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Cinema""A Corte do Norte" salvou-me a vida - João Botelho

Lusa Cultura

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lisboa, 12 Mar (Lusa) - O realizador João Botelho estreia no dia 19 a longa-metragem "A corte do Norte", adaptada de um romance de Agustina Bessa-Luís, um filme que diz ter-lhe salvado a vida depois da polémica com "Corrupção".

lisboa, 12 Mar (Lusa) - O realizador João Botelho estreia no dia 19 a longa-metragem "A corte do Norte", adaptada de um romance de Agustina Bessa-Luís, um filme que diz ter-lhe salvado a vida depois da polémica com "Corrupção".

"A corte do Norte" é o primeiro filme de João Botelho com exibição comercial depois de "Corrupção", que recusou assinar por divergências com o produtor, Alexandre Valente.

Em entrevista à agência Lusa, João Botelho explicou que, depois das polémicas com aquele filme, sentiu-se "rejeitado por artistas", porque se tinha atrevido a fazer um filme popular, e "escorraçado", porque não o assinou.

"Fiquei sozinho no mundo, mas tinha um filme na mão para fazer" - disse - e esse filme era inicialmente um projecto do realizador José Álvaro de Morais, já falecido, de adaptação do romance "A corte do Norte", de Agustina Bessa-Luís.

Em honra da memória do amigo e da genialidade que diz encontrar na obra de Agustina Bessa-Luís, João Botelho aceitou concluir o projecto que agora chega às salas de cinema.

"A corte do Norte" é um filme de mistérios sobre quatro gerações de mulheres, que se desenrola ao longo de um século entre a Madeira e Lisboa e que tem por base a história verídica da actriz Emília das Neves, referida no filme como Emília de Sousa.

"É um filme sobre a arte que está acima da vida, o abandono de todas as condições sociais para ser artista", resumiu João Botelho, referindo-se à personagem Emília de Sousa, prostituta e promissora actriz de teatro do século XIX que se casou com um herdeiro madeirense.

Farta da vida burguesa e isolada na ilha madeirense, Emília de Sousa simula o seu desaparecimento, um mistério que perdurará por quatro gerações e que será resolvido por uma trineta já nos anos 1960.

"O outro grande tema do filme é que as mulheres são geniais, fantásticas e grandes e os homens são débeis e tontos", ums história de família e de luta, que João Botelho disse ter tentado seguir com rigor a partir da história de Agustina Bessa-Luís.

O realizador só acrescentou uma frase ao texto, sendo o resto adaptado literalmente do romance e incluído no filme através de uma narradora, Maria João Cruz, como se fosse a própria Agustina a contar a história.

Apesar da saúde débil, João Botelho afirmou que a escritora ainda viu o filme e respondeu-lhe em carta que tinha ficado comovida com a adaptação.

A actriz Ana Moreira é a protagonista de cinco papéis diferentes - Emília de Sousa e descendentes e da imperatiz Sissi, Isabel da Áustria, à frente de um elenco que inclui ainda Rogério Samora, Ricardo Aibéo, Custódia Gallego, Margarida Vila-Nova, Rita Blanco e Virgílio Castelo, entre outros.

Além da fidelidade ao texto de Agustina, João Botelho idealizou esta adaptação influenciado pelo jogo de luz e sombra da obra do pintor italiano Michelangelo Caravaggio, transformando muitas das cenas do filme em pinturas ao vivo.

"O cinema é luz e sombras, é a representação do ser humano em luz e sombra. Não somos [os realizadores portugueses] muito bons na acção, mas somos brilhantes na composição. Não temos muito dinheiro para os grandes efeitos, mas temos tempo para pensar", defendeu o cineasta, de 59 anos.

"A corte do Norte" é uma produção da Filmes do Fundo, feita com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual e da RTP e rodada em digital, um recurso mais barato do que a película e que permitiu canalizar o orçamento, de 750 mil euros, para outras áreas, como o guarda-roupa, importado da República Checa.

SS.

Lusa/fim