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Scott Fitzgerald, a personagem de si mesmo

Ler Faz Bem

Conheça o autor de O Grande Gatsby, o livro oferecido esta semana com a VISÃO, o quinto do projeto Ler Faz Bem

Isabel Lucas

Há o mito e há o escritor, e no caso de F. Scott Fitzgerald um e outro são quase impossíveis de separar. Ele tornou-se o símbolo de uma época, de um lugar e de uma sociedade: a Nova Iorque dos anos 20, entre os boémios e os abastados. Em 1963, ano em que foram publicadas as suas cartas, um especialista na obra do autor de O Grande Gatsby (que é oferecido esta semana com a VISÃO) escrevia na revista New Yorker: “O maior valor de Fitzgerald é o seu caráter quase epónimo, a maneira como a sua vida e o seu trabalho, juntos, representam o mais profundo da nossa natureza. Nós, americanos, de todas as maneiras – e com algumas variações – talvez a maioria dos homens do mundo ocidental.”

Francis Scott Key Fitzgerald nasceu em 1896 em St. Paul, no estado do Minnesota, numa família católica de imigrantes irlandeses e morreu aos 44 anos, em Hollywood. Neste intervalo de tempo, nasceu uma obra que o imortalizou e faz parte do cânone da literatura no Ocidente. Isso, e uma vida envolta em polémica protagonizada pela relação tão apaixonada quanto tóxica com a mulher, Zelda Fitzgerald, que foi transformada em material literário. O par era uma unidade. A ambição literária e o alcoolismo de Scott; a esquizofrenia e gosto pela alta sociedade de Zelda e a versão que um e outro contavam da sua relação entrou para a tal categoria de mito. Eles eram parte da América do jazz, da chamada geração perdida, a que cresceu durante a I Guerra Mundial e que incluía nomes como John Steinbeck, James Joyce, William Faulkner ou Henry Miller. A ambição literária de Scott Fitzgerald manifestou-se muito cedo. Influenciado por poetas como Keats e Eliot, começou a escrever na adolescência. Nunca duvidou do seu talento, mas as dificuldades financeiras e a diletância distraíam-no desse essencial da sua vida. Depois de O Grande Gatsby, publicado quando tinha 29 anos, e de Terna é a Noite, aos 38 anos, Scott entrou num processo de decadência não apenas literária, mas física. A saúde de Zelda também piorava, com crises mais frequentes. Foi internada numa instituição e a relação entre ambos deteriorava-se. Em 1926, já depois da publicação de O Grande Gatsby, o casal mudou-se para Hollywood a convite de um produtor que o desafiou a escrever uma comédia. Nessa altura, Scott conheceu a atriz Lois Moran e os dois envolveram-se. Dois meses depois, ele e Zelda deixavam Los Angeles. Ela mostrava cada vez maior fragilidade. Contam-se historias de violência. Em 1936, ele internou-a num hospital psiquiátrico na Carolina do Norte e regressou a Hollywood para continuar o trabalho nos estúdios de cinema. Trabalhava num novo romance, o quinto da sua carreira. Com Zelda no hospital, começou uma relação com a colunista Sheilah Graham. Morreu em 1940, os biógrafos apontam como causa de morte uma tuberculose. Não conseguiu terminar The Last Tycon.

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