeiras portuguesas no jardim e não vai haver banda desafinada a ofuscar as conversas. Teresa de Portugal, muitos parabéns, e...que comecem os festejos!

Nova Iorque, EUA, por Nuno Guerreiro

Com pastéis de nata, pôr-do-sol sobre Nova Iorque e muitas conversas em Português, celebro assim o meu 10 de Junho de 2017. Este ano tenho a honra de me juntar ao décimo aniversário do Portuguese Circle, um grupo de Portugueses e aliados em Manhattan ao qual se junta a celebração do dia de Portugal, com outros conterrâneos. As celebrações por cá começaram mais cedo, no domingo passado visitei a feira de rua no bairro de Soho, Portugal in Soho pelo Arte Institute; salada de polvo, pastel de nata e bica fizeram parte do meu menu, bem como outras demonstrações da vasta cultura Portuguesa, admirada por todos os que participaram. Também tive acesso a outras iniciativas pela Camara de Comércio Portuguesa-US, do AICEP, do Consulado e do PAPS! Sinto-me com muita sorte, apesar das saudades, estou rodeado de muitas iniciativas, não só nesta altura do ano, mas o ano todo. Nova Iorque é sem dúvida um grande centro da Comunidade Portuguesa.

Aalesund, Noruega, por Vasco Pinhol

Dez de Junho... nós por aqui festejamos a nossa portugalidade diariamente porque a nossa pátria é mesmo a nossa língua e falamo-la todos os dias na ânsia de manter a chama viva. Por isso o Dez de Junho é vagamente redundante. É divertida a fortuna de ter uma história nacional tão longa e rica que quase todos os dias do ano terão uma razão qualquer para celebração ser português. Os portugueses são sofisticados demais para andar de bandeirinha, isso é coisa de nacionalidades imberbes. Recentemente descobrimos cá em casa que a Marinha Portuguesa tem setecentos e cinco anos. Setecentos e cinco anos! Foi criada em 1312 por D. Dinis, duzentos e trinta e quatro anos antes da British Navy. Setecentos e cinco anos... temos imensa pinta, não?

Luxemburgo, por António Raúl Reis

O 10 de Junho é comemorado em todo o lado. Há várias festas antigas, que se vão repetindo e perpetuando, enquanto surgem novas iniciativas. As comemorações mais antigas e persistentes são as do CASA, o Centro de Apoio Social e Associativo, que na capital junta ranchos folclóricos, comes e bebes e cantores mais ou menos pimba. Regularmente as entidades oficiais tentam fazer uma festa portuguesa grandiosa mas esbarram na falta de dinheiro e na omnipresente festa do CASA. Este ano a Embaixada organiza uma receção para um grupo restrito de "representantes da comunidade", enquanto que o 10 de Junho popular continua a ser o do CASA.

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, há um ano, em Paris

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, há um ano, em Paris

CLARA AZEVEDO

Paris, França, por Catarina Alberto dos Santos

A imensa comunidade portuguesa em França é muito pró-ativa no que diz respeito ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Outra coisa não se esperava dos mais de 1 milhão de portugueses e lusodescendentes que aqui vivem. Tenho para mim que muitos têm a Fête Nationale, ou 14 juillet, como exemplo. Essa sim é uma grande festa institucional e popular celebrada por todos os franceses sem reservas, com fogo de artifício e concertos gratuitos em todas as cidades e vilas, com o maior espetáculo pirotécnico que se possa imaginar lançado da Torre Eiffel, o desfile militar dos Champs Elysées, Bailes de Gala e cerimónias oficiais que fazem corar as nossas comemorações habituais em território nacional. Por cá uma parte da comunidade e muitos franceses “amigos” de Portugal reúnem-se numa recepção que acontece habitualmente na Embaixada. Também há atividades e eventos associativos como bailaricos, almoços e até mesmo um Peddy Paper fotográfico em Paris que percorre os locais onde nos podemos sentir em Portugal!

Mas nada, nunca nada, vai ultrapassar o 10 de junho de 2016 que foi absolutamente marcante graças à vinda do Presidente da República e do Primeiro-Ministro que durante 3 dias comemoraram a data com os portugueses de França, desdobrando-se em receções, condecorações, festas, encontros e homenagens. Eles, o que cá vivem há décadas sem nunca perder a ligação ao país, os que defendem o uso da sua língua materna e se esforçam por ensiná-la aos seus filhos e netos, os que promovem e dão a conhecer as nossas iguarias gastronómicas e o paraíso turístico que é o nosso “cantinho à beira-mar plantado”, esses mereciam a homenagem que lhe foi feita. E foram dias muito bonitos. Esperamos que um dia se repitam!

Nagoya, Japão, por Catarina Oliveira da Costa

Em Nagoya, especificamente, não se passa nada! Não há comunidade portuguesa para além de nós os três, o que nos deixa um pouco a leste deste nosso feriado de comemoração. O mais perto que temos de um manjerico é o manjericão e de uma sardinha é um carapau. Resta-nos olhar para o Santo António que mora aqui connosco e pedir-lhe que nos mantenha sempre vivas as memórias dos arraiais e este nosso amor à pátria. Viva Portugal!