"O nosso negócio não se transformou", argumentou Zeinal Bava durante uma entrevista na RTP1, lembrando que a estratégia de investir em televisão foi anunciada em Abril do ano passado.

O responsável respondia a uma questão da jornalista Judite de Sousa sobre a necessidade de a PT informar o Governo - que gere a golden share do Estado na operadora - quando as decisões da empresa impliquem mudanças de estratégia. Escusando-se a dizer se a PT informou o Governo do interesse em adquirir 30% da Media Capital, o presidente-executivo da operadora adiantou que os primeiros foros onde o assunto deve ser comunicado são a comissão executiva e o conselho de administração da operadora o que, segundo assegurou, "ainda não aconteceu".

Sublinhando não existir "qualquer acordo" com os espanhóis da Prisa para comprar uma participação na dona da TVI, Zeinal Bava afirmou que estão a ser "equacionados vários cenários na área dos conteúdos", tendo havido uma "fuga de informação".

"Houve uma fuga de informação que obrigou a PT a fazer uma comunicação ao mercado através da CMVM, mas o tema ainda nem foi abordado na comissão executiva".

Ainda assim, o responsável considerou que "qualquer sugestão de instrumentalização" da PT pelo Governo "é um insulto", afastando a possibilidade avançada na imprensa de a concretização do negócio poder implicar um afastamento do director-geral da TVI, José Eduardo Moniz.

"Os rumores falam de [uma compra de] 30% da Media Capital, o que seria uma posição minoritária, e com uma posição minoritária há decisões que nem podemos tomar", referiu.

"Nunca interviemos na escolha do director-geral da SIC Notícias e tínhamos 40%" do canal. Além disso, acrescentou, a PT vendeu "a Lusomundo Media há uns anos e não pediu nenhuma autorização à golden share".

Sobre o pedido de esclarecimento do negócio que o Presidente da República fez ontem, alegando a necessidade de haver "ética e transparência", Zeinal Bava lembrou que a operadora de telecomunicações está cotada "em Nova Iorque e em Lisboa. Temos o melhor regulador do mercado e acho que isto já garante transparência".

Questionado sobre se a ida à televisão é uma consequência directa das declarações de Cavaco, o presidente da comissão executiva da PT admitiu apenas que "parece que o comunicado não foi suficiente". Assim, continuou, "o negócio, a acontecer, terá ainda de passar por dois reguladores - a Autoridade da Concorrência e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social", adiantou. Zeinal Bava admitiu, no entanto, que os conteúdos são "muito importantes", já que a PT "é, neste momento, um grande distribuidor", estando a discutir "eventuais parcerias para os conteúdos do Meo". A "factura de conteúdos da PT por ano é de 90 milhões de euros", disse, ressalvando que os cenários discutidos dentro da empresa "são confidenciais".