O chefe da polícia nacional, Mangwashi Victoria Phiyega, revelou sexta-feira, em conferência de imprensa, o balanço dos disparos sobre os mineiros em greve na mina de platina Lonmin, a noroeste de Joanesburgo: 34 mortos e 78 feridos.

Phiyega argumentou que os disparos foram feitos em autodefesa e realçou que os mineiros tinham a arma que tinham retirado a um dos dois polícias que agrediram até à morte na segunda-feira.

As imagens de vídeo mostram que os mineiros estavam a fugir de uma colina, que tinham ocupado, depois de esta ter sido atingida por granadas de gás lacrimogéneo.

As mulheres dos mineiros, durante um protesto, realizado sexta-feira, exibiam um cartaz onde se lia: "A polícia tem de parar de disparar sobre os nossos maridos e filhos". Ajoelhadas face aos polícias, cantaram canções de protesto, em xhosa, interrogando: "O que é que nós fizemos?".

De regresso antecipado de Moçambique, Zuma dirigiu-se para a mina, a 70 quilómetros da capital, e anunciou um inquérito oficial, aliás exigido por partidos e sindicatos.

Pelo menos outras dez pessoas tinham morrido durante a greve, que dura há uma semana, incluindo os dois agentes da polícia agredidos até à morte pelos grevistas e outros dois guardas de segurança da mina, que foram queimados vivos quando os grevistas incendiaram o veículo onde se deslocavam.

Os grevistas querem aumentos salariais, de 625 para 1.563 dólares (1.268 euros).

Uma investigação divulgada na terça-feira pela Fundação Bench Marks, uma organização não-governamental que monitora as práticas das empresas multinacionais mineiras, apurou que a Lonmin tinha um mau registo, com níveis elevados de acidentes de trabalho e os trabalhadores em "muito más condições".

Há muitos mineiros a viver em barracas sem electricidade e crianças com doenças crónicas, resultantes dos esgotos a céu aberto.

O presidente da Lonmin, Roger Phillimore, emitiu hoje um comunicado, a lamentar as mortes, e a empresa já se prontificou a organizar os funerais, a disponibilizar assistência psicológica às famílias e a pagar os estudos, da primária à universidade, aos filhos das vítimas.