Hosni Mubarak, anunciou esta noite, num discurso de cerca de 25 minutos à nação, que vai permanecer no poder até às eleições de setembro, apesar de ter admitido que "pensou transferir alguns poderes" para o vice-presidente, Omar Suleiman.
Mubarak acentuou que as alterações políticas e constitucionais "não serão ditadas" por pressões externas, garantiu que a "transferência pacífica do poder vai começar hoje" e disse que as emendas à Constituição que propôs vão "facilitar as candidaturas e impor um termo aos mandatos".
Ao dirigir-se à "juventude do país", o chefe de Estado egípico disse que o "sangue dos mártires não correu em vão" e apontou como prioridades "recuperar a confiança entre os egípcios, na economia e na reputação internacional" do país.
O discurso de Mubarak foi recebido com uma explosão nas ruas, com uma multidão desesperada a gritar e a empunhar os seus sapatos, um sinal de falta de respeito entre os muçulmanos.
No Twitter, o opositor Mohamed ElBaradei avisava "O Egipto vai explodir. O Exército tem de salvar o país agora".
A surpresa causada pelas palavras de Mubarak explica-se pela sucessão de acontecimentos no Egito, com o exército a anunciar, para breve, "ordens que vão agradar ao povo". Por seu lado, o novo secretário-geral do partido no poder, o Partido Nacional Democrático (PND), Hassan Badrawi, dizia que Mubarak poderá "responder às reivindicações do povo" até sexta-feira.
Falta agora saber qual será a reação dos militares, que ontem afirmavam também o "seu compromisso e a responsabilidade pela salvaguarda do povo e pela protecção dos interesses da nação, e o seu dever em proteger as riquezas do povo e do Egipto".







