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Depois do 11 de Setembro

Nós lá fora

Nuno Guerreiro

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NOVA IORQUE, EUA Por cá, o dia de 11 de Setembro, quase pareceu um domingo normal, porém pairava um silêncio ensurdecedor no ar. E cada vez que se ouvia uma sirene na rua, produzia-se-me, automaticamente, um arrepio atroz

Ao fundo, a luz do Memorial das Torres Gémeas

Ao fundo, a luz do Memorial das Torres Gémeas

Todos os Nova Iorquinos partilham um sentimento especial à volta do 11 de Setembro. A mim provoca-me uma sensação muito desconfortável (ansiedade), mas com muita esperança à mistura. Este ano, lembrei-me dos atentados de 11 de Setembro de 2001, quando uns dias antes ao chegar a casa reparei nas luzes acesas do memorial das torres gémeas que se conseguem avistar por muitos quilómetros de distância. Ao deparar-me com as luzes do Memorial, revivi o momento por alguns momentos.

11 de Setembro 2016 - Torre da Liberdade (ao fundo na foto)

11 de Setembro 2016 - Torre da Liberdade (ao fundo na foto)

Comum a muitas pessoas que conheci pelo mundo fora, todos se lembram onde estavam e o que faziam nesse dia/nessa hora. Mais uma prova que Nova Iorque é uma cidade do mundo.

Eu lembro-me que no dia 11 de setembro de 2001 estava na Alemanha, acompanhando “o momento” em estado de choque pela televisão de um café e, em simultâneo, a lembrar-me que no ano anterior tinha visitado pela primeira vez aquela cidade, que me encheu a vista e que me deu esperança/sonho de poder um dia vir a morar nela...em 2001, ainda não estava traçado o meu destino nova iorquino.

Por cá, o dia de 11 de Setembro, quase pareceu um domingo normal, porém pairava um silêncio ensurdecedor no ar. E cada vez que se ouvia uma sirene na rua, produzia-se-me, automaticamente, um arrepio atroz, ao contrário de todos os outros dias do ano, em que estas sirenes fazem parte da banda sonora da cidade de Nova Iorque. Seria impossível não reparar em que dia estávamos, porque os jornais, as páginas de internet e os canais de televisão todos mencionaram o dia, e não só a imprensa local, mas também a imprensa internacional. Nas redes sociais li testemunhos de amigos, conhecidos e celebridades, de diversos locais do mundo, a relatar as experiências daquele dia e a trocar muitas mensagens de esperança.

Bandeiras a meia haste na Wall Street, Memorial de 11 de Setembro e coroas de flores no Quartel de Bombeiros, no dia 12 de Setembro de 2016

Bandeiras a meia haste na Wall Street, Memorial de 11 de Setembro e coroas de flores no Quartel de Bombeiros, no dia 12 de Setembro de 2016

Após uma corrida de manhã pelo rio Hudson, deparei-me com pessoas a regressarem do cerimónia que estava decorrer no Memorial. Olhando em meu redor, volto a deparar-me com outros nova iorquinos na sua rotina habitual de um domingo quase normal. Apesar do pesar, não há razão para parar!

Comigo levo essa grande lição de resiliência do que é ser Nova Iorque. Já depois do 11 de Setembro, o dia 12, uma segunda-feira por Nova Iorque soa a mais um dia típico e agitado, porém com as marcas e mensagens de liberdade e esperança ainda muito presentes.

Após sair de uma reunião na zona financeira, perto da famosa Wall Street, deparei-me com as bandeiras dos Estados Unidos ainda a meia haste, demonstração de respeito aos atentados, mas a agitação na rua, essa continuava igual à que sempre conheci.

Depois do dia 11 de Setembro de 2016, visto da minha janela de casa

Depois do dia 11 de Setembro de 2016, visto da minha janela de casa

Obrigado Nova Iorque, sinto-me muito sortudo por morar numa cidade que é do mundo, mas também que é um exemplo de liberdade, resiliência e que jamais irá parar!

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Nuno Guerreiro

Nuno Guerreiro

NOVA IORQUE, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA Português que virou nómada e, recentemente, nova-iorquino. Após vivências por Düsseldorf, Barcelona, Dublin, Londres e São Paulo, chama casa a Nova Iorque. Depois de uma década no Google, tornou-se empreendedor na área de tecnologia, ao qual junta outras paixões como música, cozinhados e um gosto insaciável por viagens. Viveu na Margem Sul até aos tempos de faculdade, onde se licenciou em Engenharia Informática pela Universidade Nova. Completou também um duplo MBA, pela London Business School e Columbia University.