Jornal de Letras

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Toca o telefone a toda a hora

Jukebox

A propósito do caso das escutas, aqui fica este tesourinho deprimente do nacional cançonetismo, só para mostrar que não é de hoje nem de ontem que há linhas trocadas e ouvidos intrometidos

Isto era no tempo em que as linhas se trocavam, agora... escutam-se, o que faz toda a diferença. Outro pormenor importante é que o sujeito desta canção não é o primeiro-ministro. Mas não sejamos elitistas. Por que, por engano, namorar com a Babazinha em vez da Clarinha, pode ser suficientemente dramático.

Esta canção, tão alegre e sedutora, data de 1962 e é da autoria de Eduardo Damos e Manuel Paião, uma das mais felizes duplas do nacional cançonetismo. Na altura, a Maria José Valério ainda não pintava o cabelo de verde, mas já cantava a Marcha do Sporting, que fora composta, dois anos antes, pela mesma dupla. Lá fora, os Beatles e os Rolling Stones começavam a discutir quem tinha a trunfa mais gadelhuda. E o Elvis arrebentava com tudo.

Por aqui, enfim, ouvia-se este género de músicas e a malta ria-se. E assim iam passando os dias. A canção em causa até tem uma melodia agradável, sempre na linha do que se fazia no estrangeiro, mas com uns anos de desfasamento. A estrutura, por si só, é curiosa. É animada e cheia de ritmo desde o início, dando vontade de dançar. Ao estilo francês, é interrompida, na sua lógica, para fazer um gag. E depois retoma, bem-disposta. Agora ganha um gosto anacrónica, porque esta figura da telefonista, que às vezes ouvia as conversas dos outros, é mesmo do tempo da outra senhora. Mas, hoje, ainda há quem escute.

 

 A Menina dos Telefones

 

Sou Telefonista

Vá não vejo à lista

Porque a demora é um horror..

Sou Telefonista

Mas não vejo à lista

Porque sei o número do amor

Toca o telefone a toda a hora,

Toca,

Toca,

E se não atende sem demora,

Toca,

Toca

Está quem é que fala desse lado

É de certo alguém apaixonado!

Toca o telefone no momento,

Quero, quero,

Que esse alguém me fale em casamento...

Espero, eu espero.

Toca o telefona a toda a hora,

Toca,

Toca,

E se não atende sem demora,

Toca,

Toca

Está quem é que fala desse lado

É de certo alguém apaixonado

Toca o telefone no momento,

Quero, quero,

Que esse alguém me fale em casamento...

Espero, eu espero.

- Estou?

-Está?

-Por favor, és tu meu amor?

-Sim, minha beleza. Sou eu com certeza!

-Ontem não te vi, escuta, eu não posso viver sem ti.

-Oh ventura minha, como eu te amo.. Babazinha!

-Babazinha!? .. Eu sou a Clarinha!

-Clarinha? Não conheço nenhuma Clarinha ..

-Oh meu Deus...

- HOUVE ENGANO NA LINHA!

Toca o telefona a toda a hora,

Toca,

Toca,

E se não atende sem demora,

Toca,

Toca

Está quem é que fala desse lado

É quem está por si .. apaixonado!

Não me diga; toca o telefone no momento

Quero, quero

Que esse alguém me fale em casamento...

Espero, eu espero

Espero, eu espero

Espero, eu espero