Numa conferência de imprensa no final de uma cimeira da zona euro, Herman van Rompuy indicou que os chefes de Estado e de Governo do espaço monetário único também abriram a porta à possibilidade de "os países que se portam bem" poderem recorrer aos mecanismos de estabilidade - o atual fundo europeu e o novo mecanismo europeu permanente - para aliviar a pressão dos mercados.

Van Rompuy disse que o objetivo dos líderes da zona euro é que estas medidas, classificadas como de "curto prazo", sejam tratadas com cariz de urgência e decididas nos próximos meses.

Os líderes europeus chegaram também a acordo sobre um pacto para o crescimento no montante de 120 mil milhões de euros. Van Rompuy, que sobre este ponto falava numa conferência de imprensa intercalar, pois a cimeira prosseguiria ao longo da noite, precisou que 60 mil milhões serão mobilizados através da alavancagem possível com o aumento do capital do Banco Europeu de Investimento, 55 mil milhões através da realocação de fundos não utilizados e os restantes 5 mil milhões através do projeto-piloto de "project bonds" (obrigações de projetos).

O dinheiro do BEI será sobretudo destinado aos países mais vulneráveis e a realocação de fundos visará designadamente as pequenas e médias empresas, acrescentou.

Taxas de juro em recuo 

As taxas de juro cobradas pela dívida da Espanha e da Itália caíram esta manhã em força, na sequência das medidas aprovadas durante a madrugada em Bruxelas, na cimeira dos países da Zona Euro.

Os líderes europeus estiveram reunidos durante a madrugada por exigência da Espanha e da Itália, tendo chegado a acordo sobre medidas de curto prazo que Madrid e Roma reclamavam para desbloquear outro dos pontos principais da agenda, um plano de medidas para o crescimento de 120 mil milhões de euros.

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, congratulou-se com os compromissos alcançados esta madrugada, em Bruxelas, pelos líderes da zona euro sobre medidas de curto prazo para tranquilizar os mercados, que forçou juntamente com o chefe de Governo espanhol.

Para Monti, tratou-se de uma "um acordo muito importante para o futuro da União Europeia e da zona euro", pelo que "valeu a pena" uma reunião tão "dura".

A Itália, apontou, fica particularmente agradada com a possibilidade que é agora aberta de países cumpridores mas que enfrentem problemas nos mercados que exijam intervenções de estabilização possam fazê-lo, assinando apenas um memorando, sem terem de se submeter a um programa específico supervisionado pela 'troika'.