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PER: Programa deu casa a 35 mil famílias mas também criou "guetos" -- investigadora

Lusa

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Lisboa, 05 mai (Lusa) -- A investigadora Isabel Guerra, do DINÂMIA'CET -- Centro de Estudos Sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (ISCTE-IUL), defende que, embora o Programa Especial de Realojamento (PER) tenha dado casa a quase 35 mil famílias, criou "guetos urbanísticos e sociais".

Para a socióloga, o programa de realojamento criado através de um decreto-lei de 07 de maio de 1993 e que cumpre agora 20 anos foi de inegável importância para as famílias que dele beneficiaram -- que saíram de barracas para viver numa habitação --, mas foi, ao mesmo tempo, "injusto" e "demasiado precipitado", tendo-se recorrido, na maioria dos casos, a soluções de concentração urbanística "a que Europa já não recorria há décadas".

A investigadora, que participou entre março e dezembro de 1997 num estudo para avaliar a fase inicial do programa, critica ainda o facto de esta solução para erradicar as barracas das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto "não ter sido negociada com as autarquias".