O contrato de compra e venda do BPN foi assinado do lado do Estado pelo diretor-geral do Tesouro e Finanças, numa cerimónia privada, em que não estiveram presentes o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, nem a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, que estão em Copenhaga (Dinamarca) para a reunião do Ecofin.

"Ainda não compramos o banco todo, só após a compra de ações dos trabalhadores ao BPN é que estamos prontos a fazer a integração do BPN no Banco BIC português", disse Mira Amaral, em conferência de imprensa.

"Estamos a tentar manter 1.000 postos de trabalho. Não vamos manter 750 postos trabalho, mas cerca de 1.000", disse Fernando Teles, na conferência de imprensa após a assinatura do contrato de compra e venda no Ministério das Finanças, em Lisboa.

O BPN registou um prejuízo de 65,6 milhões de euros em 2011 mas, segundo Norberto Rosa, que liderou a instituição desde julho do ano passado, tem condições para voltar a ser lucrativo, agora que foi vendido ao BIC.

"É uma história longa, mas podemos dizer que esta venda é a de uma instituição que tem condições para ser rentável, noutro enquadramento", disse à agência Lusa Norberto Rosa, vice-presidente do Banco Português de Negócios (BPN).

Segundo o administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), entidade que geriu o BPN desde a sua nacionalização em 2008, "foi feita a limpeza do balanço e a capitalização do banco, pelo que o BPN pode atingir resultados positivos com relativa rapidez, apesar deste ambiente desfavorável para o sistema financeiro".

Os administradores do banco BIC Portugal disseram que chegaram mesmo a desistir da aquisição do BPN em novembro, pondo então um ponto final no interesse pelo banco, que acabou por ser retomado e hoje concretizou-se a compra.

"Há uns meses desistimos durante uma semana do negócio", disse o presidente do conselho de administração do BIC, Fernando Teles, adiantando que essa rutura das negociações aconteceu em novembro, antes da assinatura do contrato de promessa de compra e venda do BPN.

"Nós regressamos a Angola convencidos de que tínhamos desistido. A verdade é que nos pediram e voltamos" à mesa das negociações, acrescentou o responsável.