As previsões cumpriram-se no domingo no Kodak Theatre, em Los Angeles, com a atribuição dos principais prémios ao favorito Slumdog Millionaire (Quem quer ser bilionário?), eleito melhor filme e melhor realizador.

De baixo orçamento, o filme conta a história de um adolescente que venceu um concurso televisivo, mas tem como pano de fundo a miséria das ruas de Bombaim, o que originou protestos na Índia contra Danny Boyle, acusando-o de ter transmitido uma imagem estereotipada do país.

Dos dez Oscars para o qual estava nomeado, o filme de Danny Boyle venceu oito, incluindo melhor fotografia, montagem, mistura de som, banda sonora, canção original e argumento adaptado.

O estranho caso de Benjamin Button, de David Fincher, que liderava a corrida com 13 nomeações, recebeu apenas três estatuetas douradas, todas elas em categorias técnicas.

Não houve surpresas nas principais categorias. Kate Winslet venceu o Oscar de melhor actriz pelo filme O Leitor, e Heath Ledger foi premiado a título póstumo com o Oscar de melhor actor secundário pelo papel de Joker em Batman - O cavaleiro das trevas, depois de ambos terem recolhido os prémios BAFTA e Globo de Ouro. O prémio de Heath Ledger foi recebido na cerimónia pela família, mas deverá ser entregue à filha do actor, de três anos.

Para o Oscar de melhor actor principal avizinhava-se uma luta mais renhida entre Sean Penn (Milk) e Mickey Rourke (O Wrestler), mas o papel do activista Harvey Milk retratado no filme de Gus van Sant deu a Penn a segunda estatueta da sua carreira.

Penélope Cruz foi eleita a melhor num papel secundário tornando-se na primeira actriz espanhola a receber um Oscar. Em 2008 tinha sido premiado o seu conterrâneo Javier Bardem, com quem Penélope Cruz contracena em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, que lhe valeu agora o prémio.

Wall-E deu ao realizador Andrew Stanton o segundo Oscar de melhor filme de animação, depois de À procura de Nemo (2003), Homem no arame, de James Marsh, foi eleito o melhor documentário e Departures, do japonês Yojiro Takita, o melhor filme estrangeiro.

Nesta 81.ª edição, que distinguiu ainda Jerry Lewis com um prémio humanitário, a excepção à previsibilidade foi mesmo a própria cerimónia, conduzida pela primeira vez pelo actor australiano Hugh Jackman.

A Academia de Hollywood tinha prometido algumas mudanças em relação ao formato dos Oscars e à estrutura do espectáculo, que perdeu audiência televisiva nas últimas edições. Mais curta do que o habitual, a cerimónia teve uma encenação próxima dos ambientes de um clube de jazz e com grande inspiração nos musicais da Broadway.

O realizador australiano Baz Lurhman, autor de Moulin Rouge e Austrália, coreografou um dos momentos altos da cerimónia, uma rapsódia em que Hugh Jackman revisitou alguns dos mais conhecidos musicais da história do cinema.

Na apresentação dos nomeados, foram escolhidas diferentes soluções.

Dez actores e actrizes premiados subiram ao palco do Kodak Theatre para falarem dos nomeados na área da representação e anunciar os vencedores. Destaque para as presenças de Sofia Loren, que falou de Meryl Streep, de Robert de Niro, que apresentou Sean Penn, de Kevin Klein, que recordou Heath Ledger, e de Anthony Hopkins, que elogiou Brad Pitt. Daniel Craig, Sarah Jessica Parker e Will Smith conduziram as hostes nas categorias técnicas.

Este ano, ao contrário do que aconteceu em edições anteriores, praticamente não houve comentários ou piadas políticas, com excepção do discurso de vitória de Sean Penn, com uma referência à eleição de Barack Obama para a Casa Branca.

Na plateia, entre as dezenas de estrelas de cinema sentaram os actores de Quem quer ser bilionário?, muitos deles verdadeiros desconhecidos em Hollywood e que nunca tinha saído da Índia, onde o filme foi rodado.