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Bem-me-quer, mal-me-quer em NYC

Nós lá fora

Nuno Guerreiro

Talvez pela influência do dia de São Valentim, juntamente com a intenção de não abordar nenhum assunto da política contemporânea, um tema óbvio para mim seria partilhar namoricos na ilha de Manhattan! Será que namorar em Nova Iorque é diferente do que em outros locais do mundo? Eu acho que não, porém…

Graffiti do artista Banksy - I Love New York Doctor, I heart NY © http://streetartnyc.org/

Graffiti do artista Banksy - I Love New York Doctor, I heart NY © http://streetartnyc.org/

Será a diversidade e o verdadeiro agradar a gregos e troianos? Independentemente da orientação sexual, religiosa, política, dietética, país de origem, cultura, passatempos e outros fatores, tudo por cá é uma opção e uma possibilidade.

Sempre me fascinou ao "nicho" a que se pode chegar, e não nas coisas mais óbvias. Lembro-me de amigos que não gostam de namorar pessoas que comam carne, outros dizem que têm de acampar, outros de ter gatos... A lista pode ficar bem comprida mesmo.

De fora pode até parecer capricho, mas eu acho que tem a ver com a percepção (tendenciosa ou não) sobre futuras compatibilidades ao qual se junta a praticidade. O nova-iorquino é a lenda viva da expressão “amigo não empata amigo” e “qual a pessoa seguinte na lista por favor”.

Confesso que na minha primeira incursão cultural e social vi diferenças no meu conceito de encontro - “dating” - e de namorar. Não sei porquê, entendia a palavra “dating” como um pré-namoro, sério, mas por cá apenas significa um mero encontro. Assisti a muitas amizades surgirem através de “dates” e casamentos também.

E coincidências também as há. Uma conhecida minha conheceu o atual marido quando a amiga falava do trabalho dela. Ao pedir um comentário sobre o texto que ela tinha feito, como consultora de perfis para sites de namoro, para verificar se o texto estava mais atraente para o segmento pretendido do cliente, ela ficou muito curiosa e pediu que fossem apresentados. Estão casados há já alguns anos..

Casamenteiras também existem e em força, mesmo no mundo de hoje onde os aplicativos dominam. Impressionante como a tecnologia criou novos hábitos. Onde antigamente víamos conversas entre estranhos num bar ou jardim, acontecem, agora com os aplicativos e “smartphones” conectados. O nova-iorquino (como muitos outros no mundo) usa mais a tecnologia para chegar ao humano perfeito. Eu próprio tomei consciência que andava a olhar e falar mais para o telemóvel do que para as pessoas à minha volta.

Para ajudar, fico com a impressão de que há um aplicativo novo a cada mês, para “tribos” urbanas diferentes. Os últimos que amigos comentaram ou que experimentei eram exclusivas para quem cursou em universidades de prestígio “Ivy” ou um outro em que se tinha apenas 24 horas para conectar, senão perdia-se o contacto para sempre.

Ao usar diferentes aplicativos acabo por encontrar as mesmas pessoas, quase como um carrossel. E também como outros nova-iorquinos, fiz amizades em “dates” e outras pessoas que nunca mais voltei a ver nos barulhos da cidade. Até participei em vários encontros “blind date”, com uma pessoa desconhecida (com amizades em comum), mas nenhum terminou como nos filmes de Hollywood. Ainda!

Nesta cidade, a abundância e diversidade também se aplicam ao amor, assim como à arte, às finanças, à restauração. Mais, a agitação de Nova Iorque também parece ser amiga do cupido, pelo número de flechas que vejo serem lançadas. Como sempre, parar não é opção por cá.

I ♡ NY!

VISTO DE FORA

Dias sem ir a Portugal: 44 dias

Por aqui, nas notícias o tema preferido continua a ser sobre comentários do atual presidente.

Sabia que por cá... o preço de uma rosa, numa florista de rua, é de quase 5 Euros.

Um número surpreendente: mais de 139 mil casamentos no estado de NY em 2014.

Nuno Guerreiro

Nuno Guerreiro

NOVA IORQUE, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA Português que virou nómada e, recentemente, nova-iorquino. Após vivências por Düsseldorf, Barcelona, Dublin, Londres e São Paulo, chama casa a Nova Iorque. Depois de uma década no Google, tornou-se empreendedor na área de tecnologia, ao qual junta outras paixões como música, cozinhados e um gosto insaciável por viagens. Viveu na Margem Sul até aos tempos de faculdade, onde se licenciou em Engenharia Informática pela Universidade Nova. Completou também um duplo MBA, pela London Business School e Columbia University.